O 56º Leilão de Biodiesel acontece na próxima semana e as usinas precisam se preocupar com o tamanho da oferta.
BiodieselBR.com ··5 min de leitura
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O setor segue na luta para conseguir a antecipação dos aumentos de mistura. Em razão da recessão, a demanda extra gerada com a chegada do B8 ficou muito aquém do que se esperava. Quando o B8 foi autorizado para março deste ano, a expectativa é que fossem comprados mais de 800 mil m³ a cada bimestre. Mas os volumes ficaram abaixo desse patamar – a média das compras dos três leilões do B8 ficou em 704,7 mil m³.
O setor segue na luta para conseguir a antecipação dos aumentos de mistura. Em razão da recessão, a demanda extra gerada com a chegada do B8 ficou muito aquém do que se esperava. Quando o B8 foi autorizado para março deste ano, a expectativa é que fossem comprados mais de 800 mil m³ a cada bimestre. Mas os volumes ficaram abaixo desse patamar – a média das compras dos três leilões do B8 ficou em 704,7 mil m³.
Apesar da média baixa, o volume comprado vem crescendo a cada leilão. Nas compras para o 4º bimestre as distribuidoras levaram 760 mil m³. Mesmo essa compra recorde se mostrou pequena. As distribuidoras pediram a Petrobras todos os 18 mil m³ comprados no leilão de estoque e outros 50 mil m³. A Petrobras correu para fechar com as usinas a os 10% a mais que o contrato permite para conseguir suprir a demanda extra. O aumento do PIS/Cofins acabou reduzindo um pouco a demanda por diesel e no final da última semana a Petrobras precisou de apenas 20 mil m³ além do adquirido nos leilões.
Somando esses volumes chegamos em uma demanda para o 4º bimestre entre 798 mil m³ e 828 mil m³. Em linha com a demanda que o setor esperava com a chegada do B8.
Para o próximo leilão a demanda deve ser maior. Isso porque a demanda de setembro e outubro é quase sempre superior à de julho e agosto. Nesse cenário, as projeções mais pessimistas colocam pouco acima dos 760 mil m³ do 55º Leilão. Mas as mais otimistas acreditam que as distribuidoras podem comprar até 850 mil m³.
Nesse momento, 850 mil m³ parece muito. Não era tão grande quando a Petrobras estava correndo atrás de 50 mil m³ extra para o 4º bimestre. As projeções de BiodieselBR.com apontam uma aquisição no Leilão 56 entre 810 e 830 mil m³ de biodiesel. Ainda é preciso somar a esse volume mais 40 ou 50 mil m³ que a Petrobras deverá adquirir no Leilão de Opções.
O volume do leilão regular, se realizado, será recorde, e exigirá um outro por parte das usinas: o de oferta de biodiesel. Para que não haja risco de desabastecimento, é preciso que a oferta no leilão seja pelo menos 50 mil m³ superior à demanda. Com base em nossa projeção, a oferta deveria ficar entre 860 e 880 mil m³.
O recorde de oferta para um 5º bimestre é de 850,7 mil m³ no L44, quando havia uma capacidade de oferta habilitada de 1.092 mil m³.
No L56 a capacidade de oferta é de 1.150 mil m³, o que pode parecer tranquilizador. Contudo existem 97 mil m³ habilitados que não estão fazendo oferta. A tradicional não ofertante Barralcool e as usinas da Granol de Tocantins e Rio Grande do Sul. Essas usinas estão paradas e só por um esforço de seus gestores ofereceriam biodiesel. Sem elas, a capacidade habilitada cai para 1.053 mil m³.
No L44, a capacidade de oferta real em relação à habilitada era 30 mil m³ menor. Isso porque a Barralcool e Fertibom não ofertaram, deixando o teto em 1.062 m³.
Contando a favor do L56 está o fato de que as usinas aumentaram a suas ofertas com o B8. Nos três últimos leilões, o menor volume ofertado foi 856 mil m³ no L55, os outros dois ficaram acima de 870 mil m³.
O problema é que os três primeiros leilões do B8 aconteceram em meio a safra de soja e o L56 acontece num período em que a oleaginosa começa a ficar mais escassa. Nos últimos quatro anos, somente em 2013 as usinas ofertaram mais no 5º bimestre que no 4º bimestre quando houve redução na capacidade de oferta. Em 2015 houve aumento na oferta, mas isso só aconteceu por causa de um considerável aumento na capacidade de oferta.
Essa demanda crescente que surpreendeu as distribuidoras não pode surpreender as usinas. Elas têm sempre que ofertar mais biodiesel do que as distribuidoras demandam. Quanto mais justa for essa relação maior o lucro das usinas. Mas é preciso manter uma distância mínima que dê alguma margem de escolha às distribuidoras e garanta o abastecimento do mercado.
O B9 e o B10 torcem para que não haja qualquer susto na semana que vem.