Petróleo cai abaixo de US$ 80 com avanço das negociações pelo fim da guerra
Após recuar 7,74% na semana passada, o preço do petróleo segue em queda diante dos avanços das conversas pelo fim da guerra no Oriente Médio e manutenção do trânsito de navios no Estreito de Hormuz, rota de 20% da produção mundial de petróleo.
O que aconteceu
Preço do barril de petróleo cai na manhã desta segunda-feira. O valor dos contratos do Brent com entregas previstas para agosto recuava 1,16%, para US$ 78,32 por barril, por volta das 9h20. O índice representa a referência internacional para o combustível e é utilizado pela Petrobras para reajustar os preços da gasolina e do diesel.
Na semana passada, a cotação caiu abaixo de US$ 80 pela primeira vez desde março. A assinatura de um pré-acordo de paz entre o Irã e os Estados Unidos derrubou o preço do Brent para o menor valor desde o dia 2 de março. Na sexta-feira (19), no entanto, a cotação ficou novamente acima dos US$ 80.
Conversas entre Estados Unidos e Irã na Suíça animam o mercado. Representantes de Teerã e JD Vence chegaram para as discussões com a intenção de confirmar as negociações dos últimos dias. O vice-presidente dos EUA disse que foi orientado pelo presidente Donald Trump a "virar a página" das relações com o Irã em um diálogo de "nível elevado".
Manutenção da política nuclear do Irã ainda ameaça o acordo de paz. Em declaração antes das rodadas de negociação, o vice de Trump condicionou a conclusão do pré-acordo ao fim da política de enriquecimento de urânio de Teerã. "Os Estados Unidos estão dispostos a transformar fundamentalmente nosso relacionamento com esse país", afirmou.
Nova interrupção do Estreito de Hormuz não interfere na variação dos preços. O Irã ameaçou no sábado (20) um novo bloqueio da rota responsável pelo trânsito de 20% da produção mundial de petróleo. Motivado pela repulsa aos ataques de Israel ao Líbano, o fechamento foi negado pelo vice-presidente dos EUA, JD Vance. Ele disse não ver evidências de novo fechamento.
Por que Hormuz é importante
O Estreito de Hormuz é um gargalo que liga o golfo Pérsico ao golfo de Omã e ao oceano Índico. Antes do início da guerra, cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passava por ali, o que torna qualquer ameaça à navegação um problema com efeito imediato no mundo.
Importância da rota de navegação vai além do petróleo. A avaliação é que uma interrupção ampla na passagem tem potencial de pressionar preços e afetar cadeias de abastecimento, justamente por concentrar parte relevante do fluxo marítimo de combustíveis e fertilizantes.
Hormuz se enquadra como estreito utilizado para navegação internacional. A passagem tem regras específicas na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar. O tratado, conhecido como Convenção de Montego Bay, prevê o regime de passagem em trânsito, que garante travessia contínua e rápida a navios e aeronaves, civis e militares, sem autorização prévia.
Pelo texto da convenção, países costeiros não podem impedir nem suspender a passagem em trânsito. O artigo 44 determina que não haja suspensão e que os Estados deem publicidade a perigos à navegação, enquanto o artigo 39 impõe aos navios o dever de não praticar atividades sem relação com o trânsito, como ameaça ou uso da força.
Mesmo sem ter ratificado a convenção, o Irã é apontado como obrigado a respeitar regras que viraram costume internacional. A avaliação é que disposições sobre estreitos são tratadas como direito internacional consuetudinário, reforçado por decisões anteriores da Corte Internacional de Justiça sobre passagem em estreitos internacionais.


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