Negócio

Preços da gasolina e do diesel atingem maiores patamares do ano nos postos


Valor Econômico - 26 jul 2021 - 08:59

Os preços da gasolina e do diesel vendidos nos postos brasileiros atingiram, na semana passada, os seus maiores patamares no ano, de acordo com levantamento de mercado da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). São quatro semanas consecutivas de aumento dos preços nas bombas, em ambos os casos.

Prestes a completar cem dias, a gestão de Joaquim Silva e Luna à frente da Petrobras tem optado por reduzir a frequência dos reajustes, mas a estratégia não tem sido suficiente para impedir a inflação nos postos.

Em meio a ameaças de uma possível nova greve dos caminhoneiros, o litro do diesel S-10 (com menor teor de enxofre) foi comercializado, nas bombas dos postos, em média, a R$ 4,660, entre os dias 18 e 24 de julho. O valor representa uma alta de 0,23% em relação à semana anterior e de 23,8% na comparação com a primeira semana de 2021 (03/01 a 09/01).

Já o litro da gasolina combustível foi vendido, em média, a R$ 5,833, entre os dias 18 e 24 de julho. O valor se manteve praticamente estável, com ligeira alta de 0,03% na comparação com a semana anterior. Em relação à primeira semana do ano, no entanto, a alta é de 27,8%.

Segundo a Triad Research, empresa de pesquisa de mercado que trabalha com um número maior de postos que a ANP, o preço diário da gasolina superou, no sábado, a casa dos R$ 6. No sábado, o combustível era vendido, em média, a R$ 6,003 o litro nas bombas, o que significa uma alta de 2,1% em relação ao dia 6 de julho, quando a Petrobras reajustou o derivado em 6,3% nas refinarias, no primeiro aumento anunciado pela estatal na gestão de Joaquim Silva e Luna à frente da companhia. No caso do diesel, o litro do derivado foi comercializado, no sábado, em média, a R$ 4,748 no Brasil, ainda de acordo com a Triad. O valor representa um aumento de 1,9%, na mesma base de comparação.

Sob o comando de Silva e Luna, a Petrobras tem adotado a estratégia de reduzir a frequência dos reajustes. Nos pouco mais de três meses de gestão do general à frente da estatal, a petroleira mexeu três vezes nos preços dos derivados: no dia 1º de maio, a empresa reduziu em 2% o diesel e a gasolina; em 11 de junho, cortou em mais 1,9% a gasolina e aumentou em 6% o gás liquefeito do petróleo (GLP); e no último ajuste, em 6 de julho, a companhia fez o primeiro aumento para a gasolina (+6,3%) e diesel (+3,7%) e elevou em mais 6% o GLP.

Silva e Luna assumiu o comando da estatal prometendo reduzir o impacto das volatilidades do mercado global sobre o mercado doméstico. O general completa nesta terça-feira 100 dias à frente da companhia. Nesse período, a Petrobras mexeu nos preços da gasolina uma vez a cada um mês, na média, enquanto no diesel o intervalo é de um ajuste a cada 50 dias, praticamente. Para efeitos de comparação, a gestão Castello Branco vinha trabalhando em 2021 com uma média praticamente de uma mudança a cada duas semanas.

Os dados da ANP mostram, contudo, que, mesmo diante da estratégia da estatal de segurar os reajustes, os preços têm subido nos postos. Enquanto a Petrobras acumula uma alta de 2,2% nos preços da gasolina, nas refinarias, nos 99 primeiros dias de gestão de Silva e Luna, o litro médio do derivado atingiu na semana passada um valor 7,2% maior que o apurado na semana em que o novo comando da petroleira tomou posse. No diesel, esse aumento é de 13,9%, na comparação com o aumento acumulado de 1,6% nas refinarias.

Os revendedores atribuem a inflação, em parte, ao encarecimento dos biocombustíveis misturados aos derivados - etanol anidro, na gasolina, e biodiesel, no diesel. A Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) alega que, nos últimos dez anos, as margens do segmento caíram mais de 40%. Hoje, as margens da revenda estão, em média, no Brasil, em 9,8%. Nas capitais, porém, a margem bruta é até 5%.

André Ramalho – Valor Econômico