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Solazyme chega ao país para fazer diesel de alga e cana


. - 08 abr 2011 - 06:50 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:16

Está desembarcando no Brasil a primeira empresa disposta a produzir combustíveis por meio de microalgas no país. A americana Solazyme já definiu sua localização: seu escritório e seus laboratórios ficarão em Campinas (SP), mesmo município da concorrente Amyris. Incluindo nessa conta a Novozymes, sediada em Curitiba, a Solazyme é a terceira empresa estrangeira a se instalar no país com micro-organismos para a produção de combustíveis de segunda geração.

A diferença é que a Solazyme usará microalgas — e não enzimas ou fungos — para transformar açúcares e celulose em combustíveis idênticos aos derivados de petróleo. O uso de microalgas têm sido amplamente estudado pela indústria de energia. No Brasil, a Petrobras está desenvolvendo um processo para extrair os óleos naturais das algas e transformá-los em biodiesel. Mas o processo da Solazyme consiste em alterar o metabolismo das algas para que elas transformem os açúcares diretamente nos óleos desejados, quimicamente idênticos aos derivados de petróleo.

Para dar escala à sua tecnologia, a Solazyme definiu a cana-de-açúcar como a matéria-prima mais viável, e fechou um acordo com um grupo de usinas de cana no Brasil. O nome desse sócio, que processa cerca de 8 milhões de toneladas de cana por ano, é mantido em sigilo.

Em um primeiro momento, a Solazyme vai construir instalações anexas a uma ou mais usinas desse grupo, para transformar a sacarose da cana em combustíveis como o diesel e o bioquerosene de aviação. A meta da companhia é começar a produção comercial de combustíveis em 2013.

Mas a empresa trabalha no melhoramento de suas microalgas para produzir os combustíveis também a partir da celulose, o que faria do bagaço da cana uma matéria-prima ainda mais vantajosa do que o caldo da cana — disputado com a produção de etanol e de açúcar.

A Solazyme também possui um acordo de desenvolvimento com a empresa petrolífera colombiana Ecopetrol, justamente para utilizar a cana cultivada naquele país como matéria-prima de seus processos.

Uma das investidoras estratégicas na Solazyme é a gigante do agronegócio Bunge, que possui usinas de cana no Brasil. Também investiram no negócio a empresa petrolífera americana Chevron e a Unilever, que já testou óleos produzidos pelas algas da Solazyme para a produção de sabonetes.

Flexibilidade
Embora o negócio de combustíveis seja o grande filão da Solazyme, os dois produtos comerciais já lançados com as suas tecnologias de alga estão em filões bem menores. O primeiro, lançado no ano passado, foi um óleo utilizado em suplementos dietéticos nos Estados Unidos, em parceria com a francesa Roquette. O segundo produto é um óleo com efeitos regeneradores da pele, utilizado em um creme anti-idade da marca francesa de cosméticos Sephora.

Em tese, a Solazyme garante que pode produzir praticamente qualquer tipo de óleo a partir da ação de suas microalgas, desde que o cliente se disponha a pagar. A ideia é que os laboratórios no Brasil também façam essas pesquisas sob encomenda no futuro. Por ora, os cientistas da empresa em Campinas vão realizar os testes necessários para a aprovação do uso das microalgas geneticamente modificadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio).

Capital
Para iniciar as operações comerciais em combustíveis, a Solazyme está abrindo o seu capital nos Estados Unidos, com a meta de captar US$ 100 milhões. Por conta do processo, a empresa está em período de silêncio. Desde sua fundação, em 2003, já captou US$ 129,3 milhões com investidores privados.

PARCERIAS ESTRATÉGICAS

1. Chevron, Ecopetrol e usinas do Brasil querem combustíveis As empresas petrolíferas e um grupo de usinas de cana do Brasil mantido em sigilo, possuem acordos de desenvolvimento e produção com a Solazyme. A Bunge é investidora na empresa.

2. Solazyme Roquette explora uso nutricional das algas A sociedade com o grupo francês Roquette lançou no ano passado o primeiro produto comercial com as tecnologias próprias de algas. O Golden Chlorella é ingrediente de suplementos dietéticos.

3. Sephora, Therabothanics e Unilever buscam ingredientes Neste ano, a Sephora lançou um creme com um óleo anti-idade da Solazyme. A Therabothanics explorará outros produtos para a pele e a Unilever testou sabonetes.

4. Dow Chemical e Qantas garantem abastecimento A indústria química americana e a linha aérea australiana fecharam neste ano acordos que garantem a aquisição de futuros produtos da Solazyme em suas áreas.

5. Acionistas trazem experiência da tecnologia da informação Os principais acionistas são Roger Strauch, que vendeu o site Ask.com à IAC, e Jerry Fiddler, criador da Wind River Systems, vendida à Intel.

Luiz Silveira
Fonte: Brasil Econômico