BiodieselBR
Publicidade

Europa: mais próxima de se tornar mercado para o nosso biodiesel

coluna pauloUm ano e meio atrás, escrevi uma coluna sobre as possíveis consequências da reestatização da empresa petrolífera YFP, controlada pela espanhola Repsol, que o governo argentino resolveu bancar. Essa atitude, claramente uma medida arbitrária e populista usada pelo governo dos nossos vizinhos para não perder popularidade em meio à grave crise econômica que assola o país, gerou profunda indignação na Europa.
Edição de Jun / Jul 2013 4 min de leitura
coluna pauloUm ano e meio atrás, escrevi uma coluna sobre as possíveis consequências da reestatização da empresa petrolífera YFP, controlada pela espanhola Repsol, que o governo argentino resolveu bancar. Essa atitude, claramente uma medida arbitrária e populista usada pelo governo dos nossos vizinhos para não perder popularidade em meio à grave crise econômica que assola o país, gerou profunda indignação na Europa.

coluna paulo
Um ano e meio atrás, escrevi uma coluna sobre as possíveis consequências da reestatização da empresa petrolífera YFP, controlada pela espanhola Repsol, que o governo argentino resolveu bancar. Essa atitude, claramente uma medida arbitrária e populista usada pelo governo dos nossos vizinhos para não perder popularidade em meio à grave crise econômica que assola o país, gerou profunda indignação na Europa. À época, comentei na minha coluna que o governo espanhol resolvera, como resposta, parar de importar os mais de 700 milhões de litros de biodiesel que importava anualmente da Argentina. Para se ter uma ideia, em 2011 esse comércio rendeu ao agronegócio argentino US$ 1,1 bilhão. Mas o mercado espanhol representava então apenas metade do exportado para a Europa.

Infelizmente para o agronegócio argentino, tudo indica que esta situação irá piorar em breve. De fato, a Comissão Europeia (CE) anunciou na última semana de maio que iria impor taxas à importação do biodiesel argentino (de 6,8% a 10,6%) e indonésio (0% a 9,6%), sendo os valores das taxas ainda provisórios. Essa decisão foi tomada após um longo estudo realizado pela CE concluindo que tanto a Argentina como a Indonésia vendem o biocombustível ao bloco de forma desleal, a valores considerados abaixo do preço de custo, com o objetivo de ganhar o mercado. Assim, a conclusão da investigação é que tanto os nossos vizinhos quanto o país asiático promovem práticas que “prejudicam claramente a indústria europeia”. Os argentinos rebatem a conclusão da CE, afirmando que a decisão se deve à escalada de protecionismo do mercado europeu e que é resultado da “incapacidade dos produtores europeus de competir com produtores mais eficientes, como é o caso dos produtores argentinos e indonésios de biodiesel”.

A Argentina é atualmente o maior exportador mundial de biodiesel. No que diz respeito ao mercado europeu, Indonésia e Argentina são hoje a fonte de 90% das importações de biodiesel. Taxas de até 10% podem significar uma perda total de competitividade desses países em relação à indústria brasileira de biodiesel.

Esta pode ser a chance de a nossa indústria de biodiesel finalmente conseguir entrar no mercado europeu. De fato, como falei na coluna anterior, os produtores europeus de biodiesel têm pouca condição de competir com a nossa agroindústria. Além disso, é difícil vislumbrar que consigam aumentar a capacidade de produção de óleos para que a indústria de biocombustível consiga atingir a ambiciosa meta europeia de substituir 10% dos combustíveis até 2020 sem desabastecer o mercado de alimentos.

Assim, vejo mais uma vez que existe uma oportunidade para a nossa indústria de biodiesel ampliar o seu mercado. Poderia ser um caminho para resolver o seu problema crônico de capacidade ociosa, que vem sendo apontado desde o início do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel. No entanto, para lograr abrir esse mercado, além de competitividade de preço a nossa indústria precisará certificar a origem e a pegada de carbono do nosso biodiesel, tarefa que irá exigir esforços tanto dos empresários quanto do governo.

* Paulo Suarez é professor do Instituto de Química da Universidade de Brasília (IQ-UnB) e foi vencedor do Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia em 2005.
Compartilhar:

Artigos relacionados