BiodieselBR
Publicidade

Petrolíferas obtêm enormes lucros em um mercado impactado pela guerra

Alta do petróleo tem alavancado os ganhos das petroleiras

AFP 4 min de leitura

A alta dos hidrocarbonetos provocada pela guerra no Oriente Médio gerou bilhões em lucros para grandes petrolíferas, como a francesa TotalEnergies, a britânica Shell e a espanhola Repsol.

As grandes companhias de energia estão se beneficiando de forma extraordinária das interrupções no fornecimento de petróleo e gás no Oriente Médio, o que impulsiona as margens de refino e os preços.

Isso ocorre enquanto o aumento das contas de energia e os preços cada vez mais altos dos combustíveis alimentam a inflação, que aperta os orçamentos de famílias e empresas.

Na quarta-feira, o gás europeu ultrapassou 100 euros (R$ 594,98) por megawatt-hora pela primeira vez em quatro anos, devido às dificuldades de trânsito dos carregamentos de gás natural liquefeito (GNL) vindos do Oriente Médio e à redução dos estoques europeus.

Essa inflação leva, em muitos países, a um crescente descontentamento com o aumento do custo de vida que, na França, explodiu em forma de fortes protestos em nível nacional.

O lucro líquido da francesa TotalEnergies bateu um recorde entre julho e setembro, quando atingiu US$ 8,3 bilhões (R$ 44,33 bilhões).

Já o da britânica Shell foi de US$ 12,1 bilhões (R$ 64,63 bilhões) nesse período, mais que o dobro em relação ao mesmo trimestre do ano anterior.

No caso do grupo espanhol Repsol, o ganho líquido quadruplicou nos primeiros nove meses do ano, chegando a 5 bilhões de euros (R$ 29,74 bilhões).

Tanto a Shell quanto a TotalEnergies, que já haviam registrado forte crescimento nos dois primeiros trimestres de 2026, indicaram que aumentarão as remunerações aos acionistas.

Ser “exemplar”

Os benefícios se explicam em parte porque a produção e exportação de produtos refinados no Oriente Médio continuam gravemente afetadas, e as refinarias não impactadas pela guerra aproveitam a menor oferta global.

Ao mesmo tempo, os bombardeios ucranianos contra infraestruturas energéticas russas levaram Moscou, um ator importante nesse mercado, a proibir a exportação de produtos como gasolina e diesel.

O governo francês instou a TotalEnergies a se comportar de forma “exemplar” e a fazer com que os consumidores se beneficiem das economias derivadas da liberação de reservas estratégicas de gasóleo.

“Pedimos à Total que repasse, mais uma vez, para baixo a vantagem da liberação dos barris e que mantenha o seu teto [sobre os preços] pelo tempo que for necessário, enquanto durar esta crise”, declarou a porta-voz do governo, Maud Bregeon, ao canal BFMTV/RMC.

Os lucros da Repsol atingiram 2,8 bilhões de euros (R$ 16,65 bilhões) apenas no terceiro trimestre, um valor muito superior aos 574 milhões de euros (R$ 3,41 bilhões) desses mesmos três meses de 2025.

Seu lucro líquido ajustado, indicador que mede de forma mais específica a rentabilidade da empresa, chegou a 5,42 bilhões de euros (R$ 32,24 bilhões) nos primeiros nove meses do ano, frente a 1,9 bilhão de euros (R$ 11,3 bilhões) no mesmo período de 2025 (+184%).

A empresa, com sede em Madri e presente em mais de 20 países, concentrou-se nos últimos meses em seu posicionamento na Venezuela, onde afirmou que está disposta a aumentar sua produção de petróleo bruto em 50% em 12 meses.

“Indecente”

Diante desses resultados empresariais, algumas vozes criticam duramente o fato de esses grupos estarem tirando proveito de um conflito que sufoca as economias familiares em todo o mundo.

Em resposta aos lucros anunciados pela Shell, o especialista em campanhas do Greenpeace, Philip Evans, instou o governo britânico a “taxar essas empresas pelo dano incalculável que estão causando”.

“Em um contexto de desastres climáticos quase constantes, tanto no Reino Unido como em todo o mundo, esses lucros vão além da mera ganância: são abertamente perversos”, acrescentou.

Na França, várias ONGs, como 350.org, Action Justice Climat Paris e Attac France, classificaram como “indecentes” os lucros da TotalEnergies e reivindicaram que esses ganhos sejam tributados “para financiar os serviços públicos, a transição ecológica e o apoio às famílias”.

Compartilhar: