Petrobras se reúne com a Ubrabio para cria agenda conjunta para biodiesel e coprocessado
"Juntos somos mais fortes". Esse pode ser um resumo apto de uma série de conversas que a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) vem mantendo com a Petrobras. Na última terça-feira (24), uma delegação de executivos da petroleira – incluindo sua presidente, Magda Chambriard, e a diretora de Transição Energética, Angélica Laureano – esteve reunida com representantes da associação de biodiesel para o que chamaram de uma “construção de agenda comum voltada ao fortalecimento do setor energético nacional”.
Em termos práticos, o que a Ubrabio quer é que a Petrobras use sua considerável influência para apoiar a adoção dos novos aumentos da mistura obrigatória previstos pela Lei do Combustível do Futuro – B20 até março de 2030 e a possibilidade de o CNPE determinar o avanço até B25.
Em troca, a Ubrabio participaria do esforço que a Petrobras tem feito para incluir seu diesel coprocessado no Programa Nacional de Diesel Verde (PNDV). Criado pela Lei do Combustível do Futuro, o PNDV autoriza o CNPE a determinar que uma parcela do mercado nacional de óleo diesel – limitada a 3% – seja atendida com diesel renovável. Esse percentual seria independente e em adição ao mandato de biodiesel.
Segundo o presidente da Frente Parlamentar Mista do Biodiesel (FPBio), deputado federal Alceu Moreira, o objetivo é abrir espaço na Lei do Combustível do Futuro para os coprocessados. “Nós vamos fazer uma discussão com a Petrobras e encontrar um texto legal que expresse claramente qual é o papel do coprocessado e do biodiesel, sem que um seja concorrente do outro no mercado”, explicou, acrescentando que a aproximação foi buscada pelo superintendente da Ubrabio, Donizete Tokarski, como parte de um esforço que a entidade tem feito para buscar interlocução com outros elos da cadeia de combustíveis para reduzir eventuais resistências ao biodiesel.
Coprocessado
Chamado de Diesel R, o produto é fabricado adicionando uma parcela de óleo vegetal ao petróleo diretamente nas refinarias. Isso resulta em um tipo de combustível que sai de fábrica já com uma parcela renovável. A tecnologia foi desenvolvida anos atrás pela Petrobras, mas acabou sendo engavetada durante vários anos por falta de viabilidade financeira.
No começo da década, o produto foi tirado do limbo pela direção da Petrobras, que passou a ver com mais interesse o segmento de biorrefino. Nos últimos anos, a estatal tem investido para atualizar suas refinarias com capacidade para coprocessamento, na esperança de que o produto possa abocanhar uma parcela tanto do futuro mercado de diesel verde quanto do combustível sustentável de aviação (SAF).
Durante anos, o diesel coprocessado tem sido um ponto de fricção entre fabricantes de biodiesel e a Petrobras. A estatal chegou a fazer movimentos para tentar incluir seu produto no mandato do biodiesel, o que, naturalmente, não foi bem recebido pelas usinas, que viam nele um concorrente que poderia tomar uma parte considerável de seu mercado.
Com a oposição, a Petrobras passou a buscar novas formas de inserção para seus combustíveis coprocessados. Essa mudança de foco tem contribuído para a atual aproximação. Na reunião da semana passada, ficou acertada a formação de um grupo de trabalho (GT) para acertar os detalhes de uma agenda comum para os dois setores.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com{/viewonly}