A Binatural, uma das maiores produtoras de biodiesel do País, espera crescer até 15% este ano, caso o governo avance com a mistura de 16% de biodiesel no diesel. Com o B16, a companhia estima alcançar, este ano, vendas de 500 milhões de litros e faturamento de R$ 3,7 bilhões, diz André Lavor, o CEO. Na quinta-feira, 19, o Conselho Nacional de Política Energética pode definir o aumento da mistura.
Sem a mudança, a expectativa é de expansão mais moderada, de 7%, para 465 milhões de litros e R$ 3,5 bilhões em 2026. Para sustentar a expansão, a Binatural está ampliando a capacidade das unidades de Formosa (GO) e Simões Filho (BA). A meta é sair dos atuais 600 milhões para 700 milhões de litros de capacidade até 2028.
Biodiesel ganha peso estratégico
A crise geopolítica e a volatilidade do petróleo reforçam o papel do biodiesel na segurança energética brasileira, diz Lavor. O Brasil importa 17 bilhões de litros de diesel por ano, cerca de 25% do consumo nacional. “Cada 1% de mistura representa 800 milhões de litros a menos de necessidade de importação de diesel”, afirma o CEO.
Novas vertentes
A Binatural tenta combinar o crescimento do mercado regulado com a expansão em canais como ferrovias, setor marítimo e termoelétricas, para descarbonizar suas cadeias. A empresa ainda estuda um projeto no Nordeste e aguarda o resultado dos Leilões de Reserva de Capacidade.
Sustentável
A startup de remoção de carbono Terradot, gestada na Universidade de Stanford, dos EUA, pretende ampliar de 2.500 para 25 mil hectares neste ano a área agrícola tratada com pó de rocha, insumo natural que desacidifica o solo e sequestra gás carbônico da atmosfera. Com operações no Brasil e nos EUA, a empresa já captou US$ 58,2 milhões e conduz projetos em culturas como soja, cana, arroz e pastagens em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul. Os créditos de carbono gerados na operação são vendidos a empresas globais. “O Brasil pode se tornar um grande exportador desses créditos de altíssima qualidade”, garante Julia Sekula, cofundadora da Terradot.
Um pelo outro
A proposta, para o produtor, é substituir o calcário, tradicional corretivo de solo, pelo pó de rocha, aplicado sem custo na lavoura. “Em vez de usar calcário, recebe o pó de rocha gratuitamente”, diz Sekula. Segundo ela, o insumo pode representar até 10% dos custos da produção, dependendo da cultura. A Terradot financia a operação com a venda dos créditos de carbono gerados nas áreas tratadas a empresas que buscam compensar as emissões.
Bom negócio
A Bayer Brasil, subsidiária da multinacional alemã de sementes, defensivos e biotecnologia, vê como positiva a ratificação do acordo Mercosul-UE. Marcio Santos, o CEO, lembra que o País é o segundo maior mercado para a companhia. “A gente já investe pesado aqui. Todo acordo de comércio e que visa expandir mercado e investimento é positivo”, diz. “Há muita coisa para ser regulamentada e muito desafio a ser superado, mas é um passo na direção correta.” A Bayer tem 26 unidades no País e atua no setor farmacêutico e de ciências agrícolas.
Nó logístico
Tradings exportadoras de soja reclamam de dificuldades no escoamento do grão no Arco Norte, em especial no acesso ao Porto de Miritituba, no Pará. Longa fila de caminhões se espalha pela BR-163 e transportadores relatam falta de organização no fluxo e baixa capacidade portuária para atender ao pico da safra. O gargalo ocorre justamente no momento do transporte da safra recorde de soja. “É um ano de muita soja e pouco dinheiro. Não podemos perder a pouca rentabilidade com custo na estrada”, diz executivo de grande indústria. Cerca de 50 milhões de toneladas de soja são movimentadas por ano pelos portos do Arco Norte.
Sugestões
Para amenizar a situação, o setor exportador pede a instalação de um posto da Polícia Rodoviária Federal na BR-163, no trecho próximo ao Porto de Miritituba, um dos principais corredores logísticos com destino ao Arco Norte. O congestionamento se repete ano a ano, segundo as fontes da indústria. Exportadores cobram também a revitalização dos acessos aos terminais portuários, prevista na concessão da rodovia, e que também tem provocado atrasos.
Leandro Silveira, Gabriel Azevedo e Isadora Duarte – Broadcast