O programa nacional do biodiesel começa a registrar os primeiros atropelos, prejudicando a parte mais frágil da cadeia produtiva: o lavrador do semi-árido. O descumprimento do preço mínimo de aquisição, no valor de R$ 0,56, o quilo, nos Inhamuns e no Sertão Central desacredita essa arrojada iniciativa do governo federal.
O biodiesel é um empreendimento de elevado impacto econômico e social. Nele há espaço desde a lavoura empresarial de grande porte até o pequeno produtor do semi-árido, onde a geração de renda é diminuta. Sua relevância para o Nordeste transcende as iniciativas lançadas, até hoje, para desenvolver a produção primária.
Daí a necessidade da organização dos produtores, do estabelecimento de condições transparentes para comercializar a mamona - o vegetal mais adaptado ao meio rural da região - e a absorção do óleo extraído pelas usinas instaladas nos centros de cultivo dessa euforbiácea. A intermediação presente concorre apenas para desmotivar os agricultores.
Quando mapeou as lavouras xerófilas do Nordeste, na década de 40, o professor José Guimarães Duque anteviu o desenvolvimento da agricultura regional baseada nessa riqueza pouco explorada no seu vasto potencial ou apenas parcialmente aproveitada. Propunha, à época, a substituição das culturas de subsistência pelo aproveitamento industrial das lavouras típicas do Polígono das Secas.
O algodão, a mamona e a oiticica mereceram então tratamento mais agressivo, inaugurando no Ceará novo ciclo na produção destinada ao mercado externo. Uma das vantagens dessas culturas encontrava-se na capacidade de sua consorciação com feijão e milho, ampliando a renda agrícola e, como no caso do algodão, gerando alimento natural para o rebanho bovino.
A omissão do governo, a desorganização da produção, a escassez do crédito, a intervenção de atravessadores e as barreiras alfandegárias típicas do mercado externo, aliadas à ação do bicudo, se encarregaram de desmantelar a pujante cultura algodoeira do Ceará. No seu rastro seguiram a mamona e a oiticica. Perderam com esse insucesso os produtores rurais, a indústria de oleaginosas e os exportadores.
O biodiesel pode ser extraído do algodão, dendê, soja, girassol e pinhão manso. Nenhum desses vegetais tem tão longa tradição de cultivo como a mamona e áreas apropriadas de plantio. No Nordeste são quatro milhões de hectares distribuídos por 500 Municípios. No Ceará, 81 Municípios zoneados. A mamona é o vegetal com maior índice de produtividade quando da extração do óleo.
A Petrobras assegura a aquisição do biodiesel produzido, tanto na grande lavoura, como na agricultura familiar. A mistura com o óleo diesel por enquanto está limitada em 2% por não haver produção capaz de ampliá-la a curto prazo. As dificuldades, portanto, aparecem no estágio intermediário.
O desânimo dos agricultores de Parambu, Tauá, Piquet Carneiro e Acopiara serve como advertência aos executores do programa, antes da expansão da maré de descrédito nessa grande iniciativa.
O biodiesel é um empreendimento de elevado impacto econômico e social. Nele há espaço desde a lavoura empresarial de grande porte até o pequeno produtor do semi-árido, onde a geração de renda é diminuta. Sua relevância para o Nordeste transcende as iniciativas lançadas, até hoje, para desenvolver a produção primária.
Daí a necessidade da organização dos produtores, do estabelecimento de condições transparentes para comercializar a mamona - o vegetal mais adaptado ao meio rural da região - e a absorção do óleo extraído pelas usinas instaladas nos centros de cultivo dessa euforbiácea. A intermediação presente concorre apenas para desmotivar os agricultores.
Quando mapeou as lavouras xerófilas do Nordeste, na década de 40, o professor José Guimarães Duque anteviu o desenvolvimento da agricultura regional baseada nessa riqueza pouco explorada no seu vasto potencial ou apenas parcialmente aproveitada. Propunha, à época, a substituição das culturas de subsistência pelo aproveitamento industrial das lavouras típicas do Polígono das Secas.
O algodão, a mamona e a oiticica mereceram então tratamento mais agressivo, inaugurando no Ceará novo ciclo na produção destinada ao mercado externo. Uma das vantagens dessas culturas encontrava-se na capacidade de sua consorciação com feijão e milho, ampliando a renda agrícola e, como no caso do algodão, gerando alimento natural para o rebanho bovino.
A omissão do governo, a desorganização da produção, a escassez do crédito, a intervenção de atravessadores e as barreiras alfandegárias típicas do mercado externo, aliadas à ação do bicudo, se encarregaram de desmantelar a pujante cultura algodoeira do Ceará. No seu rastro seguiram a mamona e a oiticica. Perderam com esse insucesso os produtores rurais, a indústria de oleaginosas e os exportadores.
O biodiesel pode ser extraído do algodão, dendê, soja, girassol e pinhão manso. Nenhum desses vegetais tem tão longa tradição de cultivo como a mamona e áreas apropriadas de plantio. No Nordeste são quatro milhões de hectares distribuídos por 500 Municípios. No Ceará, 81 Municípios zoneados. A mamona é o vegetal com maior índice de produtividade quando da extração do óleo.
A Petrobras assegura a aquisição do biodiesel produzido, tanto na grande lavoura, como na agricultura familiar. A mistura com o óleo diesel por enquanto está limitada em 2% por não haver produção capaz de ampliá-la a curto prazo. As dificuldades, portanto, aparecem no estágio intermediário.
O desânimo dos agricultores de Parambu, Tauá, Piquet Carneiro e Acopiara serve como advertência aos executores do programa, antes da expansão da maré de descrédito nessa grande iniciativa.