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Perfil da Indústria: Fertibom


BiodieselBR.com - 03 jun 2009 - 20:20 - Última atualização em: 23 jan 2012 - 09:27
A Fertibom, em Catanduva (SP), começou no ramo de fertilizantes líquidos e hoje é a única indústria do setor a produzir comercialmente biodiesel pela rota etílica

Fernanda Guirra, de Goiânia

Primeiro surgiu a vocação em identificar as necessidades locais e as oportunidades de negócio. De micro, o olhar se voltou para o macro, e o investimento tecnológico foi visto como a porta de entrada para a inserção em um projeto nacional. Essa é a história da Fertibom Indústrias Ltda, de Catanduva (SP), que iniciou em 1994 com a fabricação de fertilizantes líquidos para os agricultores do interior de São Paulo. Hoje, o produto é apenas um dos itens comercializados. No ano passado, a empresa foi responsável, por exemplo, pela produção de 16,3 milhões de litros de Biomax, nome dado ao biodiesel fabricado pela indústria. E o que preenche o intervalo de tempo entre a Fertibom de 1994 e a de 2009? Pioneirismo, investimentos em tecnologia e “trabalho, muito trabalho”, completa o diretor-geral da empresa, Geraldo Martins.

A Fertibom foi a primeira a produzir biodiesel no Estado de São Paulo. E a iniciativa foi derivada do ramo que já operava. A empresa tinha uma atuação regionalizada, produzindo especialmente fertilizantes líquidos para as lavouras de cana-de-açúcar, cultura abundante na região. “Com o intuito de diversificar os negócios e atender ainda mais os produtores de cana, decidimos fornecer também biodiesel para as máquinas usadas na lavoura. Assim, contemplaríamos as duas maiores demandas dos produtores do Estado: fertilizantes e combustível”, conta o diretor.

A idéia de produzir biodiesel começou a ser amadurecida em 2001, bem antes da implantação do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB), lançado oficialmente pelo presidente Lula em dezembro de 2004. Em 2003, a Fertibom investiu na construção de uma planta piloto para a produção de biodiesel. A iniciativa pioneira serviu para que a indústria desenvolvesse e ajustasse seu próprio sistema de produção.

A unidade experimental chegou a fabricar cerca de 1 milhão de litros do produto até 2005, quando a indústria começou a produzir biodiesel comercialmente. “Com as definições do PNPB, a Fertibom passou a destinar toda a sua produção para a Petrobras. A nossa localização sempre foi privilegiada, por estarmos no maior centro consumidor de diesel no Brasil, a região Sudeste”, ressalta Martins.


Equipamentos próprios

O fato mais marcante dessa empreitada é que a empresa decidiu apostar alto em tecnologia e utilizar um parque industrial desenvolvido internamente. A proposta era a de obter biodiesel por meio do processo de transesterificação (reação química dos óleos vegetais ou de gorduras animais com etanol ou metanol, na presença de um catalisador), só que com equipamentos próprios, com operação otimizada e, segundo a empresa, de baixo custo.

“Até então, as usinas do setor utilizavam apenas a rota metílica na produção. No entanto, como a região em que está situada a Fertibom é um grande pólo sucroalcooleiro, não achamos que faria sentido trazer metanol para Catanduva com o objetivo de produzir biodiesel. Então, investimos em um processo produtivo com rota etílica”, explica o executivo. Ele argumenta que o biodiesel feito a partir do etanol é 100% renovável, enquanto que o metanol é um álcool feito de gás natural ou extraído do petróleo e, portanto, não-renovável.

Assim, nasceram o Biomax, biodiesel feito a partir de etanol, e o T-Max, processo de transesterificação máxima. “Sem dúvida nenhuma, fazer o biodiesel etílico foi uma grande vitória da Fertibom. Pelas informações que tenho, entre as empresas que entregam para a Petrobras, a nossa é a única que utiliza a rota etílica”, destaca, sem revelar quanto foi investido na produção do biocombustível. “Essa questão sobre os recursos aplicados perde importância diante do processo”.

Muitas usinas têm equipamentos instalados para produzir por rota etílica, mas usam metanol, pelo fato da reação ser mais rápida e o processo mais barato. Na transesterificação é necessário usar duas vezes mais etanol que metanol. Além disso, o produto feito de cana, paradoxalmente, é mais tributado no Brasil que seu correspondente derivado do petróleo.