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Fábio Rodrigues, de São Paulo
O ditado “a vida é um moinho” parece feito sob medida para a indústria global de biodiesel. Mais ou menos nesta mesma época em 2014, as usinas dos Estados Unidos estavam comemorando o melhor ano de sua história, enquanto na Argentina o clima era de fim de festa. Passado um ano, a situação se inverteu completamente.
No final de 2013, os produtores da Argentina levaram um tremendo golpe: a União Europeia – seu maior cliente até então – oficializou a cobrança de tarifas antidumping que, na prática, impediriam que o biodiesel feito no país competisse no mercado europeu. A produção recou quase 19% e fechou aquele ano com 1,9 milhão de toneladas e perspectivas de que 2014 fosse ainda pior.
Pois nuestros hermanos conseguiram dar a volta por cima e encerraram 2014 com 2,6 milhões de toneladas fabricadas – uma alta de 37,4% sobre o ano anterior e de 5,3% sobre o antigo recorde (2,4 milhões de toneladas em 2012).
O crescimento foi puxado tanto pela recuperação das exportações, que foram de 1,1 milhão de toneladas em 2013 para 1,5 milhão de toneladas no ano passado, quanto pelo mercado interno, que chegou a 1 milhão de toneladas.
Estados Unidos
Enquanto isso, ao norte do Equador as coisas deram uma virada brusca, mas para pior. Segundo os números oficiais do governo norte-americano, a produção de 2014 foi de 4,8 bilhões de litros, contra 5,3 bilhões de litros em 2013.A produção mais fraca foi puxada por uma demanda menor. Enquanto em 2013 a demanda nos Estados Unidos foi de 5,1 bilhões de litros, no ano passado o consumo totalizou 3,7 bilhões de litros.
A capacidade produtiva das usinas norte-americanas também diminuiu. Em dezembro de 2014, os Estados Unidos contavam com 99 usinas em operação totalizando uma capacidade instalada equivalente a 8,08 bilhões de litros. São quase 700 milhões de litros a menos do que no final de 2013.
