Nova enzima promete baratear matérias-primas do biodiesel
A Novozymes está lançando uma enzima com foco na indústria de biodiesel. O produto torna mais fácil o uso de óleos e gorduras reaproveitados.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Baixar o custo da indústria com matérias-primas – que corresponde entre 80% e 85% do preço do produto acabado – é o principal argumento da Novozymes, empresa de biotecnologia dinamarquesa, para lançamento comercial da Eversa. Uma solução enzimática especialmente criada para facilitar o uso de óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) na produção de biodiesel.
Baixar o custo da indústria com matérias-primas – que corresponde entre 80% e 85% do preço do produto acabado – é o principal argumento da Novozymes, empresa de biotecnologia dinamarquesa, para lançamento comercial da Eversa. Uma solução enzimática especialmente criada para facilitar o uso de óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) na produção de biodiesel.
"A ideia de fazer biodiesel por rota enzimática não é nova. Mas os custos envolvidos eram demasiadamente elevados ", diz Frederik Mejlby, diretor de marketing da Novozymes. "Eversa muda isso, permitindo aos produtores de biodiesel finalmente trabalhar com óleos usados e aproveitar a flexibilidade de matérias-primas, evitando a pressão da volatilidade de preços."
Segundo a companhia dinamarquesa, essa solução enzimática pode ser utilizada com uma ampla gama de materiais graxos. Entretanto, o foco inicial da Novozymes foi sobre o óleo de cozinha usado, o óleo de milho e ácidos graxos destilados.
Ácido Os principais óleos usados pelo setor de biodiesel mundial são os provenientes da soja, palma e da colza. Isso porque eles contêm menos de 0,5% de ácidos graxos livres. Essas matérias-primas são mais caras, mas a baixa acidez é necessária para garantir a eficiência da atual geração de catalisadores usados pela indústria. É justamente sobre essa trava que a tecnologia da Novozymes atua.
"O processo enzimático utiliza menos energia e o custo dos óleos usados como matéria-prima é significativamente menor que o dos óleos refinados", alega Mejlby. "Um pequeno número de plantas têm produzido biodiesel a partir de óleos usados, utilizando as tecnologias existentes. Mas isso não tem sido eficiente em termos de custo (...) esperamos que a nossa tecnologia possa desencadear mais o potencial dessas matérias-primas de menor valor."
Endosso A Desmet Ballestra, multinacional que comercializa plantas de biodiesel em âmbito global, diz que processo enzimático irá se mostrar popular entre os produtores de biodiesel. "O processo enzimático é simples e não precisa de muito pré-tratamento", pontua Marc Kellens, diretor técnico do grupo francês. "É a melhor alternativa para modificar as instalações existentes a fim de que possam incorporar óleos difíceis de converter. Em plantas convencionais, 80% a 85% dos custos do biodiesel são ligados à matéria-prima. Assim, quanto mais você for capaz de converter uma matéria-prima mais barata em biodiesel, a mais rentável o negócio será", expõe.
Investimento Outra vantagem que o uso da rota enzimática traz sobre o método convencional é a dispensa da aplicação do metilato de sódio – catalisador mais utilizado pela indústria de biodiesel mundial no processo de produção convencional. E uma das substâncias mais perigosas usadas nas plantas tradicionais.
"Mudar para Eversa pode levar a um ambiente de trabalho mais seguro para os operadores das instalações. O processo enzimático não usa alta pressão e temperatura elevadas", garante o diretor de marketing da Novozymes. "E como se trata de enzimas efetivas, a natureza orgânica e as condições de processo amenas não geram componentes tóxicos como em alguns processos químicos de produção de biodiesel", pondera Mejlby.
Mas os produtores interessados em fazer a transição da rota química para enzimática vão ter que, primeiramente, fazer investimentos. A mudança exige ajustes nas instalações.
Parceiros de engenharia da Novozymes estimam um tempo de retorno de 3 anos ou menos para que investimento executado na substituição do processo convencional pelo enzimático apareça. Depende da configuração da planta e do potencial de economia de matéria-prima na região.
Cátia Franco – BiodieselBR.com Com informações Novozymes e Biodiesel Magazine