Quantidade de soja exportada pelo país recuou 23% na comparação com o ano passado
O recente aumento na voltagem da disputa comercial entre Estados Unidos e China ainda não está sendo diretamente sentido pelos exportadores brasileiros de soja. Dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) mostram que, durante o mês passado, as exportações nacionais acentuaram a trajetória de queda que vêm apresentando desde março.
O recente aumento na voltagem da disputa comercial entre Estados Unidos e China ainda não está sendo diretamente sentido pelos exportadores brasileiros de soja. Dados divulgados pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) mostram que, durante o mês passado, as exportações nacionais acentuaram a trajetória de queda que vêm apresentando desde março.
Em julho, os embarques de soja in natura somaram 7,82 milhões de toneladas. Esse montante representa 23,3% menos do que no mesmo período de 2018.
Queda esperada
A queda já era esperada. Embora, as exportações brasileiras de soja em grão venham crescendo de forma consistente nos últimos anos, em 2018 elas foram subitamente alavancadas pela guerra comercial entre Estados Unidos e China. Isso levou o gigante asiático a buscar por aqui a soja que costuma comprar de agricultores norte-americanos. O resultado foi um salto de mais de 22,1% nas exportações anuais que atingiram a marca inédita de 83,2 milhões de toneladas no ano passado.
Somando os efeitos da relativa normalização – mesmo que tensa – nas relações entre as duas maiores economias do mundo, a maior disponibilidade de soja na Argentina e a redução na demanda chinesa por conta de um surto de peste suína africana, as compras do país asiático tendiam a ficar menos concentradas no Brasil este ano. É o que vem sendo percebido desde março.
Em julho do ano passado, os embarques para a China foram de 7,97 milhões de toneladas recuando para 6,32 milhões de toneladas agora.
A despeito da desaceleração nas vendas, o ano de 2019 não está sendo ruim. Somando os 7 primeiros meses do ano, os embarques já passam dos 53,1 milhões de toneladas, o que já praticamente iguala o resultado de obtido em 2015 inteirinho – o terceiro melhor da história com 54,3 milhões de toneladas de soja embarcada.
Embora a vantagem de 2019 sobre a média os últimos anos esteja ficando visivelmente mais estreita – primeiro em março e depois em junho – também vale perceber que ela continua se sustentando e acompanhando a curve geral de demanda.
Ganhos
O valor recebido pelo país pela soja embarcada também ficou menor. Os ganhos em julho foram pouco menores que US$ 2,79 bilhões, um valor 31,6% inferior ao do ano passado.
Além da queda no volume embarcado, também temos uma contração nas cotações médias da soja exportada pelo Brasil. Em julho, a tonelada do grão foi vendida por US$ 356,55 o que representa uma queda de 10,8% no valor na cotação média que foi praticada no mesmo período de 2018.
A boa notícia para os sojicultores brasileiros, é que as cotações tiveram um repique considerável. Entre junho e julho, os valores recebidos pelos exportadores brasileiros avançaram 4,1%.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com