A primeira unidade de produção de biodiesel em escala industrial, no Ceará, será inaugurada, hoje, em Crateús, pelo presidente Lula da Silva. Com capacidade para produzir 360 milhões de litros de óleo verde, a usina, por enquanto, vem processsando soja oriunda do Piauí, diante da ausência de estoque de oleaginosas no Ceará.
As ações setoriais de impacto executadas pelos governos trazem falhas de origem quando não mobilizam todos os parceiros de sua cadeia produtiva para atuação conjunta. Com o Programa Nacional do Biodiesel não tem sido diferente, até para colocar o País na vanguarda do suprimento de um combustível alternativo no mercado mundial.
A produção do biodiesel - o novo óleo verde - é um empreendimento capaz tanto de dinamizar a grande lavoura de soja, transformada em “commodity”, ou seja, mercadoria regulada pelo comércio internacional, como de diversificar o cultivo das lavouras xerófilas de produção familiar. Nessa flexibilização, reside um dos seus maiores méritos. Para o semi-árido nordestino, é um grande achado, por permitir a incorporação de pequenos e médios agricultores no plantio e comercialização de uma matéria-prima carente em todos os mercados continentais. No Polígono das Secas, há condições de se extrair o óleo verde de vasto elenco de vegetais como mamona, girassol e pinhão-manso, oleaginosas familiarizadas com a tradição agrícola regional.
Para o Ceará, não poderia haver iniciativa mais promissora, por seu passado recente de líder na produção e extração dos óleos de mamona e de oiticica, colocados, preferencialmente, no mercado internacional. Nas últimas décadas, entretanto, a concorrência tecnológica reduziu o uso dessas matérias-primas, forçando a queda no preço, a diminuição na procura e o desmantelamento do parque fabril extrator de óleo vegetal.
O fracasso desse ciclo econômico fez cair a plantação de mamona para apenas sete mil hectares, embora a produtividade tenha crescido 4,42% em 2006. O desenho inicial, delineado para o Estado, é de três usinas. A primeira delas, instalada em Tauá, já inaugurada, não dispõe de produção para extrair o óleo. A segunda, de Crateús, levará bom tempo operando em fase experimental até atingir a sua capacidade instalada.
Quanto à terceira, ela será construída pela Petrobras, em Quixadá, com capacidade para lançar no mercado consumidor 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Talvez nela resida a solução capaz de estimular o replantio de várias oleaginosas. A empresa garantirá a compra de toda a produção, o preço mínimo da Conab, hoje, fixado em R$ 0,56 o quilo da baga, o financiamento dos produtores e a assistência técnica pelos órgãos estaduais.
Essa estratégia deveria ter sido a primeira preocupação, aliada à organização social dos rurícolas em cooperativa e ao planejamento logístico para escoar as safras. As falhas não invalidam os grandes benefícios do programa. Falta, igualmente, uma campanha de motivação para sensibilizar os produtores.
Editorial
As ações setoriais de impacto executadas pelos governos trazem falhas de origem quando não mobilizam todos os parceiros de sua cadeia produtiva para atuação conjunta. Com o Programa Nacional do Biodiesel não tem sido diferente, até para colocar o País na vanguarda do suprimento de um combustível alternativo no mercado mundial.
A produção do biodiesel - o novo óleo verde - é um empreendimento capaz tanto de dinamizar a grande lavoura de soja, transformada em “commodity”, ou seja, mercadoria regulada pelo comércio internacional, como de diversificar o cultivo das lavouras xerófilas de produção familiar. Nessa flexibilização, reside um dos seus maiores méritos. Para o semi-árido nordestino, é um grande achado, por permitir a incorporação de pequenos e médios agricultores no plantio e comercialização de uma matéria-prima carente em todos os mercados continentais. No Polígono das Secas, há condições de se extrair o óleo verde de vasto elenco de vegetais como mamona, girassol e pinhão-manso, oleaginosas familiarizadas com a tradição agrícola regional.
Para o Ceará, não poderia haver iniciativa mais promissora, por seu passado recente de líder na produção e extração dos óleos de mamona e de oiticica, colocados, preferencialmente, no mercado internacional. Nas últimas décadas, entretanto, a concorrência tecnológica reduziu o uso dessas matérias-primas, forçando a queda no preço, a diminuição na procura e o desmantelamento do parque fabril extrator de óleo vegetal.
O fracasso desse ciclo econômico fez cair a plantação de mamona para apenas sete mil hectares, embora a produtividade tenha crescido 4,42% em 2006. O desenho inicial, delineado para o Estado, é de três usinas. A primeira delas, instalada em Tauá, já inaugurada, não dispõe de produção para extrair o óleo. A segunda, de Crateús, levará bom tempo operando em fase experimental até atingir a sua capacidade instalada.
Quanto à terceira, ela será construída pela Petrobras, em Quixadá, com capacidade para lançar no mercado consumidor 57 milhões de litros de biodiesel por ano. Talvez nela resida a solução capaz de estimular o replantio de várias oleaginosas. A empresa garantirá a compra de toda a produção, o preço mínimo da Conab, hoje, fixado em R$ 0,56 o quilo da baga, o financiamento dos produtores e a assistência técnica pelos órgãos estaduais.
Essa estratégia deveria ter sido a primeira preocupação, aliada à organização social dos rurícolas em cooperativa e ao planejamento logístico para escoar as safras. As falhas não invalidam os grandes benefícios do programa. Falta, igualmente, uma campanha de motivação para sensibilizar os produtores.
Editorial