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Produção global de soja cresce, mas consumo mantém mercado ajustado em 2026/27

Balanço do USDA projeta 442 milhões de toneladas de produção e consumo mundial, enquanto estoques finais caem para 124 milhões de toneladas; no Brasil, clima deve definir o ritmo do plantio.

O Presente Rural 4 min de leitura

A produção mundial de soja deve alcançar 442 milhões de toneladas na temporada 2026/27, alta de 3% em relação às 429 milhões de toneladas estimadas para 2025/26. O aumento, no entanto, é acompanhado pelo crescimento do consumo, também projetado em 442 milhões de toneladas, o que mantém o balanço global relativamente ajustado.

Os dados integram o balanço apresentado no Agro Mensal de setembro, da Consultoria Agro do Itaú BBA. A projeção indica estoques finais globais de 124 milhões de toneladas, 1% abaixo do ciclo anterior. A relação entre estoques e consumo também recua de 29% para 28%.

Entre os principais produtores, os Estados Unidos respondem pela maior parcela do aumento da oferta. A produção norte-americana está estimada em 123 milhões de toneladas, 6% acima das 116 milhões de toneladas previstas para 2025/26. Para o Brasil, a projeção é de 186 milhões de toneladas, alta de 3%. A Argentina aparece com 50 milhões de toneladas, praticamente estável, enquanto a produção da China permanece em 21 milhões de toneladas.

O crescimento da produção mundial, portanto, não se traduz em aumento proporcional dos estoques. A expansão do consumo absorve grande parte da oferta adicional, mantendo a relação entre produção, demanda e estoques em níveis que exigem atenção do mercado.

EUA terão maior produção

No balanço norte-americano, o USDA elevou a estimativa de produção de soja para 123,4 milhões de toneladas em 2026/27, ante 123 milhões de toneladas na projeção anterior. A área colhida passou de 34,7 milhões para 34,8 milhões de hectares, enquanto a produtividade foi revisada de 3,5 para 3,6 toneladas por hectare.

A projeção de exportações também subiu, de 45,2 milhões para 45,9 milhões de toneladas. Na comparação com 2025/26, o crescimento chega a 10,9%.

O maior volume exportado, porém, reduz a disponibilidade para os estoques finais. A projeção caiu de 8,7 milhões para 8,4 milhões de toneladas entre os relatórios de agosto e setembro. Em relação à temporada anterior, a redução é de 4,7%.

O consumo doméstico norte-americano foi mantido praticamente estável em 78,7 milhões de toneladas, enquanto o esmagamento permanece projetado em 75,7 milhões de toneladas.

Demanda chinesa sustenta balanço

A China, principal importadora mundial, mantém projeções de importação e esmagamento elevadas, reforçando a perspectiva de demanda firme. Esse comportamento ajuda a explicar por que o aumento da produção mundial não resulta em recomposição dos estoques finais.

No balanço global, o consumo sobe de 431 milhões para 442 milhões de toneladas entre 2025/26 e 2026/27. A produção cresce na mesma proporção, de 429 milhões para 442 milhões de toneladas.

Para a Consultoria Agro do Itaú BBA, esse equilíbrio entre oferta e demanda mantém o mercado global relativamente ajustado, apesar da expectativa de uma safra maior nos Estados Unidos.

Clima define ritmo do plantio

No Brasil, o balanço de oferta global divide espaço com a preocupação sobre o início da nova safra. As previsões climáticas para as próximas semanas apontam condições diferentes entre as principais regiões produtoras.

No Paraná, a expectativa de chuvas mais regulares deve favorecer a recomposição da umidade do solo e permitir maior ritmo de plantio, principalmente no Oeste do Estado.

Já Mato Grosso e Rondônia devem continuar com precipitações irregulares e mal distribuídas. Nesse cenário, a semeadura tende a ocorrer de forma gradual e escalonada, com os produtores aguardando maior regularidade das chuvas para garantir condições adequadas de estabelecimento das lavouras.

A combinação entre um balanço mundial ajustado e as condições climáticas no Brasil coloca o ritmo de produção da nova safra entre os principais fatores de acompanhamento do mercado de soja nas próximas semanas.
 

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