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R$ 1,2 bilhão de prejuízo

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Mesmo com mais de R$ 1,2 bilhão em prejuízos acumulados desde seu lançamento, em 2008, a PBio ficou de fora do pacote de ativos da Petrobras que serão vendidos para amenizar os problemas de caixa da empresa. Entenda os motivos que a estatal tem para continuar bancando essas perdas
Revista BiodieselBR 8 min de leitura
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Mesmo com mais de R$ 1,2 bilhão em prejuízos acumulados desde seu lançamento, em 2008, a PBio ficou de fora do pacote de ativos da Petrobras que serão vendidos para amenizar os problemas de caixa da empresa. Entenda os motivos que a estatal tem para continuar bancando essas perdas


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Mesmo com mais de R$ 1,2 bilhão em prejuízos acumulados desde seu lançamento, em 2008, a PBio ficou de fora do pacote de ativos da Petrobras que serão vendidos para amenizar os problemas de caixa da empresa. Entenda os motivos que a estatal tem para continuar bancando essas perdas

Alexandro Kurovski, de Curitiba

Que a Petrobras enfrenta a maior crise de sua história é uma dessas verdades que até as proverbiais pedras do calçamento já sabem. Entre outubro de 2014 e fevereiro de 2015 a gigante brasileira do petróleo perdeu mais de 60% de seu valor de mercado. Apesar de sua enorme visibilidade nesses últimos tempos, os prejuízos causados pelo esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava a Jato não passam da cereja de um bolo que é muito maior.

Na verdade, a Petrobras está sendo afligida por uma tempestade na qual se somam diversos fatores: a queda global no preço do barril de petróleo; a desvalorização do real em relação ao dólar; os anos de uso do caixa para segurar artificialmente os preços dos derivados no mercado interno; o emprego exagerado dos investimentos da empresa para alavancar outros setores da economia; o estresse no caixa causado pelos investimentos no pré-sal. Esses são alguns dos fatores estruturais mais importantes, que foram, evidentemente, exacerbados pelos reflexos da Operação Lava a Jato.

O ápice dessa crise foi o rebaixamento da classificação de risco da companhia pela agência Moody's, aumentando as dificuldades para que ela consiga os novos financiamentos necessários para seguir com suas atividades.

Para sair desse perrengue, a estatal já deu início a um plano de desinvestimento – em resumo, ela vai vender parte de seu patrimônio. O pacote anunciado no início de março inclui usinas termelétricas, participações em distribuidoras de gás e em campos de petróleo, postos de combustível no exterior e até uma fatia da Petrobras Distribuidora, dona da marca BR, a maior distribuidora e rede de postos do país. A meta é que a venda desses ativos renda US$ 13,7 bilhões até 2016, dinheiro que será usado para reduzir a dívida e preservar o caixa do grupo. Uma mudança significativa em relação ao plano de negócios para 2014-2018, que previa desinvestimentos de até US$ 11 bilhões ao longo de cinco anos.

A salvo Curiosamente, a Petrobras Biocombustível (PBio), divisão de biocombustíveis da empresa, ficou de fora desse “feirão”, mesmo tendo um notável histórico de prejuízos. O ano de 2014 fechou novamente com prejuízo, o sexto seguido. Desta vez foram R$ 266 milhões perdidos.

Desde sua criação, em 2008, a subsidiária já acumula R$ 1,2 bilhão em prejuízos.

Diante da sangria, não faz muito sentido que a empresa opte por manter uma veia aberta. Especialmente quando uma análise publicada em 13 de abril pelo banco de investimentos suíço Credit Suisse First Boston (CSFB) inclui a PBio numa lista de ativos mais relevantes para desinvestimento na carteira da Petrobras. Segundo os analistas André Sobreira e Vinícius Canheu, do CSFB, a subsidiária seria atraente principalmente por sua capacidade de produção. A lista foi publicada logo depois que as especulações sobre a venda da participação da Petrobras na indústria química Braskem, controlada em conjunto com a Odebrecht, impulsionaram as ações da empresa.

Além da PBio, a lista do CSFB inclui outras seis subsidiárias integrais do Grupo Petrobras: Gaspetro, Transpetro, Petrobras Logística de Exploração, Liquigás, Petroquímica de Suape e Cia Integrada Têxtil de Pernambuco. Caso essas empresas fossem vendidas, a Petrobras poderia embolsar entre R$ 2,8 e R$ 3,6 bilhões.

Mesmo assim, ao menos por enquanto, a Petrobras decidiu continuar a “cozinhar esse galo”.

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Histórico

A ideia de trazer a Petrobras para o setor de biocombustíveis surgiu durante o governo Lula, em parte como um investimento político, em parte porque, na época, a produção de biocombustíveis parecia ser uma aposta certeira.

