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A expansão do mercado brasileiro de biodiesel anunciada no final de maio pela presidente Dilma Rousseff tem mais impactos positivos do que reduzir as despesas da Petrobras com importação de óleo diesel.
O aumento da mistura B5 para B6 em julho e B7 a partir de novembro deste ano é um sinal de maturidade na direção do governo, ao qual o setor produtivo está respondendo com o compromisso de, depois de investir cerca de R$ 4 bilhões e gerar mais de 100 mil empregos em toda a cadeia produtiva, estar pronto para atender à nova demanda, correspondendo à expectativa de abastecimento do mercado nacional de combustíveis.
A oferta de 815 milhões de litros no 37º leilão da ANP dias depois do anúncio do aumento da mistura comprova esse comprometimento. O volume é 71% da capacidade e 11% acima do ofertado no leilão anterior ficou, ainda, em preço médio 3,1% abaixo do Leilão 36.
Já naquele certame, em março, o valor das vendas, na média, foi menor que o das ofertas. Desde meados do ano passado a tendência é de estabilização dos preços, reflexo de um setor que consolida as margens de remuneração dos investimentos realizados.
O problema é que o B5 sem sair do lugar desde 2010 estava custando caro a boa parte do parque fabril. Muitas usinas fecharam as portas ou paralisaram as operações à espera de tempos melhores. Agora, parece que eles por fim chegaram.
A oferta no Leilão 37 tem capacidade de atender uma mistura B9. Como sempre dissemos, com uma ociosidade de quase 60% da capacidade instalada, a indústria brasileira de biodiesel tem plenas condições de atender até o mercado de B10 já.
O aumento da mistura anunciado não resolve o problema da ociosidade, que mesmo com o B7 ainda será de uns 45%. Por isso, o momento é de investir na diversificação das matérias-primas e no aprimoramento da tecnologia, pois temos uma das mais rigorosas especificações técnicas de qualidade do combustível.
Na semana em que a ANP abriu o leilão, a primeira de junho, quando comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente, a revista norte-americana Science publicou estudo onde o Brasil aparece como o único país que aumentou a produção agropecuária e ao mesmo tempo reduziu o desmatamento nos últimos oito anos.
Desde 2006 os produtores brasileiros pouparam 86 mil quilômetros quadrados de floresta tropical na Amazônia. O país é o que mais reduz a emissão de dióxido de carbono (CO²) sem comprometer a atividade rural. Nesse período, o desmatamento da Amazônia caiu de 19,5 mil para 5,8 mil quilômetros quadrados.
O biodiesel também é responsável por essa boa notícia. O Ministério do Meio Ambiente já afirmou que o aumento do seu uso reduzirá a emissão de 48 a 60 milhões de toneladas equivalentes de gás carbônico até 2020.
O aumento da mistura não é o novo marco regulatório que a Aprobio sempre reivindicou. A medida, contudo, recolocou o biodiesel na pauta do governo e propicia o apoio à agricultura familiar, que tanto tem feito e se beneficiado da produção do biocombustível, como lembrou a presidente da República na solenidade do anúncio.
