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10 Anos da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel

 coluna paulo
10 Anos da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel
Revista BiodieselBR 3 min de leitura

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10 Anos da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel










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10 Anos da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel

A introdução do biodiesel na matriz energética brasileira foi o resultado de um programa interministerial conhecido como Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB), havendo diversas ações de responsabilidade de cada ministério. Coube ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) a estruturação e o gerenciamento da Rede Brasileira de Tecnologia de Biodiesel (RBTB). A RBTB, que ficou sob coordenação da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), começou suas atividades a partir de março de 2004, com a finalidade de articular a pesquisa e o desenvolvimento do processo de produção desse combustível, focando esforços em cinco temas: (i) matéria-prima; (ii) produção; (iii) armazenamento; (iv) caracterização e controle da qualidade; e (v) coprodutos.

A primeira ação do MCTI, nesse sentido, foi a criação de uma iniciativa de trabalho conjunto com os governos estaduais, que levou à estruturação de programas estaduais de desenvolvimento tecnológico, voltados à produção e uso do biodiesel. O MCTI optou por envolver os estados com o objetivo de criar bases de conhecimento descentralizadas e apoiar grupos de pesquisas em universidades e centros de pesquisas. Assim, em uma parceria da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e das Fundações de Apoio à Pesquisa (FAPs) estaduais, foram financiados, sob encomenda, projetos na maioria dos estados brasileiros. Durante o ano de 2005, em parceria com a Associação Brasileira das Instituições de Pesquisa Tecnológica (Abipti), foram realizados seminários para a estruturação da RBTB, os quais envolveram o grupo inicial de pesquisadores. Os pesquisadores tornaram-se um comitê gestor da rede e passaram a discutir e definir em conjunto com os técnicos do MCTI as ações. Duas decisões importantes foram tomadas: a realização de congressos e a abertura de futuros editais públicos para a contratação de novos projetos. A partir de então, a Finep e o CNPq contrataram diversos projetos de pesquisa via edital, e em alguns casos encomenda, tendo como fonte de recursos os fundos de energia, petróleo e infraestrutura. Com a abertura de editais, a participação de pesquisadores foi ampliada, alcançando a participação de praticamente todas as instituições de ciência e tecnologia do Brasil.

O resultado da RBTB após esses dez anos é largamente satisfatório. Centenas de teses de doutorado e dissertações de mestrado foram defendidas no Brasil, evidenciando a formação de mão-de-obra especializada em todo o país. Por outro lado, uma consulta a bases de dados científicos como Scopus ou WebOfScience, usando as palavras-chaves “biodiesel” e “Brasil”, demonstra um aumento exponencial na publicação de artigos nas principais revistas científicas. De fato, para uma produção anual de no máximo 5 artigos em 2005 chega-se a quase 350 em 2014. Além disso, outras ações não menos importantes podem ser aferidas, como cursos de extensão com o tema biodiesel ministrados pelo Brasil todo e financiados com recursos de um edital do CNPq, alguns livros publicados a partir de encomendas da RBTB, dezenas de patentes depositadas e inúmeros trabalhos apresentados em congressos nacionais e internacionais.

Ou seja, a estratégia adotada pela RBTB conseguiu, em apenas dez anos, criar uma massa crítica especializada em biodiesel e que está espalhada pelo Brasil todo, além de uma significativa formação de mão-de-obra especializada.

*Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
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