O B5 impulsionou o mercado de biodiesel, mas também suscitou
algumas reclamações por parte dos postos de combustíveis. Representantes
do setor manifestaram preocupação face ao aumento da freqüência de
trocas de filtros e bombas de combustível e de limpezas nos tanques.
A adoção da mistura B5, desde 1º de janeiro deste ano, elevou a 5 por cento a adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel para uso veicular. Correspondendo ao avanço de mais uma etapa do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, essa medida impulsionou o mercado de biodiesel, mas também suscitou algumas reclamações por parte dos postos de combustíveis. Representantes do setor manifestaram preocupação face ao aumento da freqüência de trocas de filtros e bombas de combustível e de limpezas nos tanques.
Esses problemas estão associados aos processos de formação de borras a que estão sujeitas o diesel e em particular as misturas diesel/biodiesel, observados notadamente a partir da introdução de teores crescentes de biodiesel no diesel. O fato já havia sido antecipado pelos especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) por ocasião da estruturação da Rede de Brasileira de Estudos e Projetos sobre Estabilidade, Armazenamento e Problemas Associados (Armazbiodi) em 2008.
A Rede Armazbiodi, liderada pelo tecnologista Eduardo Cavalcanti, da área de Corrosão e Degradação do INT, tem a temática da formação das borras nas misturas incorporada ao seu programa de trabalho. Estudos para minimizar o problema já estão sendo conduzidos em escala de laboratório pelas equipes do Instituto, em conjunto com as universidades federais da Paraíba (UFPB) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). Cavalcanti também ressalta a importância de serem adotadas as boas práticas de transporte, limpeza e armazenagem, preconizadas pela norma ABNT NBR 15512, de 2008, ora em fase de revisão.
A questão, no entanto, tem se mostrado complexa. “Uma solução efetiva exige a participação de todos os elos da cadeia, ou seja, desde a produção do biodiesel, passando pela estocagem em bases e terminais, distribuição, revenda até a injeção do combustível nos tanques dos veículos”, alerta o tecnologista.
O coordenador da Rede Armazbiodi explica que tais borras são de duas naturezas: uma abiótica, compreendendo depósitos orgânicos e inorgânicos, e outra microbiana, envolvendo a vasta proliferação de bactérias, fungos e leveduras, que acabam se aglomerando e formando o que o mercado denomina de bio-depósitos.
Essa última formação é estimulada inicialmente pela umidade do ar. Observa-se também o aparecimento de água dissolvida na massa estocada e a subseqüente condensação nas paredes dos tanques e acúmulo no fundo dos tanques de armazenamento e de transporte do combustível. “Um dos pontos críticos, que favorece o acúmulo de água nos tanques é o procedimento de desodorização, quando o tanque de caminhões é lavado para receber nova remessa da mistura e não devidamente secos”, explica. Cavalcanti destaca ainda que o biodiesel exibe uma grande tendência a oxidação, o que é agravado pela exposição à luz, calor e oxigênio.
Entre as medidas indicadas para prevenir e combater a formação de borras e a contaminação do combustível por microorganismos está o constante monitoramento do óleo e dos tanques além, do uso de aditivos biocidas.
Atenta à dificuldade dos postos e distribuidores, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou a elaboração de um Guia de Procedimentos de Transporte e Armazenagem de Óleo Diesel B, voltado para a prevenção e o controle desses processos de natureza degenerativa. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), a partir da introdução do B5 foi constatado o conseqüente aumento de custos operacionais.
Vinculada à Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel do MCT/FINEP, a Rede Armazbiodi, por sua vez, está iniciando novos estudos sobre a duração da vida do biodiesel e suas misturas na prateleira e sobre a tendência a formação de borras nos tanques de armazenamento. O trabalho se estenderá em instalações de campo, em cada uma das regiões do país.
Ao final do levantamento, os grupos de trabalho liderados pela ANP, que contam com a participação dos especialistas da Rede, pretendem validar uma série de medidas capazes de mitigar o problema.
Confira a seguir algumas apresentações, artigos e matérias já disponibilizados sobre o tema.
Estabilidade ao armazenamento de biodiesel metílico de soja e misturas / Projeto Rede ARMAZBIODI - Primeiros resultados – Apresentação de Eduardo Cavalcanti, na ANP, em 29 de julho de 2010
Minuta do Guia de Procedimentos - Manuseio e Armazenagem de Óleo Diesel B – texto provisório elaborado pela ANP
Problemas na mistura? – reportagem publicada na Revista Biodiesel BR, nº 18, Agosto/Setembro 2010
Biodiesel cria borra e bactérias nos motores, dizem distribuidoras – reportagem publicada pela Agência Estado, em 14 maio 2010
Fonte: INT
A adoção da mistura B5, desde 1º de janeiro deste ano, elevou a 5 por cento a adição obrigatória de biodiesel ao óleo diesel para uso veicular. Correspondendo ao avanço de mais uma etapa do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel, essa medida impulsionou o mercado de biodiesel, mas também suscitou algumas reclamações por parte dos postos de combustíveis. Representantes do setor manifestaram preocupação face ao aumento da freqüência de trocas de filtros e bombas de combustível e de limpezas nos tanques.
