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Infelizmente para o agronegócio argentino, tudo indica que esta situação irá piorar em breve. De fato, a Comissão Europeia (CE) anunciou na última semana de maio que iria impor taxas à importação do biodiesel argentino (de 6,8% a 10,6%) e indonésio (0% a 9,6%), sendo os valores das taxas ainda provisórios. Essa decisão foi tomada após um longo estudo realizado pela CE concluindo que tanto a Argentina como a Indonésia vendem o biocombustível ao bloco de forma desleal, a valores considerados abaixo do preço de custo, com o objetivo de ganhar o mercado. Assim, a conclusão da investigação é que tanto os nossos vizinhos quanto o país asiático promovem práticas que “prejudicam claramente a indústria europeia”. Os argentinos rebatem a conclusão da CE, afirmando que a decisão se deve à escalada de protecionismo do mercado europeu e que é resultado da “incapacidade dos produtores europeus de competir com produtores mais eficientes, como é o caso dos produtores argentinos e indonésios de biodiesel”.
A Argentina é atualmente o maior exportador mundial de biodiesel. No que diz respeito ao mercado europeu, Indonésia e Argentina são hoje a fonte de 90% das importações de biodiesel. Taxas de até 10% podem significar uma perda total de competitividade desses países em relação à indústria brasileira de biodiesel.
Esta pode ser a chance de a nossa indústria de biodiesel finalmente conseguir entrar no mercado europeu. De fato, como falei na coluna anterior, os produtores europeus de biodiesel têm pouca condição de competir com a nossa agroindústria. Além disso, é difícil vislumbrar que consigam aumentar a capacidade de produção de óleos para que a indústria de biocombustível consiga atingir a ambiciosa meta europeia de substituir 10% dos combustíveis até 2020 sem desabastecer o mercado de alimentos.
Assim, vejo mais uma vez que existe uma oportunidade para a nossa indústria de biodiesel ampliar o seu mercado. Poderia ser um caminho para resolver o seu problema crônico de capacidade ociosa, que vem sendo apontado desde o início do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. No entanto, para lograr abrir esse mercado, além de competitividade de preço a nossa indústria precisará certificar a origem e a pegada de carbono do nosso biodiesel, tarefa que irá exigir esforços tanto dos empresários quanto do governo.
* Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.