Volume embarcado do coproduto ao longo de 2020 superou a marca de 475 mil toneladas. Valor do produto se recuperou, mas ainda está abaixo dos níveis de 2018
O recorde já estava garantido desde o mês de novembro, faltava apenas fechar a fatura. Com a divulgação dos números oficiais do comércio exterior para dezembro, agora sabemos que as exportações brasileiras de glicerina atingiram a marca inédita de 475,6 mil toneladas. Esse é um volume 17% maior do que o que havia sido registrado ao longo de 2019.
Esse foi o quarto ano seguido em que as exportações do principal coproduto da indústria brasileira de biodiesel encerram o ano com um recorde de embarques para mostrar. Desde que o país tornou obrigatória a adição de biodiesel ao óleo diesel mineral em 2008, houve retração nas vendas externas de glicerina apenas em 2016 coincidindo com o único ano na história PNPB em que a produção anual de biodiesel apresentou contração.
Os números de 2020 mostram que algumas tendências que já vêm de alguns anos seguem firmes.
O recorde já estava garantido desde o mês de novembro, faltava apenas fechar a fatura. Com a divulgação dos números oficiais do comércio exterior para dezembro, agora sabemos que as exportações brasileiras de glicerina atingiram a marca inédita de 475,6 mil toneladas. Esse é um volume 17% maior do que o que havia sido registrado ao longo de 2019.
Esse foi o quarto ano seguido em que as exportações do principal coproduto da indústria brasileira de biodiesel encerram o ano com um recorde de embarques para mostrar. Desde que o país tornou obrigatória a adição de biodiesel ao óleo diesel mineral em 2008, houve retração nas vendas externas de glicerina apenas em 2016 coincidindo com o único ano na história PNPB em que a produção anual de biodiesel apresentou contração.
Os números de 2020 mostram que algumas tendências que já vêm de alguns anos seguem firmes.
Destilada
No ano passado a glicerina destilada representou 30,9% das vendas externas brasileiras, ligeiramente acima 30,2% de 2019. O produto de maior valor agregado representou um pouco menos que 147,2 mil toneladas do total, um aumento de 20% sobre o volume total do período anterior.
De 2008 até 2013, a glicerina destilada mal aparecia nas estatísticas. De 2014 em diante, o produto passou a aumentar seu peso nas exportações brasileiras.
Embora menos vistoso, as vendas de glicerina bruta também tiveram um avanço robusto em 2020. Cerca de 328,4 mil toneladas saíram do país no ano passado, avanço de 15,8% em relação ao período anterior.
Na esteira do aumento dos embarques de glicerina destilada, o país também vem diversificando o número de destinos para suas exportações. No ano passado, a glicerina brasileira chegou a um total de 75 países. Esse é mais um recorde.
Essa é uma mudança que está sendo alimentada pelo aumento da glicerina destilada no total exportado. O produto de maior valor agregado tem mais compradores. No último ano, a glicerina bruta foi exportada para 30 destinos enquanto o produto destilado chegou a 70 países.
China
O ano de 2020 trouxe pelo menos uma surpresa, a China viu sua participação nas exportações brasileiras recuarem de 72,1% no ano passado para 65,5%. Essa é a menor participação do mercado chinês no total exportado desde 2008 quando o gigante asiático absorveu 49% da glicerina vendida pelo Brasil.
Houve aumentos significativos nos embarques para outros países asiáticos (171,3%), para a África (69,6%) e para a União Europeia (272,8%).
Embora tenha perdido espaço em termos relativos, a quantidade bruta de glicerina brasileira destinada à China foi de 311,4 mil toneladas. É o maior volume registrado.
Recuperação
Mesmo com um crescimento substancial nas vendas internacionais, ainda não foi desta vez que o Brasil voltou ao patamar de faturamento de dois anos atrás com o mercado de glicerina. Em 2020, os ganhos totais foram de US$ 125,6 milhões. Foram US$ 63 milhões derivados da venda da glicerina destilada e mais US$ 61,6 milhões da glicerina bruta.
Em 2018, os ganhos foram de US$ 157,6 milhões e caíram para um pouco menos de US$ 101 milhões em 2019.
O motivo da contração foi o derretimento das cotações do produto ocorrida ao longo de 2018. A tonelada da glicerina bruta que chegou a ser remunerada em US$ 451,24 em fevereiro de 2018 fechou aquele ano valendo US$ 219,73.
De 2019 até meados do ano passado, os preços caminharam sobretudo de lado. Foi só no segundo semestre de 2020 que as cotações voltaram a superar a barreira dos US$ 200 por tonelada. No mês de dezembro, a glicerina bruta foi negociada por US$ 259,43, maior valor médio desde novembro de 2018.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com