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Biocombustíveis

coluna paulo - CópiaNa última coluna, escrevi sobre os alarmantes recordes negativos que a nossa balança comercial tem apresentado nos últimos meses, avaliando que estes dados seriam ainda piores caso o Brasil não tivesse tido a coragem de introduzir o biodiesel no mercado de combustíveis.
Edição de Abr 2013 / Mai 2013 4 min de leitura
coluna paulo - CópiaNa última coluna, escrevi sobre os alarmantes recordes negativos que a nossa balança comercial tem apresentado nos últimos meses, avaliando que estes dados seriam ainda piores caso o Brasil não tivesse tido a coragem de introduzir o biodiesel no mercado de combustíveis.

coluna paulo - CópiaNa última coluna, escrevi sobre os alarmantes recordes negativos que a nossa balança comercial tem apresentado nos últimos meses, avaliando que estes dados seriam ainda piores caso o Brasil não tivesse tido a coragem de introduzir o biodiesel no mercado de combustíveis. Esta semana, me deparei com um artigo na imprensa sobre declarações de um alto executivo da Petrobras que anunciou um crescente déficit na nossa capacidade de produção de derivados de petróleo. De fato, segundo o diretor de abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, o nosso mercado interno de derivados de petróleo está crescendo a taxas de 4,2% ao ano, sendo possível estimar um déficit de 972 mil barris diários dos mesmos em 2020. Ou seja, se essa tendência não se alterar, iremos importar 29% da nossa demanda por derivados. O mais angustiante é saber que esses dados levam em conta o início das operações da refinaria que está sendo construída em Pernambuco. Ao mesmo tempo, diversas notícias aparecem na mídia anunciando um aumento considerável na exportação de petróleo cru.

Esses dados claramente colocam em xeque a nossa suposta “autossuficiência” no setor de petróleo, tão comemorada pelo governo há alguns anos. Mesmo se conseguirmos explorar as reservas do pré-sal descobertas recentemente, as informações da Petrobras deixam claro que estamos a cada dia mais dependentes do mercado internacional de derivados de petróleo. Mais grave do que isso, a nossa velha história de exportar matéria-prima e importar bens industrializados mais uma vez irá se repetir. Ou seja, iremos continuar perdendo emprego e divisas para países industrializados, o que parece ser consequência única e exclusiva da falta de investimentos internos em infraestrutura de refino.

Na minha coluna anterior fiz um rápido exercício sobre a economia direta de divisas internacionais advinda do uso de 5% de biodiesel no diesel, que estimei para o nosso consumo atual em mais de US$ 1 bilhão anuais. Se levarmos em conta os outros setores onde os biocombustíveis estão substituindo derivados de petróleo no nosso mercado, tais como o álcool anidro misturado à gasolina em teores variáveis entre 20-25%, álcool hidratado usado diretamente em motores flex e carvão vegetal que substitui o coque nas siderúrgicas, essa conta certamente seria muito mais deficitária.

Por outro lado, não é apenas uma questão econômica relativa ao nosso comércio exterior. É fácil de imaginar que a produção desses biocombustíveis envolve um contingente enorme de assalariados em toda a cadeia produtiva, que vão desde os agricultores que cultivam a cana, o eucalipto ou a soja até os funcionários das usinas de álcool, carvoarias e usinas de biodiesel.

Voltando na história, devemos lembrar que a política de estado iniciada durante os anos 70, de substituição de derivados de petróleo por biocombustíveis produzidos no Brasil, foi motivada pela percepção de quão arriscada é a dependência externa no setor energético. À época, um ciclo de forte crescimento da nossa economia foi bruscamente encerrado por sucessivas crises de abastecimento de petróleo no mercado internacional, levando o nosso país a uma forte crise econômica que se alastrou por mais de uma década. Se levarmos em conta, ainda, os benefícios advindos da geração de emprego e renda na cadeia produtiva de biocombustíveis e da economia de divisas internacionais, é muito fácil concluir que a política estatal de uso de biocombustíveis não só deve ser mantida como deveria ser ampliada.
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