Mercado de biodiesel se desenvolveu com segurança em 2010, confirmando a decisão acertada de antecipar o B5, mas nem por isso o setor deixou de passar por percalços. Emoções ficaram reservadas para o segundo semestre.
Alice Duarte, de Curitiba
No ano de 2010, o mercado brasileiro de biodiesel passou por uma nova fase de estruturação e expansão. Como apontou um estudo do BNDES, o setor ainda enfrenta gargalos, mas apesar disso tem demonstrado grande potencial de crescimento. Graças aos investimentos em capacidade instalada e ao pleno cumprimento das entregas do biodiesel vendido nos leilões do ano passado foi possível antecipar de 2013 para 2010 a meta de misturar 5% de biodiesel em todo o diesel comercializado no país. Enquanto a produção de grandes países como Estados Unidos e Alemanha sofreu retração, a do Brasil vem crescendo de forma consistente. A expectativa é que o ano feche com um volume de 2,4 bilhões de litros, um aumento de 50% em relação a 2009. O país foi o quarto maior produtor de biodiesel no ano passado e, pelas estimativas do governo, deverá ficar em segundo lugar em 2010, atrás da Alemanha.
A busca por mais competitividade e eficiência marcou este terceiro ano de mercado obrigatório. Para ganhar escala e reduzir custos operacionais as usinas continuaram a movimentação de 2009, intensificando as ampliações e a integração com a extração de óleo. Atualmente a indústria conta com um parque instalado, pronto para comercializar, de 5,3 bilhões de litros anuais. Além do grande número de ampliações de unidades em operação, onze projetos de novas usinas foram anunciados, que juntos somarão 2,09 bilhões de litros ao ano. Entre os grupos investidores, multinacionais do setor de grãos como a americana Cargill e a chinesa Noble Group.
Nessa sede por investimentos, o excesso de capacidade ociosa foi a maior preocupação das usinas. “Neste ano, o descolamento entre oferta e demanda se intensificou. Isso mostra a necessidade de se construir e aprovar um novo marco regulatório que dê um horizonte para o setor”, diz Sérgio Beltrão, diretor executivo da Ubrabio. A entidade reivindica que a discussão do projeto seja ampliada, considerando os resultados de um estudo, encomendado pela entidade, recém-divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, que mediu a contribuição do setor de biodiesel para a economia e para o desenvolvimento do país.
A mistura fixa no B5 e a crescente evolução da capacidade produtiva trouxeram uma das maiores diferenças entre oferta e demanda pelo biocombustível desde 2004. Com era esperado, as usinas mais eficientes se deram melhor e no 19º leilão houve grande disputa entre as empresas, que lutavam para elevar a ocupação das unidades. O preço do biodiesel teve forte queda. “O deságio não foi uma surpresa. Esse excesso de oferta estressa os produtores e gera uma equação desbalanceada. Ou as usinas vendem por um preço abaixo do preço de produção ou ficam paradas”, diz Beltrão. Contudo, no leilão do final de novembro a oferta das usinas aumentou ainda mais, mas dessa vez sem reflexo algum na queda de preço e com uma competição praticamente inexistente (veja mais na reportagem sobre o 20º leilão).
No ano de 2010, o mercado brasileiro de biodiesel passou por uma nova fase de estruturação e expansão. Como apontou um estudo do BNDES, o setor ainda enfrenta gargalos, mas apesar disso tem demonstrado grande potencial de crescimento. Graças aos investimentos em capacidade instalada e ao pleno cumprimento das entregas do biodiesel vendido nos leilões do ano passado foi possível antecipar de 2013 para 2010 a meta de misturar 5% de biodiesel em todo o diesel comercializado no país. Enquanto a produção de grandes países como Estados Unidos e Alemanha sofreu retração, a do Brasil vem crescendo de forma consistente. A expectativa é que o ano feche com um volume de 2,4 bilhões de litros, um aumento de 50% em relação a 2009. O país foi o quarto maior produtor de biodiesel no ano passado e, pelas estimativas do governo, deverá ficar em segundo lugar em 2010, atrás da Alemanha.
A busca por mais competitividade e eficiência marcou este terceiro ano de mercado obrigatório. Para ganhar escala e reduzir custos operacionais as usinas continuaram a movimentação de 2009, intensificando as ampliações e a integração com a extração de óleo. Atualmente a indústria conta com um parque instalado, pronto para comercializar, de 5,3 bilhões de litros anuais. Além do grande número de ampliações de unidades em operação, onze projetos de novas usinas foram anunciados, que juntos somarão 2,09 bilhões de litros ao ano. Entre os grupos investidores, multinacionais do setor de grãos como a americana Cargill e a chinesa Noble Group.
Nessa sede por investimentos, o excesso de capacidade ociosa foi a maior preocupação das usinas. “Neste ano, o descolamento entre oferta e demanda se intensificou. Isso mostra a necessidade de se construir e aprovar um novo marco regulatório que dê um horizonte para o setor”, diz Sérgio Beltrão, diretor executivo da Ubrabio. A entidade reivindica que a discussão do projeto seja ampliada, considerando os resultados de um estudo, encomendado pela entidade, recém-divulgado pela Fundação Getúlio Vargas, que mediu a contribuição do setor de biodiesel para a economia e para o desenvolvimento do país.
Emoções
No primeiro semestre do ano o setor esteve calmo e sem sobressaltos, provando que a antecipação do B5 foi uma decisão acertada dos agentes do governo. As emoções de 2010 ficaram reservadas para o segundo semestre do ano e os últimos dois leilões.A mistura fixa no B5 e a crescente evolução da capacidade produtiva trouxeram uma das maiores diferenças entre oferta e demanda pelo biocombustível desde 2004. Com era esperado, as usinas mais eficientes se deram melhor e no 19º leilão houve grande disputa entre as empresas, que lutavam para elevar a ocupação das unidades. O preço do biodiesel teve forte queda. “O deságio não foi uma surpresa. Esse excesso de oferta estressa os produtores e gera uma equação desbalanceada. Ou as usinas vendem por um preço abaixo do preço de produção ou ficam paradas”, diz Beltrão. Contudo, no leilão do final de novembro a oferta das usinas aumentou ainda mais, mas dessa vez sem reflexo algum na queda de preço e com uma competição praticamente inexistente (veja mais na reportagem sobre o 20º leilão).