Números das exportações de glicerina do semestre foram em direções opostas durante o primeiro semestre de 2019
Vendas em alta; faturamento em baixa. Esse foi, em resumo, o resultado que as usinas brasileiras de biodiesel tiveram durante o primeiro semestre de 2019 no mercado internacional de glicerina. Os embarques do principal coproduto da indústria passaram de 193,1 mil toneladas do coproduto; crescimento de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Vendas em alta; faturamento em baixa. Esse foi, em resumo, o resultado que as usinas brasileiras de biodiesel tiveram durante o primeiro semestre de 2019 no mercado internacional de glicerina. Os embarques do principal coproduto da indústria passaram de 193,1 mil toneladas do coproduto; crescimento de 15,9% em relação ao mesmo período do ano passado.
Trata-se do maior volume exportado num primeiro semestre. Trata-se também do segundo melhor semestre desde que o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) iniciou o histórico em 1997 – atrás apenas do segundo semestre do ano passado quando os embarques chegaram a 207,1 milhares de toneladas.
Historicamente as vendas externas de glicerina aumentam cerca de 15,2% no segundo semestre do ano.
Apesar do bom resultado no semestre, as vendas externas fecharam o mês de junho em queda. Os embarques foram de 26,9 mil toneladas, 30,5% menos que em maio e 9,9% abaixo de junho de 2018. Foram 17,2 mil toneladas de glicerina bruta e 9,7 mil toneladas de glicerina destilada.
A maior parte das exportações brasileiras foram para a China. O país asiático importou 140,7 mil toneladas ou 72,8% das exportações do período.
Mudança de perfil
Vale ressaltar que o crescimento no semestre foi inteiramente puxado pelo aumento nas vendas internacionais de glicerina bidestilada. A movimentação do produto totalizou 62,8 mil toneladas no primeiro semestre praticamente dobrando os embarques – 32,7 mil toneladas – ocorridos no mesmo período de 2018.
Enquanto isso, as exportações de glicerina bruta recuaram 2,6%, indo de 133,9 mil toneladas na primeira metade de 2018 para 130,3 mil toneladas nos últimos seis meses.
Isso fez com que o produto bidestilado representasse cerca de um terço – 32,5% – das exportações brasileiras do primeiro semestre. É a maior fatia de mercado ocupada pela glicerina de maior valor agregado desde o primeiro semestre de 2007; antes do lançamento da mistura obrigatória de biodiesel em 2008.
Faturamento em baixa
Nem mesmo o perfil mais favorável garantiu que o faturamento com as exportações de glicerina aumentasse. Os ganhos do período foram pouco maiores que US$ 53,3 milhões, cerca de 36,9% abaixo do mesmo período de 2018.
Em junho, os ganhos foram de US$ 7,2 milhões. Desse total, US$ 2,8 milhões vieram das vendas de glicerina bruta e outros US$ 4,9 milhões da glicerina bidestilada.
O motivo do ganho menor são as cotações mais baixadas no mercado internacional. Em junho, a glicerina bidestilada recebeu US$ 451,46 por tonelada e a glicerina bruta foi negociada por US$ 165,08.
As cotações da glicerina vêm caindo sem parar desde março de 2018. Nos últimos meses a glicerina bidestilada perdeu metade do valor enquanto os preços médios da glicerina bruta encolheram 63,4%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com