Dados disponibilizados pela ANP mostram crescimento no diesel e estabilidade no restante do mercado de combustíveis
O mercado brasileiro combustíveis está indo para frente, mas, ao que parece, ainda com o freio de mão puxado. Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as vendas do derivado no ano passado totalizaram 55,6 bilhões de litros. Um crescimento de 1,5% – aproximadamente 857 milhões de litros – e relação ao volume apurado no ano anterior.
O mercado brasileiro combustíveis está indo para frente, mas, ao que parece, ainda com o freio de mão puxado. Dados recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que as vendas do derivado no ano passado totalizaram 55,6 bilhões de litros. Um crescimento de 1,5% – aproximadamente 857 milhões de litros – e relação ao volume apurado no ano anterior.
Há algumas boas notícias aí. A primeira é que, apesar de magro, o desempenho do diesel neste ano superou os raquíticos 0,9% registrados em 2017 apontando para o segundo ano seguido de crescimento. O segundo é o segmento diesel se saiu bem melhor que o restante o mercado nacional de combustíveis que encerrou 2018 no mesmo lugar em que estava em 2017 – crescimento de 0,04%.
Ainda assim, as distribuidoras ainda estão longe de voltar aos mais de 60 bilhões de litros de diesel que chegaram a movimentar apenas quatro anos atrás. Dos 9,6% que as vendas encolheram entre 2014 e 2016, recuperamos menos de 2,5% até agora.
Impacto da greve
Embora o resultado final não seja suficiente para empolgar, vale lembrar que a demanda de diesel em 2018 foi duramente impactada pela greve de caminhoneiros ocorrida no mês de maio. As vendas daquele mês tiveram queda de mais de 18% frente ao mesmo mês de 2017.
Se tirarmos maio das contas, os resultados de 2018 ficam bem melhores: para o diesel, temos uma expansão de 3,4%; e de 1,2% para o mercado como um todo.
Com exceção dos meses de março, maio e setembro, o ano passado foi quase todo de expansão. Em dezembro de 2018, que teve o resultado divulgado só agora pela ANP, as vendas do derivado beiraram os 4,41 bilhões de litros, um crescimento de quase 3,7% sobre o último mês de 2017.
Oferta suficiente
Com os dados sobre as vendas de diesel em mãos e já sabendo que a produção de biodiesel chegou a 5,35 bilhões de litros em 2018, é possível cravar que tivemos uma oferta razoavelmente ajustada à demanda.
Descontados os 593,5 milhões de litros de diesel marítimo que foram consumidos em 2018, a demanda do mercado foi de 5,35 bilhões de litros de biodiesel o que nos deixa com um saldo positivo de 9,5 milhões de litros.
Essa conta, no entanto, só foi fechada em dezembro quando a produção das usinas superou a demanda em mais de 46,6 milhões de litros. Até novembro, o mercado estava deficitário em 37,1 milhões de litros.
Importação
Com as importações em queda e o mercado nacional em expansão, a dependência em relação ao combustível importado também caiu. Ela foi de 23,6% em 2017 para 20,9% em 2018
Mesmo assim, ela foi a segunda maior num histórico de 18 anos e vem – com algumas turbulências – mantendo uma tendência de crescimento inalterada desde 2005 quando as importações representavam somente 6% do mercado brasileiro de diesel.
Ainda na liderança
Todas as contas feitas, as vendas de diesel representaram 40,8% do mercado nacional de combustíveis acompanhado pela ANP. Um pouco acima dos 40,2% de 2017, mas ainda na faixa dos últimos quatro anos.
Antes da crise que se abateu sobre a economia brasileira a partir de 2014, o óleo diesel chegou a representar 44% da demanda nacional. Embora continue sendo o combustível individual mais relevante; a participação do diesel foi superada pela dos combustíveis para motores do Ciclo Otto – gasolina e etanol – que ficaram com uma fatia de 42,4% do mercado com movimentação de 57,8 bilhões de litros no ano passado.
Com exceção do diesel, do etanol hidratado e do querosene de aviação que fecharam o ano no azul, todos os outros segmentos do mercado de combustíveis apresentaram queda nas vendas. A gasolina – segundo maior volume do mercado – recuou 13% registrando vendas de 38,3 bilhões de litros
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com