BiodieselBR

Estudo Da Estabilidade Térmica De Óleos Vegetais

Neste trabalho foi realizado um estudo térmico de diferentes óleos, visando fazer uma correlação com a composição dos óleos estudados.
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RESUMO

Lipídeos são formados por ésteres de glicerol e ácidos graxos. Os ácidos graxos são ácidos carboxílicos saturados ou insaturados.(ligações duplas na cadeia). Dietas ricas em gorduras com altos níveis de ácidos graxos saturados podem causar problemas cardiovasculares, pois aumentam os níveis de colesterol no sangue. Neste trabalho foi realizado um estudo térmico de diferentes óleos, visando fazer uma correlação com a composição dos óleos estudados.


Palavras-Chave: óleo de canola, óleo de soja, análise térmica.

INTRODUÇÃO

Lipídeos são óleos e gorduras insolúveis em água, de fonte animal ou vegetal, e consistem de triglicerídeos ou triacilgliceróis formados por ésteres de glicerol e ácidos graxos. Geralmente os ácidos graxos presentes são ácidos carboxílicos saturados com 4 a 24 unidades de carbono na cadeia e ácidos carboxílicos insaturados com 10 a 30 carbonos e com 1 a 6 ligações duplas na cadeia. Também existem ácidos com cadeias ramificadas, cíclicas, cetônicas, hidroxiladas e epoxiladas. Os óleos crus contém muitas impurezas tais como ácidos graxos livres, pigmentos, tocoferóis, fosfatídeos, graxas, proteínas, açúcares, gomas, pesticidas, micotoxinas, metais e outros, e necessitam de processos de refino para remover essas impurezas. Porém, a retirada total dessas impurezas é crítica e causa efeitos indesejáveis, como menor ponto de fumaça do óleo pela presença de ácidos graxos livres, efeito pro-oxidante do metal e precipitação e escurecimento do óleo pelos fosfatídeos. Além dos problemas relacionados com os processos de refino do óleo, dietas ricas em gorduras com altos níveis de ácidos graxos saturados, contribuem para o aumento de doenças cardiovasculares devido à elevação dos níveis de colesterol no sangue. Por isso, as autoridades médicas recomendam que o consumo de gordura seja reduzido a 30% do total de calorias consumidas na dieta, com altos níveis de ácidos graxos insaturados, principalmente ácido linoléico, que reduz os níveis de colesterol no sangue, facilitando o transporte pelas lipoproteínas (Hartman et al, 1996). O presente trabalho tem como objetivo fazer uma comparação entre a estabilidade térmica e a composição de óleos comerciais de canola e de soja do Brasil e dos Estados Unidos da América.

MATERIAL E MÉTODOS

A análise termogravimétrica (TG/DTG) e a análise térmica diferencial (DTA) foram realizadas em um equipamento da TA Instruments, modelo SDT 2960, razão de aquecimento de 10°C/min, faixa de temperatura de 25 a 800°C e atmosfera de nitrogênio. A análise de calorimetria exploratória diferencial (DSC) foi realizada no equipamento da Mettler Toledo Star, modelo DSC 822, com razão de aquecimento de 10°C/min, varredura de -50 a 300°C, em atmosfera de nitrogênio.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Figura 1 são apresentadas curvas de TG dos óleos de canola e de soja do Brasil e dos Estados Unidos. As curvas de termogravimetria (TG) de todas as amostras apresentaram somente um estágio de decomposição em torno de 400°C, com quase perda total de massa, restando um resíduo menor que 1% a 500°C. As curvas de DTG (Figura 2) confirmam esse único estágio de decomposição, que ocorreu com velocidade máxima em 414°C. Todavia, foram observados diferentes perfis dos picos, sugerindo a existência de amostras com diferentes composições (Mothé, et al, 2002-2004) . As análises de DTA (Figura 3) revelaram dois eventos endotérmicos, em torno de 400 e 700°C. As curvas de DSC (Figuras 4 e 5) exibiram um pico exotérmico para os óleos de canola em torno de -40°C, o qual pode ser atribuído à cristalização, e um pico endotérmico (BR) e dois picos endotérmicos (EUA) a -20°C relativos à fusão das ceras ou da presença de sólidos (Nandi et al, 2002). Vários picos endotérmicos foram observados para os óleos de soja na faixa de temperatura de -40 a -10°C e um pico exotérmico em torno de 200°C (EUA).

 Curvas de TG e DTG dos óleos de canola e de soja.

Curvas de DTA dos óleos de canola e de soja.

Figura 3 – Curvas de DTA dos óleos de canola e de soja. 

Curvas de DSC dos óleos de canola.

Figura 4 – Curvas de DSC dos óleos de canola. 

Curvas de DSC dos óleos de soja.

Figura 5 – Curvas de DSC dos óleos de soja. 

CONCLUSÃO

As amostras de óleo de canola do Brasil apresentaram mais moléculas de ácidos graxos insaturados, mostrando uma aparência menos gordurosa.

AGRADECIMENTOS

Os autores agradecem ao CNPq pelo apoio financeiro e à empresa Micronal S.A. pela realização das análises de DSC. 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MOTHÉ, C. G; CORREIA, D. Z. e MACIEL, R. IV CBRATEC e II Congresso Pan-Americano de Análise Térmica e Calorimetria, 2004, p.15

OTHÉ, C. G. e AZEVEDO, A D., Análise Térmica de Materiais, 2002, IEditora/SP, pg300
NANDI, P.; ALEXANDER, K.S. and RIGA, AT., Proceedings of the 30th North American Thermal Analysis Society, 2002, p 656-661

EREIRA, D. A; HARTMAN,L.; LAGO, R.C.A; SZPIZ, R. R. ANTONIASSI, R., Análise de Óleos e Gorduras, EMBRAPA/CTAA, RJ, 1996 

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