
A indústria global de biocombustíveis vai muito bem e deverá praticamente dobrar sua produção nos próximos 20 anos. A estimativa é da gigante britânica do petróleo British Petroleun (BP) que publicou esta semana o relatório BP Energy Outlook 2035 com suas projeções de longo prazo para o mercado global de energia.
Nas contas da petroleira, a produção do setor foi de 65,3 milhões de toneladas de óleo equivalente (toe) em 2013 e deverá avançar até chegar em 132,1 milhões de toe por volta de 2035. Na ponta do lápis, isso representa um crescimento de 102,1%. Se o índice se confirmar, os biocombustíveis terão um crescimento muito maior que as fontes de energia maduras: petróleo (18,2%), gás natural (50,2%), carvão (18,1%), nuclear (49,5%), hidroeletricidade (46%).
A única exceção seriam outras fontes renováveis – categoria que inclui a energia solar e eólica – que terão crescimento muito mais robusto chegando que 321,6% no mesmo período.
Reaceleração
Mais do que isso, pelas projeções da BP indústria está prestes a entrar num novo ciclo de expansão acelerada. Nos quinquênios entre 2015/2020 e 2020/2025, a produção deverá superar a marca dos 20%. A partir daí a expansão desacelera ficando em 14,5% no período 2025/2030 e 16% entre 2030/2035.
A expansão global será puxada principalmente pela região da Ásia Pacífico cujo crescimento até o final do período será de 275,9% chegando a 22,8 milhões de toe. A região vai superar a Europa e se tornar a terceira maior produtora do planeta. No entanto, a liderança será mantida pela América do Norte e pela América do Sul e Central.
Esse bom resultado é menor que a performance explosiva do setor na primeira década dos anos 2000. Nesse período, o segmento cresceu 550%.
Fatia
Apesar da expansão, os biocombustíveis continuarão tendo a menor fatia da matriz energética global. Ao final do período, apenas 0,76% da energia mundial virá dos biocombustíveis – hoje são 0,51%.
No mesmo período, a demanda global vai avançar 37% (1,4% ao ano). Em 2035, a demanda chegará a 17,4 bilhões de toe.
Se considerada exclusivamente a demanda energética no setor de transportes, a fatia dos biocombustíveis tem um peso bem maior. Atualmente os biocombustíveis representam 2,8% da energia consumida no mundo e devem chegar a 4,4%.
O gás também aumentará sua participação no período chegando a 5,4% da demanda total (superando os próprios biocombustíveis como segunda fonte do setor). Já o petróleo vai perder espaço indo de 94,6% par 89,4%.
A íntegra do relatório da BP pode ser consultada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com