A PBio nasceu com a responsabilidade de consolidar as técnicas já dominadas pelo país – como a produção de etanol de cana-de-açúcar e biodiesel –, organizar o mercado,estabilizar a distribuição desses produtos e sair na frente no desenvolvimento dos biocombustíveis de segunda geração, produzidos a partir de fontes alternativas de biomassa que não tenham uso comercial direto. Mas isso foi antes do pré-sal ganhar destaque. De lá para cá, o futuro brilhante do mercado de biocombustíveis parece ter virado uma miragem e as políticas públicas de apoio à pesquisa, produção e organização do mercado de bioenergia no país acabaram em segundo plano. Não quer dizer que tenham sido abandonadas, mas elas já não estão avançando na velocidade esperada.

Hoje a PBio e suas empresas parceiras têm capacidade de produção de biodiesel de 846,6 milhões de litros por ano. Ela possui três plantas próprias e é dona de 50% da BSBios, que conta com outras duas unidades. Nos negócios de etanol, parceiros da PBio como Bambuí, Guarani e Nova Fronteira para operar plantas no Brasil e Moçambique levam a uma capacidade total de produção de 1,5 bilhão de litros ao ano.

Investimentos em usinas e em programas de pesquisa e desenvolvimento contribuíram significativamente para os resultados negativos da empresa nesses seis anos, mas ela também perdeu na venda de etanol e biodiesel.

Vale lembrar que no ano passado a subsidiária também esteve envolvida em problemas depois que uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) levantou suspeitas de sobrepreço na aquisição de uma usina de biodiesel em Marialva, no Paraná. Em 2009 ela pagou R$ 55 milhões por uma participação de 50% na usina, que produz biodiesel a partir de óleo de soja e sebo bovino.

Apenas dois meses antes do negócio, entretanto, a mesma unidade havia sido integralmente adquirida pelo grupo gaúcho BSBios por uma quantia menor: R$ 37 milhões.

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Vias Alternativas

Pelo andar da carruagem, a PBio não tem perspectivas de reverter a situação e se tornar uma empresa lucrativa no médio prazo. Nesse caso, a decisão de manter a subsidiária sob o controle da Petrobras pode ser muito mais política do que técnica. É o que aponta Adriano Pires, diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). “Em uma empresa estatal as decisões motivadas pelo ambiente político, em muitos casos, acabam tendo um peso maior”, destaca, acrescentando que talvez por isso a Petrobras se mantenha no negócio mesmo quando não é mais tão interessante do ponto de vista financeiro.

Uma das alternativas para dar fôlego à PBio sem se desfazer do patrimônio seria a venda de apenas parte da participação na subsidiá-ria, que hoje é 100% da Petrobras – como no caso da BR. “Trazer um sócio minoritário, com poderes para limpar a administração da empresa da influência política, a exemplo do que deve ocorrer com a Petrobras Distribuidora, pode ser um bom negócio”, opina Pires.

Embora isso não seja suficiente para tirar a PBio do atoleiro, a recente elevação da mistura de combustíveis renováveis nos fósseis poderia impactar de forma positiva nos resultados financeiros da empresa, com o aumento na venda de biodiesel. Infelizmente, isso não aconteceu. Mesmo com o uso de B6 e B7 no último trimestre de 2014 a PBio apresentou um resultado trimestral pior que o realizado em 2013.

Futuro incerto

Um dos objetivos da Petrobras com a venda de ativos é focar sua atuação na exploração de petróleo, reduzindo a necessidade de investimentos em outras áreas.

Por esse motivo, a estatal vai reduzir ou até sair de dois segmentos: geração de energia em usinas termelétricas e distribuição de gás. “Se essa lógica for mantida, a saída do setor de biocombustíveis é apenas uma questão de tempo”, acredita Pires. “Caso surja uma boa oferta por essas usinas, acho difícil que a Petrobras recuse, mas esse não é o melhor momento para a venda”, acrescenta.

O cenário ruim é apontado por Pires como principal motivo para que a Petrobras não se desfaça da PBio. A venda desse patrimônio por um valor mais baixo do que ele realmente vale geraria muita especulação e atrairia ainda mais atenção negativa, e isso é tudo o que a Petrobras quer evitar por ora.

No mês de março, após o anúncio da venda de ativos, as ações da estatal já começaram a apontar recuperação. Novos escândalos nessa altura só iriam dificultar ainda mais esse processo de retomada.

Em nota, a assessoria da Petrobras informou que não comenta assuntos estratégicos da empresa, mas confirma que o plano para venda de ativos pode sofrer alterações devido às condições de mercado e à análise dos negócios da companhia, ou seja, nada impede que a PBio ainda seja incluída no pacote de ativos à venda.

A Petrobras já surpreendeu o mercado ao anunciar a venda de seus ativos na Argentina para a Compañia General de Combustibles (CGC) por US$ 101 milhões em março último. A notícia causou espanto principalmente pelo negócio ter sido concluído num espaço de tempo tão curto – menos de um mês após a petroleira anunciar seu plano de desinvestimento. Esse episódio prova que em matéria de Petrobras, podemos sempre ser surpreendidos.
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