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Comitê do biodiesel teve sua primeira reunião oficial ontem em Brasília

Representantes de fabricantes, distribuidoras e governo se reuniram para a primeira reunião do Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB).
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Representantes dos fabricantes de biodiesel e distribuidoras se reuniram nessa quinta-feira (20) em Brasília (DF) para a primeira reunião oficial do Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB) – nome que a Mesa de Abastecimento do Biodiesel passou a ter depois de ter sido oficializada pela Resolução 14/2017 do Conselho Nacional de Política Energética.

Representantes dos fabricantes de biodiesel e distribuidoras se reuniram nessa quinta-feira (20) em Brasília (DF) para a primeira reunião oficial do Comitê de Monitoramento do Abastecimento de Biodiesel (CMAB) – nome que a Mesa de Abastecimento do Biodiesel passou a ter depois de ter sido oficializada pela Resolução 14/2017 do Conselho Nacional de Política Energética. 

Segundo BiodieselBR.com apurou, o encontro discutiu as perspectivas do mercado de biodiesel no próximo bimestre e, também, os reflexos do reaquecimento da demanda por óleo diesel que deverá obrigar às distribuidoras a comprarem 50 milhões de litros de biodiesel adicionais.

Ponto cego

A reunião, porém, começou com uma ausência notável: o Sindicom não pôde apresentar suas projeções de mercado para o próximo bimestre.

De acordo com os representantes do sindicato que reúne as maiores distribuidoras de combustíveis do país, a organização está no processo de contratar um instituto independente que passará a revisar os números antes deles serem publicados.

Sem o Sindicom, as projeções ficaram por conta da ANP que adiantou esperar vendas entre 788 e 797 milhões de litros de biodiesel durante o Leilão 56. Essa, no entanto, é uma estimativa conservadora que leva em conta apenas os efeitos do aumento da mistura e da sazonalidade sobre a demanda. Se for considerado também o reaquecimento no mercado de diesel, a demanda poderá, facilmente, superar os 800 milhões de litros.

A reunião aconteceu no mesmo dia em que o Governo Federal anunciou o aumento das alíquotas do PIS e Cofins incidentes sobre os combustíveis o que poderá ter feito negativo sobre o consumo no bimestre.

Erro das distribuidoras

A CMAB também se debruçou sobre um tema mais espinhoso. Conforme revelado recentemente por uma reportagem de BiodieselBR.com, as distribuidoras foram surpreendidas por um mercado mais aquecido durante o quarto bimestre desde ano e vão precisar encontrar uma forma de adquirir cerca de 50 milhões de litros de biodiesel a mais.

Embora a demanda extra seja uma boa notícia, as usinas demonstraram desconforto com o ocorrido. Essa já é a segunda vez em pouco tempo que as distribuidoras erram para baixo – no L53 foi necessário convocar um leilão de estoque complementar para reforçar a oferta de biodiesel. A ANP informou aos presentes ter sido procurada pela Petrobras para repetir a mesma estratégia neste bimestre.

Incentivo

Os fabricantes reclamam que as regras atuais acabam incentivando as distribuidoras a adotarem posturas mais conservadoras nos leilões. Isso acontece porque, pelas regras do edital da ANP, as empresas que não retirarem pelo menos 95% do volume arrematado em cada leilão precisam pagar 10% do valor do biodiesel que deixarem de buscar – o que dá, aproximadamente, R$ 200 por m³ pelos valores correntes. Já distribuidoras que precisem recorrer aos estoques da Petrobras têm que pagar apenas R$ 50 por m³ a mais.

Em outras palavras: para as distribuidoras é, financeiramente, mais seguro errar para menos do que para mais. Isso reduz a demanda total nos leilões, deprimindo os preços pagos.

O tema deverá voltar à pauta na próxima reunião da CMAB quando deverão ser apresentadas propostas para tentar resolver esse problema de forma estrutural. O próximo encontro será no dia 27 de setembro.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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