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[Conferência 2011] A exportação de biodiesel para a Europa


BiodieselBR.com - 31 out 2011 - 21:30 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:18

O agrônomo alemão Dieter Bockey é chefe da Divisão de Recursos Renováveis da União para a Promoção de Plantas Oleaginosas e Proteicas (UFOP) e gerente do AGQM – programa criado para consolidar o sistema de qualidade da cadeia de biodiesel na Alemanha. A convite da Conferência BiodieselBR 2011, ele esteve no Brasil para apresentar uma palestra sobre como os produtores do país, que historicamente construíram o maior mercado global para o biodiesel, estão enxergando o futuro desse biocombustível.

De acordo com ele, boa parte das perspectivas de futuro para o biodiesel no mercado europeu passam por questões de regulação que estão sendo debatidas atualmente pelos países membros da União Europeia. A UE se comprometeu com metas ambiciosas de corte nas emissões de gases do efeito estufa (GEEs) e reduções no consumo de combustíveis fósseis em até 10% até o ano de 2020. Para atingir a meta, os 27 países do bloco europeu deverão consumir cerca de 21,8 milhões de toneladas de biodiesel até 2020.

O problema é que como todo o esforço europeu para incentivar o uso de biocombustíveis está fundamentado na redução nas emissões de GEEs, são cada vez mais duras as exigências de comprovação de que os biocombustíveis conseguem efetivamente promover cortes na poluição. “As empresas interessadas em participar do mercado europeu têm que comprovar que cumprem todos os requerimentos técnicos”, explicou. Ele acrescentou ainda  que a partir de abril de 2013 quem quiser vender biocombustível para os 27 países do bloco vai ter que comprovar que seu produto emite pelo menos 35% menos gás carbônico do que sua contraparte fóssil. E esse é só o começo, ressaltou Bockey. Em 2017, a linha de corte sobe para 50%.

“A performance varia de acordo com o biocombustível e com a matéria-prima utilizada”, disse, acrescentando que – pela tabela de referência adotada pela UE – o biodiesel de soja não supera nem metade dos 35% de redução. Nas contas da UFOP, para passar no teste um biocombustível precisa emitir menos de 54,5 gramas de CO2 equivalente por cada megajoule de energia produzida – o biodiesel de soja emite 58 gramas.

Para Bockey, há boas possibilidades de melhora. As emissões do biodiesel de soja estão divididas da seguinte forma: 19 gramas de CO2 durante o cultivo da matéria-prima, 26 gramas por causa do processamento e produção do biodiesel e 13 gramas do transporte e logística da cadeia. Seria possível ganhar os quatro gramas que faltam, melhorando as condições de logística da soja brasileira. Isso daria sobrevida para a capacidade exportadora da indústria, durante o qual ela poderia buscar mais eficiência.

Mas essa não é a única fonte de turbulência ameaçando o biodiesel. Segundo o palestrante, vem ganhando cada vez mais força na Europa a ideia de que as mudanças indiretas no uso da terra (chamado ILUC na sigla original) são um fator de emissões importante e que precisa ser levado em conta. O meio ambientalista tem pressionado para que seja aprovado um fator ILUC adicional às exigências de emissões já em curso. Ainda não está claro o que virá desse debate, mas ele pode até levar a reduções ou à reversão da política europeia de biocombustíveis. “Algumas das exigências que foram apresentadas para o biodiesel de soja e de colza poderiam paralisar toda a indústria europeia. Embora, do meu ponto de vista, se toda a cadeia otimizasse suas emissões, poderíamos atender às novas demandas”, comenta.

Segundo Bockey, o debate hoje está nos números que estão sendo usados como referência para a determinação dos padrões europeus de emissões. Diferentes atores estão produzindo seus próprios estudos e números para contrapor aos da tabela de referência. “Os valores para o biodiesel de soja foram calculados com base na indústria brasileira, onde a questão do transporte da soja e do biodiesel tem muito peso. Os Estados Unidos já pediram que o cálculo fosse refeito com base na realidade norte-americana. Então a competição em relação aos valores de referência já começou”, contou.

A indústria também precisa se mobilizar para reduzir as emissões de CO2 em sua própria cadeia de processamento. Há também espaço para o biodiesel feito de outros materiais que hoje são minoritários, como óleos e gorduras residuais, sebo animal, ácidos graxos e outras fontes.

Formação de borras
Outra questão-chave levantada pelo palestrante diz respeito à qualidade do biodiesel. Segundo Bockey, a Alemanha também tem enfrentado problemas relacionados com a formação de borras nos tanques de armazenamento do biodiesel, mas ele ressalta que as questões de qualidade podem ser resolvidas pela adoção de boas práticas em toda a cadeia de produção. Também que o cuidado adicional com a qualidade do produto tem impacto até na poluição atmosférica local.

Testes com o biodiesel tem demonstrado que o biocombustível tem bom potencial para reduzir as emissões de material particulado e que é possível chegar a resultados ainda melhores tomando cuidados maiores com a qualidade da matéria-prima usada na fabricação do combustível.
    
NOx
E mesmo as temidas emissões de óxidos de nitrogênio – que tendem a subir com a adição de biodiesel – já podem ser solucionadas com a adição de filtros de uréia, completou o pesquisador alemão.

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Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com

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