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Amazônia tem como produzir o biodiesel

De consumidora a produtora e até exportadora de energia. É essa a perspectiva que se apresenta para a Amazônia nos próximos anos com o seu grande potencial de produção de energia.
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De consumidora a produtora e até exportadora de energia. É essa a perspectiva que se apresenta para a Amazônia nos próximos anos com o seu grande potencial de produção de energia a partir do gás natural de Urucu, das hidrelétricas do rio Madeira e da mais recente onda energética renovável, os biocombustíveis, cujas matérias-primas a região tem de sobra.

         Na semana em que o presidente Lula inaugurou em Passo Fundo (RS) a primeira indústria de biodiesel financiada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi aprovado uma importante emenda para o setor energético amazônico... pelo deputado Lupércio Ramos (PMDB-AM), na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A emenda vai permitir que o Orçamento Geral da União de 2007 destine recursos para a implantação de unidades de produção de biocombustíveis na Amazônia.

         “Inúmeras experiências já demonstraram que é possível ter o biocombustível na Amazônia aproveitando aquilo que a natureza já nos oferece. Podemos produzir o óleo para alimentar os geradores de energia utilizando sementes oleaginosas de espécies como o buriti, a andiroba, o babaçú e o dendê, entre inúmeras outras”, disse o deputado amazonense, ao comemorar seu feito da tribuna da Câmara. Segundo ele, estudos da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) apontam a viabilidade de implantação de usinas para produção de biocombustíveis na região dos rios Alto Solimões, Juruá, Purus e Madeira.

         Para a engenheira Ivonice Campos, especialista em desenvolvimento energético, energias renováveis e biocombustíveis, o Brasil pode se tornar gradativamente um importante produtor e consumidor de biodiesel a partir dos óleos vegetais característicos de suas diferentes regiões.

         Escrevendo para o site do Ambiente Brasil (www.ambientebrasil.com.br), a engenheira assinala que a produção agrícola de óleos vegetais e de cana-de-açúcar é mais do que uma alternativa energética, “pois constitui a base para um modelo de desenvolvimento tecnológico e industrial autônomo e auto-sustentado, baseado em dados concretos da realidade nacional e na integração do homem a uma realidade econômica em harmonia com o meio ambiente”.

         Segundo Campos, a produção de oleaginosas poderá expandir significativamente para atender o aumento da demanda por óleo para a produção de biodiesel, destacando-se o potencial de 70 milhões de hectares com aptidão para o cultivo do dendê, localizados principalmente na região amazônica e no leste do Estado da Bahia. O Brasil tem apenas 50 mil hectares plantados com dendê.
20 milhões de hectares para o plantio

         Na Amazônia, de acordo com a especialista, estima-se que existam cerca de 20 milhões de hectares (área maior do que a do Estado do Acre) desmatados sem atividade econômica. O dendê é a cultura em grande escala mais apropriada para esta região, podendo ser complementada com as culturas de ciclo curto que não precisam ser desidratadas antes da colheita, tais como banana, mandioca, batata doce, inhame, cará, arroz e feijões tropicais.

         O Estado do Pará, segundo Ivonice Campos, tem dois milhões de hectares de terras improdutivas com clima e solo apropriado para o dendê, com toda a infra-estrutura, inclusive porto e energia elétrica a uma distância máxima de 200 km de Belém (área de influência do projeto Alça Viária). Por sua vez, o Estado do Amazonas tem 400 mil hectares de terras improdutivas com clima, solo e infra-estrutura adequada na periferia de Manaus ou mais precisamente no Distrito Agropecuário da Suframa. O Estado do Amapá tem 200 mil hectares de terras de assentamentos do Incra, próximos a Macapá, também apropriados para a produção de dendê.

         A engenheira destaca que a melhora da qualidade do diesel consumido no país, os excedentes de produção de óleo de soja, as vantagens econômicas e sócio-ambientais decorrentes da produção e do consumo de combustível renovável, a segurança para provisão de combustível produzido diretamente nas diferentes regiões do Brasil, as novas e alteradas políticas agrícolas internacionais e o fortalecimento da indústria nacional de biocombustíveis (quer seja para transporte pesado e de massa ou para geração de eletricidade, especialmente em sistemas isolados) motivam a priorização do Programa Nacional de Biodiesel.

          Ivonice Campos lembra, também, que o Programa de Produção de Biomassa Energética em Assentamentos do Incra na Amazônia em Micro e Pequenas Propriedades Rurais (Probioamazon), instituído pelos ministérios da Ciência e Tecnologia e do Desenvolvimento Agrário, prevê a produção de cerca de 500 mil toneladas/ano de dendê na região Norte. Trata-se de um programa autofinanciável após seis anos, tem um ciclo de trabalho de 12 meses, gerando emprego permanente e permitindo a integração, quando necessária, entre os pequenos produtores e as grandes empresas.

         Para a engenheira, o cenário atual se mostra também bastante oportuno para a produção de biodiesel tendo em vista a prática do livre mercado para combustíveis, a redução das barreiras, a política energética praticada, o perfil de produção e consumo de diesel, a necessidade de se reduzir a poluição atmosférica, em particular nos grandes centros urbanos, e o grande interesse e competitividade da indústria local.

Kaxiana - Agência de notícias da Amazônia  

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