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Negócio

Petróleo sobe EUA ameaça de bloqueio dos EUA ao Irã por tempo indeterminado


Exame - 14 ago 2026 - 08:53

O petróleo voltou a subir nesta sexta-feira, 14, após os Estados Unidos sinalizarem que o bloqueio naval a portos do Irã pode continuar por tempo indeterminado. A possibilidade reacendeu as preocupações sobre o fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de transporte de energia do mundo.

Os contratos futuros do Brent, referência internacional para o petróleo, subiam 0,13%, a US$ 87,18 por barril. O West Texas Intermediate (WTI), parâmetro de preços nos EUA, avançava 0,58%, a US$ 81,72. Os dois benchmarks haviam recuado cerca de 2% na sessão anterior, mas ainda acumulam alta de 4% na semana.

EUA elevam pressão sobre o Irã

A nova alta veio depois de o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmar em entrevista à Newsmax que Washington prepara medidas para promover o que chamou de "isolamento econômico" do Irã. Na explicação dele, seriam ações de uma dimensão que "nunca foi vista".

As declarações ocorreram depois de o secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, dizer a jornalistas que as forças dos EUA poderiam manter um bloqueio aos portos iranianos por tempo indeterminado. As informações são do canal americano CNBC.

Essa possibilidade de uma interrupção prolongada do comércio marítimo aumenta a atenção sobre o Estreito de Ormuz, por onde passam fluxos importantes de petróleo e outros produtos energéticos. O mercado acompanha de perto qualquer sinal de restrição à circulação de navios pela região.

Ataques aumentam tensão no estreito

A escalada ocorre após os Emirados Árabes afirmarem, na noite de quinta-feira, 13, que o Irã atacou duas embarcações da Abu Dhabi National Oil Company, estatal de petróleo do país, enquanto os navios atravessavam o estreito.

Na quinta-feira, os preços haviam recuado depois de o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, afirmar que as exportações de petróleo que passam pelo Estreito de Ormuz estavam acima do que muitas estimativas independentes indicavam.

O dado ajudou a reduzir parte das preocupações com uma interrupção mais severa do fornecimento. Ainda assim, a ameaça de manutenção do bloqueio americano recolocou o risco geopolítico no centro das negociações nesta sexta-feira, 14.

Demanda global também entra no radar

Além dos riscos sobre a oferta, o mercado acompanha a perspectiva para o consumo mundial. A Agência Internacional de Energia (IEA, em inglês) disse na quarta-feira, 12, que espera uma queda da demanda global por petróleo ainda maior do que a projetada anteriormente para este ano.

Assim, de um lado, a possibilidade de restrições ao fluxo de petróleo pela região sustenta os preços e, do outro, uma demanda global mais fraca pode limitar a alta das cotações.

Ana Luiza Serrão – Exame