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Patrícia Herman, de São Paulo
E ncomendado por um grupo de sojicultores de quatro estados norte-americanos, um levantamento mostrou que a demanda da indústria de biodiesel por óleo de soja elevou em US$ 0,74 as cotações do bushel (medida equivalente a 27,2 quilos) do grão da oleaginosa no país.
Segundo o estudo, as compras de óleo de soja pelas usinas de biodiesel cresceram quase seis vezes entre 2005 e 2012, com a demanda passando de 304 mil para 1,8 milhão de toneladas em apenas oito anos. A avaliação é de que esse aumento acrescentou US$ 15 bilhões em renda para a cadeia da oleaginosa no período.
Esse aumento na procura ajudou a secar o mercado. Antes de começar a ser amplamente consumido pelo biodiesel, o óleo de soja estava gerando grandes estoques. No cenário pós-biodiesel, os excessos começaram a ser absorvidos pela produção das usinas.
Além disso, a demanda do setor auxiliou a compensar a perda de mercado do óleo de soja na indústria alimentícia, que nos últimos anos começou a migrar para outros óleos vegetais com menores teores de gorduras trans. Entre 2005 e 2012, o uso de óleo de soja no setor de alimentos caiu pouco mais de 1,6 milhão de toneladas.
O levantamento também mostrou que, com a entrada do mercado de energia na competição pelo óleo vegetal, a cotação do insumo passou a ser mais estável. A partir do biodiesel, os preços do óleo de soja e os do barril de petróleo tornaram-se estatisticamente atrelados.
Farelo
Por outro lado, o aumento do processamento do grão de soja para atender a demanda elevada pela indústria do biodiesel acabou ampliando a disponibilidade do farelo de soja.Isso teve um efeito benéfico no preço do farelo, insumo que tem grande importância na produção de rações animais. De acordo com o estudo, o biocombustível foi responsável por baixar o custo do farelo em aproximadamente US$ 25 por tonelada.