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Negócio

Demanda chinesa pressiona preços do petróleo


Bloomberg - 08 set 2026 - 10:56

A retomada das compras de petróleo pela China está estimulando os preços na África, Canadá e América Latina, com a interrupção do tráfego pelo Estreito de Ormuz levando as refinarias a buscar alternativas cada vez mais distantes.

A oferta do Golfo Pérsico continua restrita, enquanto as exportações do Irã praticamente secaram devido ao bloqueio imposto pelos Estados Unidos. O aumento da demanda chinesa, por sua vez, representa uma reversão em relação aos primeiros meses da guerra, quando o consumo mais fraco ajudou a manter os preços sob controle.

A mudança de cenário está provocando picos nos preços de diversos tipos de petróleo. Nesta semana, o Djeno, do Congo, foi oferecido a compradores chineses com prêmios de até US$ 20 por barril acima da cotação do Brent, ante cerca de US$ 15 há duas semanas.

As refinarias chinesas também compraram grandes volumes de petróleo do Canadá, Brasil e Argentina nas últimas semanas, enquanto a forte demanda elevou os preços do ESPO, produzido na costa russa do Pacífico.

Os preços dos tipos de petróleo do Oriente Médio disponíveis no mercado também dispararam, à medida que a intensificação dos combates entre os EUA e o Irã nas últimas semanas reduz as perspectivas de aumento dos fluxos por Ormuz.

As compras chinesas, porém, ainda não retornaram aos níveis anteriores à guerra: segundo estimativas feitas no fim do mês passado, elas caminham no momento para 10 milhões de barris/dia, contra 12 milhões antes do conflito.

“As compras vigorosas da China ultimamente vêm sendo impulsionadas, em grande medida, pelas refinarias que estão aproveitando as margens razoáveis”, diz Liao Na, fundadora da consultoria de pesquisa energética GL Consulting.

Pequim ainda dispõe de enormes estoques, o que lhe dá flexibilidade para comprar menos em períodos de alta da demanda e dos preços. O país possui pelo menos 1 bilhão de barris de petróleo estocados, segundo estimativas.

“A China continuará atuando como uma força estabilizadora nos mercados globais de petróleo, moderando os picos de preços”, disse Daan Struyven, chefe de pesquisa de petróleo do Goldman Sachs.