[Atualizado] Governo e fabricantes satisfeitos com resultado do L40
Depois do susto com a oferta restrita no Leilão 39, fabricantes e governo se mostraram satisfeitos com o desfecho do 40º Leilão de Biodiesel.
BiodieselBR.com ··6 min de leitura
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Depois de toda apreensão criada pelo susto com a oferta restrita de biodiesel no Leilão 39, não houve quem não ficasse satisfeito com o desfecho do 40º Leilão de Biodiesel. O certame foi encerrado na última sexta-feira (12) e comprou 667,8 milhões de litros que serão usados no primeiro bimestre de 2015.
Depois de toda apreensão criada pelo susto com a oferta restrita de biodiesel no Leilão 39, não houve quem não ficasse satisfeito com o desfecho do 40º Leilão de Biodiesel. O certame foi encerrado na última sexta-feira (12) e comprou 667,8 milhões de litros que serão usados no primeiro bimestre de 2015.
Com o final do ano se aproximando, o sentimento geral dos representantes do setor com quem BiodieselBR.com falou para essa reportagem parece ser o de “dever cumprido”. As usinas, por comparecerem com a oferta necessária para abastecer o mercado compulsório no próximo bimestre e o governo por ter acertado na estratégia que garantiu a apresentação de oferta suficiente.
“Minha avaliação sobre o resultado do L40 é extremamente positiva”, externa Rodrigo Rodrigues, coordenador da Comissão Executiva Interministerial do Biodiesel (Ceib). “A avaliação conjunta entre governo e representantes do setor sobre os resultados do L39, o leilão complementar, os alertas sobre eventual escassez de óleo de soja em decorrência de problemas climáticos permitiram os ajustes necessários”, atribui.
“O L40 ocorreu de forma satisfatória”, externa a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, por meio de sua assessoria de imprensa. Segundo a agência reguladora, a oferta das usinas – 764,5 milhões de litros – mostrou que os “produtores continuam comprometidos com o suprimento de biodiesel para o atendimento da mistura obrigatória com óleo diesel”.
Avaliação similar é ecoada pelo setor produtivo. “Acredito que foi um leilão satisfatório, tanto para o comprador como para o vendedor”, afirma José Paulo Fuga, da Biofuga, usina gaúcha situada na cidade de Camargo.
Já o Ministério de Minas e Energia é um pouco mais cauteloso, embora demonstre contentamento com o resultado do último certame. “Os produtores garantiram uma oferta de 764,6 milhões de litros para um período geralmente difícil, quando os estoques de matérias-primas estão baixos antes do início da colheita da soja. Sob esse aspecto, foi positivo. Por outro lado, precisamos continuar com o permanente monitoramento do mercado de forma a garantir a oferta adequada de biodiesel em condições de qualidade, preço e continuidade de suprimento, conforme estabelece a lei”, salienta Ricardo Dornelles, diretor do departamento de combustíveis renováveis do MME.
PRMs Questionadas se a apresentação de uma oferta compatível no L40 foi resultado da pressão exercida pelo governo de usar o instrumento legal que permite retroagir o teor da mistura obrigatória de volta para o 6%, as usinas e entidades representativas do setor negam.
Para a Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), o que houve foi que governo e fabricantes chegaram a “um bom termo” em relação aos Preços Máximos de Referência (PMRs) que foram “justos” o que garantiu uma “oferta adequada”.
Já na opinião da Associação Brasileira de Óleos Vegetais (Abiove), além do ajuste nos PMRs, pesou para o bom desenlace do L40 outras ações tomadas pela ANP, tais como a redução da margem de não entregas/retiradas de biodiesel por usinas e distribuidoras para 5%.
O coordenador da Ceib, por sua vez, confere a normalização da oferta a uma conjunção de fatores, dentre os quais, a compreensão dos agentes do setor sobre a necessidade de garantir o abastecimento e o retorno de usinas à disputa após situações adversas, caracterizadas por cenários de demanda contida e queda dos preços de petróleo e de muitas commodities. “No meu entendimento, esses foram os principais fatores responsáveis pela regularização da oferta e, muito menos, a eventual prerrogativa do governo em reduzir a mistura obrigatória para 6%”, avalia.
Dornelles, que durante a última edição da Conferência BiodieselBR afirmou que, se necessário, o governo apelaria para a redução da mistura obrigatória, procura extrair o caráter de punição dessa providência. “As medidas não devem ser vistas com temor, mas sim como reações para retomar a rota e garantir o adequado atendimento às demandas da sociedade”, argumenta o diretor do MME.
Atípico O resultado do L40 fortaleceu a leitura de que o L39 foi mesmo um “ponto fora da curva”. Este é, pelo menos, o entendimento externado pelo porta-voz do programa de biodiesel no governo. “O volume ofertado, a quantidade de usinas participantes e os preços pelos quais o biodiesel foi negociado no L40 indicam de forma consistente que o L39 foi um ‘ponto fora da curva’”, afirma Rodrigues, da Ceib.
Opinião que é compartilhada pelas entidades representativas. “Já na Conferência Internacional BiodieselBR 2014, a Abiove classificou o L39 como um ponto fora da curva”, lembra Leonardo Zilio, assessor econômico da entidade.
“Foi um ponto fora da curva por várias razões, entre elas, em função do represamento da matéria-prima por parte dos produtores de grãos, que não estavam de acordo com as cotações estabelecidas para entregarem seus produtos [óleo de soja]”, expõe Julio Minelli, diretor superintendente da Aprobio.
Já a ANP parece querer colocar o episódio no passado. “A oferta do L39, se acrescentada da oferta do L39 C, atendeu a demanda do mercado”, restringe-se a dizer por meio de sua assessoria.
As usinas seguem pelo mesmo caminho, preferindo virar a página e apostar em perspectivas otimistas. “O L39 foi atípico”, define Paulo, da Biofuga. “A tendência para os próximos leilões é o aumento gradativo do volume de ofertas”, antevê.
O MME parece ser a única voz dissonante nesse caso. Para Dornelles, o L39 não foi um ponto fora da curva. “Estresses de oferta já aconteceram algumas vezes antes no biodiesel, ainda que por razões diferentes [...] Mas tudo isso faz parte dos riscos de incluir na matriz energética produtos de origem agrícola”, atenua o diretor do MME reforçando a importância do monitoramento e “de se estar preparado para medidas corretivas para evitar que o estresse não manche a credibilidade do Programa”.
Atualização 17h30 - O e-mail do MME com as respostas de Ricardo Dornelles foi recebido por BiodieselBR.com apenas depois da publciação da primeria versão do texto. A reportagem foi editada para incluir a visão do ministério.