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O que esperar do mercado de biodiesel em 2015

coluna pauloO que esperar do mercado de biodiesel em 2015
Edição de Mar / Abr 2015 3 min de leitura
coluna pauloO que esperar do mercado de biodiesel em 2015


coluna pauloO que esperar do mercado de biodiesel em 2015

No início do ano passado, escrevi uma coluna aqui na BiodieselBR onde concluía que era provável que o governo finalmente atendesse o setor de biodiesel e aumentasse o teor do biocombustível na mistura com diesel. O meu principal argumento foram as contas externas, já bastante deterioradas à época, que seriam auxiliadas com a substituição de diesel importado por biodiesel nacional, reduzindo o déficit comercial do setor de petróleo. E para 2015, o que se pode esperar?

Inicialmente, gostaria de destacar o agravamento das nossas contas externas. Em 2014 tivemos o primeiro déficit comercial desde o ano 2000, e neste começo de 2015 continuamos no vermelho. Em relação ao setor de combustíveis, esse cenário não foi diferente, pois, mesmo com o aumento na substituição de importação de diesel por biodiesel, o déficit aumentou devido a uma contínua elevação no consumo interno.

Por outro lado, os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo a Petrobrás minaram as nossas perspectivas de uma autossuficiência na capacidade de refino. De fato, a Petrobras anunciou o cancelamento ou redução de diversos investimentos essenciais para o setor, tais como: cancelamento das refinarias Premium I (no Maranhão) e II (Ceará); suspensão da segunda unidade da Refinaria Abreu e Lima (em Pernambuco), que estava com 91% das obras concluídas e tinha previsão de entrada em operação ainda em 2015; redução dos investimentos no Comperj (Rio de Janeiro).

Além disso, o consumo de derivados de petróleo vem crescendo bem acima do PIB há alguns anos. Com a crise hídrica que estamos vivendo, essa situação se agrava, uma vez que mesmo no período das chuvas os reservatórios das hidrelétricas estão em situação crítica, o que impediu que as termoelétricas fossem desligadas, aumentando ainda mais o consumo de diesel no país.

Finalmente, o ano também começou com uma forte queda no preço do petróleo e seus derivados no exterior. Mesmo em países vizinhos, como no Paraguai, companhias como a própria Petrobras reduziram significativamente o preço dos derivados nas bombas. No Brasil, esse fato, apesar de diminuir a pressão na nossa balança comercial, passou desapercebido no bolso do consumidor, que viu os preços aumentarem nos postos. Estranho? Não! Além de termos uma forte desvalorização da nossa moeda, que compensa a diminuição do valor em dólar do petróleo e seus derivados, há muito tempo que a Petrobras tinha prejuízo vendendo o diesel e a gasolina bem abaixo do valor do mercado internacional, como já discuti aqui há algum tempo.

Refletindo sobre a atual conjuntura, minha opinião é a mesma de um ano atrás. Não hei de estranhar se houver em breve um anúncio do Ministério das Minas e Energia aumentando o teor de biodiesel na mistura. É uma fórmula simples, sem necessidade de investimento governamental, de aumentar rapidamente a oferta de combustível nacional. Afinal, capacidade de produção ociosa existe.

* Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
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