Esses problemas estão associados aos processos de formação de borras a que estão sujeitas o diesel e em particular as misturas diesel/biodiesel, observados notadamente a partir da introdução de teores crescentes de biodiesel no diesel. O fato já havia sido antecipado pelos especialistas do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT) por ocasião da estruturação da Rede de Brasileira de Estudos e Projetos sobre Estabilidade, Armazenamento e Problemas Associados (Armazbiodi) em 2008.
A Rede Armazbiodi, liderada pelo tecnologista Eduardo Cavalcanti, da área de Corrosão e Degradação do INT, tem a temática da formação das borras nas misturas incorporada ao seu programa de trabalho. Estudos para minimizar o problema já estão sendo conduzidos em escala de laboratório pelas equipes do Instituto, em conjunto com as universidades federais da Paraíba (UFPB) e do Rio Grande do Sul (UFRGS). Cavalcanti também ressalta a importância de serem adotadas as boas práticas de transporte, limpeza e armazenagem, preconizadas pela norma ABNT NBR 15512, de 2008, ora em fase de revisão.
A questão, no entanto, tem se mostrado complexa. “Uma solução efetiva exige a participação de todos os elos da cadeia, ou seja, desde a produção do biodiesel, passando pela estocagem em bases e terminais, distribuição, revenda até a injeção do combustível nos tanques dos veículos”, alerta o tecnologista.
O coordenador da Rede Armazbiodi explica que tais borras são de duas naturezas: uma abiótica, compreendendo depósitos orgânicos e inorgânicos, e outra microbiana, envolvendo a vasta proliferação de bactérias, fungos e leveduras, que acabam se aglomerando e formando o que o mercado denomina de bio-depósitos.
Essa última formação é estimulada inicialmente pela umidade do ar. Observa-se também o aparecimento de água dissolvida na massa estocada e a subseqüente condensação nas paredes dos tanques e acúmulo no fundo dos tanques de armazenamento e de transporte do combustível. “Um dos pontos críticos, que favorece o acúmulo de água nos tanques é o procedimento de desodorização, quando o tanque de caminhões é lavado para receber nova remessa da mistura e não devidamente secos”, explica. Cavalcanti destaca ainda que o biodiesel exibe uma grande tendência a oxidação, o que é agravado pela exposição à luz, calor e oxigênio.
Entre as medidas indicadas para prevenir e combater a formação de borras e a contaminação do combustível por microorganismos está o constante monitoramento do óleo e dos tanques além, do uso de aditivos biocidas.
Atenta à dificuldade dos postos e distribuidores, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) anunciou a elaboração de um Guia de Procedimentos de Transporte e Armazenagem de Óleo Diesel B, voltado para a prevenção e o controle desses processos de natureza degenerativa. Segundo a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), a partir da introdução do B5 foi constatado o conseqüente aumento de custos operacionais.
Vinculada à Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel do MCT/FINEP, a Rede Armazbiodi, por sua vez, está iniciando novos estudos sobre a duração da vida do biodiesel e suas misturas na prateleira e sobre a tendência a formação de borras nos tanques de armazenamento. O trabalho se estenderá em instalações de campo, em cada uma das regiões do país.
Ao final do levantamento, os grupos de trabalho liderados pela ANP, que contam com a participação dos especialistas da Rede, pretendem validar uma série de medidas capazes de mitigar o problema.
Confira a seguir algumas apresentações, artigos e matérias já disponibilizados sobre o tema.
Estabilidade ao armazenamento de biodiesel metílico de soja e misturas / Projeto Rede ARMAZBIODI - Primeiros resultados – Apresentação de Eduardo Cavalcanti, na ANP, em 29 de julho de 2010
Minuta do Guia de Procedimentos - Manuseio e Armazenagem de Óleo Diesel B – texto provisório elaborado pela ANP
Problemas na mistura? – reportagem publicada na Revista Biodiesel BR, nº 18, Agosto/Setembro 2010
Biodiesel cria borra e bactérias nos motores, dizem distribuidoras – reportagem publicada pela Agência Estado, em 14 maio 2010
Fonte: INT
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