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Distribuidoras precisarão comprar mais 50 mil m³ de biodiesel para o 4º bimestre

O reaquecimento do mercado de diesel deve levar as distribuidoras precisarem de mais 50 mil m³ de biodiesel para fechar as contas do 4º bimestre.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O último leilão de biodiesel comprou 760 milhões de litros para atender o mercado obrigatório do 4º bimestre. Além disso, a Petrobras adquiriu mais 18 milhões de litros para formar o estoque. Contudo, esse volume está abaixo do que o mercado está demandando.

O último leilão de biodiesel comprou 760 milhões de litros para atender o mercado obrigatório do 4º bimestre. Além disso, a Petrobras adquiriu mais 18 milhões de litros para formar o estoque. Contudo, esse volume está abaixo do que o mercado está demandando.

Nos últimos dias, mais de 10 distribuidoras – incluindo as três maiores –, contataram a Petrobras para informar que vão precisar de mais biodiesel para fechar as contas. Algumas delas já retiraram todo o biodiesel previsto para julho e começaram a avançar sobre volumes que só deveriam ser entregues em agosto.

Pelas contas dos funcionários da Petrobras que gerenciam a movimentação do biodiesel, serão necessários cerca de 50 milhões de litros de biodiesel além do volume adquirido previamente.

A intenção é que esse volume extra venha dos 10% a mais que as usinas podem entregar caso todas as partes envolvidas concordem. Assim, uma usina que tenha vendido 10 milhões de litros no leilão poderia entregar um total de 1 11 milhões de litros.

Para tanto é preciso ter a concordância da ANP. Segundo relatado pelas pessoas envolvidas com o processo, a ANP já liberou as vendas desses volumes extra para todas as usinas que assim desejarem.

A venda desses 50 milhões de litros representaria mais R$ 112 milhões em faturamento para as usinas de biodiesel quando considerado o preço médio do leilão.

A análise dos fatos

BiodieselBR.com conversou com algumas usinas de grande porte para saber do interesse delas em atender à solicitação da Petrobras. A maior parte delas se mostrou interessada e disponibilizará o volume extra caso venham a ser solicitadas.

Esse problema de última hora deverá ser resolvido sem maiores percalços. Mas ele expõe um problema na forma como os agentes se relacionam e o papel de cada um deles no fornecimento de biodiesel para o consumidor final.

Esse volume extra é necessário por dois motivos. O primeiro foi o erro das distribuidoras na hora de projetar a demanda do 4º bimestre. Acreditaram que a demanda seria cerca de 10% menor do que aquela efetivamente comprada. Elas compraram 760 mil m³ e retiram normalmente menos de 97% do volume comprado. Mas desta vez vão retirar todo o volume do leilão regular mais os 18 mil m³ do leilão de estoque e ainda vão precisar de mais 50 mil m³.

Por mais compreensível que seja foi um erro das distribuidoras, as usinas é que acabam perdendo. Se esses 68 mil m³ extra tivessem sido comprados durante o leilão regular, o ágio teria muito maior do que o apurado e esse valor a mais que seria pago sobre todo o volume vendido no certame. Da forma como tudo aconteceu, não haverá qualquer remuneração além do valor médio do leilão pago sobre volume adicional adquirido.

Para as distribuidoras é uma situação cômoda, pois não há grande penalidade quando ela não compra o biodiesel necessário para o bimestre.

O segundo motivo para essa chamada de mais 10% no volume vendido está no fato da Petrobras não ter conseguido comprar os 48 mil m³ que pretendia no leilão de estoque. Foram apenas 18 mil m³ negociados pelo prêmio de 70 reais por m³, pois as usinas não se interessaram pelo prêmio oferecido. O fato da Petrobras não ter comprado os 30 mil m³ em outro leilão de estoque não incomodou as usinas, nem as distribuidoras, nem a Petrobras.

Se todo o volume pretendido tivesse sido adquirido, o problema de 50 mil m³ seria reduzido para um problema de 20 mil m³.

Com isso, as usinas acabam sendo chamadas para ajudar a resolver um problema que elas não causaram. E esse pedido é feito com a faca no pescoço. Se por acaso elas não fornecem o biodiesel necessário e tivermos uma falha no abastecimento de biodiesel, os planos do B9 e B10 até março do ano que vem vão por água abaixo.

Só que o que estão pedindo é que as usinas vendam hoje com o preço e condições de 45 dias atrás. As usinas deveriam poder dizer não sem que a capacidade de fornecimento fosse questionada; ou mesmo dizer sim, mas pedirem preços diferentes.

O setor precisa discutir uma solução melhor para quando as distribuidoras erram para menos o volume comprado. Esse ano, é a segunda vez que elas compram menos do que o necessário. No L53 a Petrobras realizou um leilão de estoque complementar também por que as distribuidoras compraram menos biodiesel que o necessário. Naquele certame foram retirados 99,93% do biodiesel vendido no leilão regular e mais 64,5 mil m³ dos estoques – um volume equivalente a mais de 10% dos 620 mil m³ comprados no L53.

Da próxima vez que elas errarem a projeção de demanda as usinas podem optar por não entregar biodiesel com um preço defasado. E a responsabilidade sobre a falha no abastecimento não será delas.

Miguel Angelo Vedana – BiodieselBR.com
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