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Giro: Argentina rumo ao B10, Europa, fraudes nos EUA

- NECESSIDADE - Argentina rumo ao B10
- EUROPA - Estaca zero
- SUSPEITA - Fraudes nos EUA
Edição de Jun / Jul 2012 3 min de leitura

NECESSIDADE - Argentina rumo ao B10

Necessidade e capacidade. As duas palavras esclarecem a intenção argentina de aumentar a mistura obrigatória do biodiesel ao óleo diesel de 7% para 10% ainda em 2012 – cogita-se o B20 em caminhões e máquinas agrícolas. No mesmo ano a produção deverá alcançar o recorde de 3 milhões de toneladas de biodiesel e vários investimentos para o setor foram anunciados, os argentinos devem parar de exportar para a Espanha, em razão da nacionalização da Petroleira YPF. Desde então, o país europeu busca outras fontes de abastecimento e deve cortar a importação como resposta comercial e diplomática. Ou seja, há estoque de mais e mercado de menos na Argentina. Portanto, o governo vê o aumento do consumo interno como solução para absorver cerca de 900 mil toneladas adicionais do biocombustível.

EUROPA - Estaca zero

A intenção de se determinar o real impacto dos biocombustíveis pela União Europeia voltou à estaca zero graças à inclusão de um novo conceito, a mudança indireta sobre o uso da terra (Iluc, na sigla em inglês). Explica-se: o Iluc estima que, como os biocombustíveis dependem de vastas extensões de terras, caso os agricultores derrubem florestas para realizar novos plantios, pode haver aumento na emissão de carbono. Nesse sentido, o biodiesel, normalmente derivado da soja, apresenta risco maior do que o bioetanol. Entretanto, o novo conceito não foi aceito pelos produtores de biodiesel europeus. Na avaliação deles, as premissas usadas para os cálculos são incertas. Depois de mais de um ano de disputas internas, a expectativa era que os 27 comissários do bloco europeu definissem uma política, mas a discussão deve prosseguir até o fim do ano, com maior envolvimento dos departamentos de agricultura, comércio e indústria.

SUSPEITA - Fraudes nos EUA

Os Estados Unidos usam um sistema de créditos de biocombustível, semelhante ao de créditos de carbono, para obrigar as empresas a buscar fontes menos danosas ao meio ambiente ou, ao menos, compensar a poluição gerada. Desde abril, porém, foram encontrados indícios de fraudes nessa negociação. A Agência de Proteção Ambiental Americana (EPA, na sigla em inglês) identificou mais de US$ 140 milhões (ou cerca de R$ 280 milhões) de créditos não comprovados – quase 10% do universo de US$ 1,6 bilhão (R$ 3,2 bilhões) negociados em 2011. Para participar do processo, as usinas se registram em um sistema e indicam a capacidade de produção, com a apresentação de um laudo comprobatório feito por engenheiro. Contudo, a análise poderia ser feita por qualquer profissional de fora da fábrica, mesmo não ligado à EPA. Em sua justificativa, a agência alegou não ter capacidade para certificar toda a produção, delegando a tarefa aos compradores. Pela legislação, os produtores de biodiesel podem vender o produto e os créditos a uma mesma empresa ou a fontes distintas.
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