Em ano de vendas recordes de biodiesel, setor reverte tendência para concentração de mercado vista nos últimos dois anos e aumenta participação das usinas de menor porte
Depois de amargar dois anos duros em função das reduções na mistura obrigatória, o ano de passado foi bastante positivo para as usinas de biodiesel do país, com recordes tanto na produção quanto no consumo do produto. Até para as exportações a maré foi boa.
Com um bolo maior para dividir, o setor teve espaço para reverter a tendência de aumento da concentração que começou a ganhar força a partir de 2021.
Naquele ano, de acordo com dados compilados pela plataforma BiodieselDATA, a participação dos cinco maiores fabricantes disparou para 48,2% do volume total de biodiesel comercializado no país – abocanhando fatias de mercado tanto do grupo intermediário quanto dos menores produtores. No ano seguinte, os pequenos viram seu share cair ainda mais indo para apenas 11,4%.
Depois de amargar dois anos duros em função das reduções na mistura obrigatória, o ano de passado foi bastante positivo para as usinas de biodiesel do país, com recordes tanto na produção quanto no consumo do produto. Até para as exportações a maré foi boa.
Com um bolo maior para dividir, o setor teve espaço para reverter a tendência de aumento da concentração que começou a ganhar força a partir de 2021.
Naquele ano, de acordo com dados compilados pela plataforma BiodieselDATA, a participação dos cinco maiores fabricantes disparou para 48,2% do volume total de biodiesel comercializado no país – abocanhando fatias de mercado tanto do grupo intermediário quanto dos menores produtores. No ano seguinte, os pequenos viram seu share cair ainda mais indo para apenas 11,4%.
Agora, a situação se inverteu.
Este ano, os fabricantes menores – parcela que reúne 20 grupos empresariais – viu sua participação no mercado avançar quatro pontos percentuais indo para 15,6%. Este é o melhor resultado para o grupo nos últimos cinco anos.
Transformado em litros, temos 1,14 milhão de m³ de biodiesel nas mãos dessas empresas. É um volume quase 35,5% acima daquele que as menores movimentaram em 2022.
Esse ganho aconteceu principalmente sobre a fatia dos cinco maiores grupos do setor, que caiu para de 47,8% para 45,1%. Enquanto a dos 10 grupos intermediários encolheu relativamente menos, indo para 39,3%. São, respectivamente, 3,31 milhões e 2,88 milhões de m³.
Mais barato
Apesar do volume de biodiesel demandado ter ficado consideravelmente maior – com vendas 19,4% superiores às de 2022 – os brasileiros pagaram menos pelo produto.
Aos valores médios divulgados pela ANP para cada mês do ano passado, os 7,34 milhões de m³ de biodiesel entregues pelas usinas alcançaram valor de mercado aproximado de R$ 32,5 bilhões. No ano anterior, a receita do setor com a venda de biodiesel passava dos R$ 39,2 bi.
A explicação para essa queda de 17% é uma só: o biodiesel ficou – bem – mais barato em 2023. Não houve um só mês do ano passado onde o preço nacional apurado pela ANP tenha tido variação positiva em relação ao mesmo período de 2022. A variação foi de -14,6% em janeiro até -44,4% em maio.
Na média anual, as usinas baixaram seus preços em aproximadamente 30%.
Vantagem menor
Há poucas surpresas no topo do ranking. Pelo sexto ano consecutivo, a líder do mercado foi a Be8 (ex-BSBios). Contudo, sua vantagem em relação às concorrentes ficou mais apertada.
Pelas contas da ANP, a empresa de origem gaúcha vendeu cerca de 801,4 mil m³ de biodiesel – segundo ano consecutivo de queda – o que equivale a 10,9% do total de biodiesel comercializado no país. Este foi o ano de menor participação de mercado para a companhia desde 2019, revertendo uma trajetória de alta que já durava quatro anos. Em 2022, o market share da Be8 chegou a 13,9%.
Localizadas em Passo Fundo (RS) e Marialva (PR), as usinas da empresa venderam 401,7 e 399,7 mil m³ de biodiesel. Valendo a 2ª e a 3ª colocações no ranking de usinas. Elas são superadas apenas pela usina de Lapa (PR) da Potencial, que colocou perto de 592 mil m³ de biodiesel no mercado.
Recuperação
A Oleoplan é a ameaça mais direta à domínio da Be8. Dono do segundo maior parque fabril do setor com um total de quatro usinas e 1,44 milhão de m³ em capacidade produtiva, o grupo aumentou suas vendas de biodiesel em 27,5% no ano passado atingindo 704,8 mil m³ – participação de aproximadamente 9,6%
Isso fez com que a Oleoplan superasse a Olfar e reassumisse à vice-liderança do setor depois de três anos.
O top 5 do setor é completado pela Olfar (665,1 mil m³), Potencial (592 mil m³) e JBS (548,4 mil m³)
Fusão
Vale destacar que, em agosto, a Cargill adquiriu os ativos de biodiesel da Granol o que fez da multinacional dona de 1,53 milhão de m³ em capacidade instalada. Como o negócio foi só completado em dezembro, as duas entram como empresas distintas.
Se tivessem sido somadas, as duas teriam sido responsáveis pelo fornecimento de 559 mil m³ de biodiesel e tomado da JBS a quinta colocação do ranking.
Embora não tenha ficado menos agressiva no mercado de biodiesel nos últimos anos, a Granol é uma das maiores produtoras de biodiesel da história do país tendo vendido mais de 5,55 milhões de m³.
Foi só em meados de 2021 que a Granol foi superada, primeiro pela Be8 e, em seguida, pela Oleoplan.
Veja abaixo a lista completa dos grupos empresariais e usinas que venderam biodiesel ao longo de 2023:
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com