Redução da mistura obrigatória para B10 levou o setor de biodiesel a ter seu segundo ano negativo em toda sua história
Com a publicação dos números referentes ao mês de dezembro, o setor de biodiesel já pode contabilizar adequadamente suas perdas. A decisão do governo Bolsonaro de manter a mistura obrigatória reduzida para B10 ao longo de todo o ano passado, fez com que as usinas brasileiras fabricassem 482,2 mil metros cúbicos a menos de um ano para o outro.
No total, a produção nacional de biodiesel foi de 6,27 milhões de m³. Esse volume representa um retrocesso de dois anos para o setor, já que só em 2019 – ano que começou com B10 e se encerrou com B11 – o setor produziu menos que 2022. Naquele ano foram 5,90 milhões de m³ de biodiesel fabricados.
Antes disso, o único outro ano em que a produção nacional de biodiesel andou para trás foi 2016. Naquele ano, a atividade das usinas apresentou retração de 3,4% como resultado da crise aguda da economia brasileira iniciada em 2015.
Com a publicação dos números referentes ao mês de dezembro, o setor de biodiesel já pode contabilizar adequadamente suas perdas. A decisão do governo Bolsonaro de manter a mistura obrigatória reduzida para B10 ao longo de todo o ano passado, fez com que as usinas brasileiras fabricassem 482,2 mil metros cúbicos a menos de um ano para o outro.
No total, a produção nacional de biodiesel foi de 6,27 milhões de m³. Esse volume representa um retrocesso de dois anos para o setor, já que só em 2019 – ano que começou com B10 e se encerrou com B11 – o setor produziu menos que 2022. Naquele ano foram 5,90 milhões de m³ de biodiesel fabricados.
Antes disso, o único outro ano em que a produção nacional de biodiesel andou para trás foi 2016. Naquele ano, a atividade das usinas apresentou retração de 3,4% como resultado da crise aguda da economia brasileira iniciada em 2015.
A queda na produção de biodiesel foi bem mais intensa na comparação dos primeiros dois bimestres. Somente nesses quatro meses, as usinas fabricaram 384,1 mil m³ de biodiesel a menos em 2022 do que tinham produzido em 2021.
A razão disso não é difícil de entender. Nos primeiros dois bimestres de 2021, o nível da mistura obrigatória estava de B12 e B13, enquanto em 2022 tivemos o B10 constante no período. Outros 70 mil m³ em produção perdida estão no 5º bimestre quando a mistura – em 2021 – voltou brevemente para o B12.
Mas mesmo nos outros 6 meses do ano quando o terreno está nivelado, 2022 não se saiu particularmente bem e amargou perdas totais de 27,9 mil m³. Só entre julho e agosto, a produção de 2022 superou a do mês equivalente de 2021.
Vendas de diesel
Pelo menos, o mercado de óleo diesel continuou jogando a favor. No ano passado, a demanda do país avançou 1,8% e bateu a marca de 63,2 milhões de m³ vendidos. O que garantiu – descontados os volumes de diesel marítimo isento de biodiesel – uma demanda de 6,19 milhões de m³ de B100.
Se o mantado estivesse em seus níveis normais – B13 no primeiro bimestre e B14 no restante do ano – a quantidade de biodiesel que o mercado interno teria demandado passaria dos 8,58 milhões de m³. Ou seja, no fim das contas, a manutenção do B10 custou 2,38 milhões de m³ às usinas.
Usando os preços médios do biodiesel divulgados pela ANP como referência, é possível estimar que essa demanda perdida fez com que as usinas deixassem de faturar perto de R$ 15,2 bilhões. Dos quase R$ 54,9 bilhões que o setor poderia ter faturado com a venda de biodiesel num mercado ‘normal’, o número final ficou mais perto de R$ 39,6 bilhões.
Mudança no mapa
A queda na produção de biodiesel em relação à 2021 não foi homogênea para todo o Brasil. O impacto negativo se concentrou exclusivamente nas usinas localizadas nas regiões Sul e Centro-Oeste que viram seus volumes de produção recuarem, respectivamente, 10,5% e 15,4%.
Para o Centro-Oeste – vice-líder do mercado brasileiro – o golpe foi mais duro com perdas de 394,1 mil m³ na produção.
Contrariando a maré, as usinas das regiões Nordeste, Norte e Sudeste se saíram relativamente bem no ano passado. As usinas do Nordeste em particular expandiram seu nível de atividade em substanciais 44% e fecharam o ano passado com uma produção de 652,7 mil m³ contra 452,8 mil m³ em 2021.
Mesmo dentro das próprias regiões, há ganhadores e perdedores. Na Região Sul, Paraná e Rio Grande do Sul sofreram baixas importantes de 380,5 e 330,6 mil m³ na comparação anual. Já Santa Catarina mais do que dobrou sua produção e chegou a 283,3 mil m³.
Algo similar aconteceu no Centro-Oeste onde as perdas de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul foram parcialmente compensadas por um avanço em Goiás.
Com esse crescimento, Goiás voltou a ultrapassar o Mato Grosso como segundo maior mercado produtor de biodiesel do país – posição que o estado vinha mantendo desde 2015.
O Rio Grande do Sul manteve a liderança do mercado por mais um ano.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com