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Demanda fraca marca o 36º Leilão de Biodiesel da ANP

L36 ResultadoFinal_110414Encerrado nessa sexta-feira (11), o 36º Leilão de Biodiesel negociou o menor volume desde que os certames se tornaram bimestrais.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Ao que tudo indica, o setor de biodiesel está prestes a entrar num bimestre particularmente difícil. Encerradas as negociações do 36º Leilão de Biodiesel, as distribuidoras compraram o menor volume de biodiesel desde o Leilão 26, quando os certames ganharam o formato atual.

Ontem já havia ficado claro que os fabricantes de biodiesel deveriam esperar um mercado mais enxuto. Foi o pior resultado para uma 3ª etapa desde a implantação do novo modelo de leilões em meados de 2012.

Ao que tudo indica, o setor de biodiesel está prestes a entrar num bimestre particularmente difícil. Encerradas as negociações do 36º Leilão de Biodiesel, as distribuidoras adquiriram raquíticos 463,8 milhões de litros – a menor compra desde o Leilão 26, quando os certames ganharam o formato atual.

Ontem já havia ficado claro que os fabricantes de biodiesel deveriam esperar um mercado mais enxuto. Afinal, mesmo depois um período de prorrogação que se prolongou por longas 7 horas, foram arrematados 390 milhões de litros. Esse foi o pior resultado para uma 3ª etapa desde a implantação do novo modelo de leilões em meados de 2012.

Nem as reduções de preço da 4ª etapa foram suficientes para reinjetar ânimo nos compradores. As vendas de hoje foram de 73,1 milhões de litros, 25,3 milhões de litros a menos do que os distribuidores poderiam adquirir. Com isso, 271,3 milhões de litros que haviam oferecido na 2ª etapa do processo ficaram sem compradores.

O preço médio do metro cúbico de biodiesel ficou em R$ 1.910,25. Com isso, o leilão movimento R$ 886,1 milhões. Descontada a margem da Petrobras – R$ 30 por m³ –, as usinas vão ficar com pouco menos de R$ 872,2 milhões.

Considerando apenas o valor efetivamente recebido pelas usinas, o preço médio do biodiesel cai para R$ 1.880,30. Esse é o segundo menor preço médio de um leilão desde 2011 e o menor preço de 2014.

Queda
O volume negociado representa uma queda de 15,6% sobre o volume do leilão mais recente e de 5% sobre o Leilão 30 – responsável por abastecer o mercado durante os meses de maio e junho do ano passado. Esse resultado garante o consumo de somente 9,2 bilhões de litros de B5, cerca de 340 milhões de litros a menos do que o consumido durante o mesmo período de 2013.

Isso parece indicar que as distribuidoras estão esperando que haja uma desaceleração forte na demanda brasileira de óleo diesel durante o próximo bimestre. Embora não esteja claro qual o motivo dessa convicção.

Dados da ANP indicam que, no primeiro bimestre de 2014 as vendas de diesel registraram expansão de 5,4% sobre as vendas do mesmo período de 2013. O histórico da agência não parece sustentar qualquer indício de uma redução sazonal no mercado de diesel durante o 3º bimestre. Além do mais, com o Brasil usando mais as termelétricas para atender a demanda por eletricidade, seria de se esperar um aumento na demanda.

Por outro lado, a desobrigação para o uso de biodiesel em algumas localidades da região Norte poderia ser parte da explicação para a pequena demanda. Contudo, como o consumo total de biodiesel dos estados do Amazonas, Acre e Rondônia é de cerca de 16 milhões de litros, valor insuficiente para explicar tamanha redução na demanda.

Destaques
- A usina que mais vendeu biodiesel nesse leilão foi a Granol de Goiás que teve 48 milhões de litros arrematados. Com um preço médio de 1.884,34 por m³ ela vai embolsar R$ 90,4 nos próximos dois meses;
- A Granol também foi o grupo que mais vendeu. Foram 65,7 milhões de litros por uma média de R$ 1.876,21 o m³
- O biodiesel mais caro foi o da unidade do Ceará da Petrobras Biocombustível que vai receber R$ 2.244,65 por m³. A usina vendeu 10 milhões de litros o que lhe garante um faturamento de R$ 22,4 milhões;
- A Bunge teve o biodiesel mais barato da rodada com R$ 1.789,15 por m³;
- Três usinas – Potencial, BSBios do Paraná e Bunge – conseguiram vender 100% de suas ofertas. Destas, a BSBios e a Bunge venderam 100% de sua capacidade produtiva para o bimestre;
- Um grupo de 9 usinas não vendeu nenhuma gota;
- A JBS chegou bem perto de não vender nada. A usina paulista vendeu apenas 67 mil litros – 0,4% do que colocou à disposição do mercado, 0,2% de sua capacidade bimestral.
- O estado que mais vendeu foi o Rio Grande do Sul, coletivamente as usinas gauchas colocaram 107,8 milhões de litros no mercado;
- Já a região que mais vendeu biodiesel foi o Centro-Oeste com 232,7 milhões de litros vendidos;
- As regiões Centro-Oeste e Sul venderam 89,94% de todo o biodiesel comercializado no leilão.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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