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[Agribio 2013 - Painel 3] As dificuldades no desenvolvimento da mamona

Agribio WilsonVasconcelos_050913Último palestrante do 3º painel do Agribio 2013, o superintende de Agricultura Familiar do governo da Bahia, Wilson José Vasconcelos Dias, centrou sua fala nos dilemas da mamona.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Agribio WilsonVasconcelos_050913Último palestrante do 3º painel do Agribio 2013, o superintende de Agricultura Familiar do governo da Bahia , Wilson José Vasconcelos Dias, centrou sua fala nos dilemas da mamona.

O texto a seguir faz parte de uma série de reportagens sobre as discussões do Congresso Agribio 2013. Os textos publicados até agora podem ser acessados aqui.

Agribio WilsonVasconcelos_050913
Último palestrante do terceiro painel do Agribio 2013, o superintende de Agricultura Familiar do governo da Bahia (SEAGRI/SUAF), Wilson José Vasconcelos Dias, centrou sua fala nos dilemas da cultura da mamona.

Embora bem respaldada por números e dados, a apresentação não trouxe muitas novidades, principalmente em relação aos desafios para se alavancar a produção da oleaginosa, que tem a Bahia como berço histórico.

Entre as principais questões que frearam a ascensão da cultura no cenário de agroenergia estão a baixa rentabilidade, o uso de semente não qualificada, a compactação do solo e a dificuldade para se obter crédito rural.  

Segundo Vasconcelos, o agricultor consegue com o plantio da oleaginosa pouco mais de meio salário mínimo – cerca de R$ 392 – um valor que não o estimula a plantar. 

Esse fator acaba refletindo numa postura de pouco comprometimento por parte do agricultor. “Como está desestimulado pelo preço, o produtor não confere a atenção necessária a certas questões como a do espaçamento médio. Ele planta a mamona na pior área de sua propriedade do ponto de vista da fertilidade, na beira de outras plantações. Essa forma de plantar não ajuda a atingir a produtividade adequada”, explicou.

Além disso, o agricultor, em geral, usa para o plantio a semente “crioula”, que não é qualificada. “Em todas as regiões é essencial ter semente depurada sanitariamente, qualificada. Mas no Nordeste torna-se ainda mais importante porque a presença de determinados fungos na semente faz com que a planta seja mais suscetível ao estresse hídrico”, expôs. “Como estamos numa região onde estresse hídrico define a produtividade da planta, esse aspecto merece muita atenção”, concluiu. 

Crédito cerceado
Outro problema mencionado pelo superintendente da Agricultura Familiar da Bahia foi a compactação do solo, ocasionada pela exploração frequente e sem descanso da terra. “São solos que têm de 30 a 50 anos de cultivo ininterrupto”, ressaltou Vasconcelos, observando que esse fator compromete à produtividade da planta, podendo reduzi-la pela metade. 

Segundo ele, a dificuldade em se fazer o tratamento adequado para a descompactação do solo — a técnica é conhecida como “subsolagem” — deve-se à limitação do crédito rural. “Se o agricultor faz uma subsolagem hoje, consegue realizar outra só daqui a quatro ou cinco ciclos”, informou, salientando que é difícil fazer os bancos entenderem que a medida não é ação de custeio, e sim investimento. “Se tomarmos por base a média de ganho do agricultor com o cultivo da mamona, que é de cerca de R$ 392, e o custo médio da subsolagem, em torno de R$ 300, como fica a equação?”, questionou Vasconcelos, emendando que é “por isso que lá no Nordeste os agricultores dizem que ‘plantar mamona é trabalhar para o banco’”.

Ações governamentais
Ainda que de forma tímida, o governo da Bahia tem se esforçado para impulsionar a cultura no mercado de agroenergia.

“Antes do lançamento do programa de biodiesel, a produção de mamona era destinada exclusivamente à indústria ricinoquímica. Com o PNPB, o mercado ampliou”, evidenciou o superintende. 

Prova disso é que, de 2005 a 2010, o número de agricultores que se aventuraram no cultivo da espécie cresceu mais de oito vezes na região de Irecê, localidade baiana de tradicional cultivo da mamona. “Passou de quase 5 mil para 41,5 mil agricultores. Todo mundo embalado pela possibilidade do óleo entrar no posto de gasolina”, comentou Vasconcelos.

Passado o momento de euforia, o contingente de produtores interessados em plantar a mamona retrocedeu, permanecendo estabilizado nos últimos anos. 

Mais do que arregimentar novos agricultores para a cultura, o governo da Bahia quer elevar a produtividade. “É perfeitamente factível 1.200 quilos de produção de mamona, aumentando a área plantada de três para quatro hectares, em consórcio com feijão, que também é uma cultura tradicional na região de Irecê”, afirmou o superintendente. “Com essa produção, o agricultor poderá tirar uma média de R$ 574 por mês, algo já mais próximo do salário mínimo.” 

Além dessa meta, o executivo baiano está em vias de fechar o convênio com a PBio visando à distribuição de sementes de mamona e mudas de dendê de qualidade para cerca de 8.700 famílias de agricultores. A parceria prevê ainda a realização de técnicas de preparo do solo (inclusive subsolagem) e a criação de um processo sistemático e de qualidade de assistência técnica.

“O público atingido é pequeno ainda, mas tínhamos que começar por algum lugar”, disse Vasconcelos.

Começar é uma palavra que não soa muito bem para uma cultura tão tradicional como é a mamona no Estado da Bahia. Dado o largo histórico de plantio, era de se esperar que a espécie já estivesse consolidada, devidamente estruturada na região. Não é o que ocorre. O pouco que se fez, se tem feito – e até mesmo o que está previsto para se fazer – mostram-se insuficientes para garantir que a mamona prospere não só na Bahia como em todo o Nordeste. 

Cátia Franco – BiodieselBR.com 
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