

O grupo industrial finlandês UPM vai iniciar testes com uma frota de automóveis abastecidos com diesel renovável fabricado a partir de resíduos do processamento de madeira.

Uma das maiores empresas do mundo do ramo de produtos de origem florestal – em especial papel e celulose – o grupo finlandês UPM está iniciando uma rodada de testes usando diesel renovável fabricado a partir da madeira. A partir de maio começa a rodar por Helsinque uma frota de veículos abastecida com esse novo biocombustível. Os testes serão coordenados pelo Centro Finlandês de Pesquisa Técnica (VTT) e começam em maio.
Os testes fazem parte de um projeto coordenado pela VTT com o objetivo de estimular o uso de energia renovável pelo segmento automotivo na Finlândia. Segundo o pesquisador do centro, Nils-Olof Nylund, há boas perspectivas comerciais para uma nova geração de biocombustíveis que não sejam fabricados a partir de matérias-primas que sejam usadas como alimento. “A Comissão [Europeia] provavelmente restringirá o uso de biocombustíveis feitos de commodities alimentares o que significa que o valor dos resíduos da indústria florestal irá aumentar”, diz o pesquisador se referindo à ideia de limitar o consumo de biocombustíveis convencionais que andam circulando pela União Europeia.
A nova rodada vai permitir avaliar o efeito do produto nos motores e as emissões de poluentes. Os carros serão pilotados na área metropolitana de Helsinque por motoristas especialmente contratados pelo centro de pesquisas.
Para formar a frota que vai rodar cerca de 20 mil quilômetros ao longo de vários meses, foi selecionado o Golf modelo 2013 fabricado pela Volkswagen. Serão usados apenas veículos zero quilômetro.
Bioverno
Chamado BioVerno, esse diesel renovável é fabricado a partir de resíduos gerados durante o processamento de madeira durante outras atividades do grupo – tocos e raízes que ficam no solo depois da derrubada das árvores, serragem, lacas e a casca que restam depois do processamento das toras. Esse material seria transformado em biocombustível por meio de uma tecnologia de gaseificação e, segundo o material distribuído pela empresa, consegue reduzir em 80% as emissões de gases do efeito estufa quando comparado do diesel mineral.
No ano passado, o conglomerado industrial iniciou a construção da primeira biorrefinaria que vai fabricar o novo produto em escala comercial. Quando estiver pronta em 204, a usina será capaz de produzir 120 milhões de litros do combustível.
“Estamos muito contentes em colaborar com diversos parceiros nessa rodada de testes,” disse o vice-presidente da divisão de biocombustíveis da UPM, Petro Kukkonen comemorando a parceria com o VTT que já vinha realizando pesquisas de bancada com o novo produto.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com