MME publicou nessa segunda-feira o relatório final com os resultados do programa de ensaios convocado para validar o B10
Antes tarde do que nunca. Foi publicado na manhã dessa segunda-feira (30) o relatório que resume as conclusões do programa de ensaios para a validação do uso do B10 no mercado brasileiro. Conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) – que coordenou todo o trabalho e foi responsável pela formatação do documento final – o processo contou a participação ativa de 13 fabricantes de veículos automotores e autopeças, além de órgãos governamentais, entidades de pesquisas e representações dos setores automotivo e de biodiesel.
Antes tarde do que nunca. Foi publicado na manhã dessa segunda-feira (30) o relatório que resume as conclusões do programa de ensaios para a validação do uso do B10 no mercado brasileiro. Conduzido pelo Ministério de Minas e Energia (MME) – que coordenou todo o trabalho e foi responsável pela formatação do documento final – o processo contou a participação ativa de 13 fabricantes de veículos automotores e autopeças, além de órgãos governamentais, entidades de pesquisas e representações dos setores automotivo e de biodiesel.
Previsto pela Lei 13.263/2016 – que estabeleceu o cronograma para o B10 e abriu uma porta para a adoção do B15 – o programa validação deveria ter sido concluído em março do ano passado. Dificuldades em definir quem ficaria responsável por pagar a conta do combustível que seria consumido durante os testes, no entanto, inviabilizou o cumprimento do prazo legal.
Foi apenas em março de 2017 foi fechado um acordo segundo o qual as três maiores associações do setor de biodiesel – Abiove, Aprobio e Ubrabio – aceitaram dividir a conta estimada em cerca de R$ 3 milhões. Isso permitiu que testes mais substanciais fossem iniciados no segundo semestre do ano passado.
Nesse meio tempo, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) antecipou a chegada do B10 para março deste ano. Ou seja, não somente a nova mistura obrigatória chegou antes dos resultados finais dos ensaios que deveria precede-la como já tivemos dois leilões com ela em vigor.
Aprovado
Embora atrasado, o relatório publicado hoje traz as melhores notícias possíveis para o setor.
Em suas considerações finais o documento informa que “o uso da mistura de 10% de biodiesel no diesel (B10) foi amplamente testado e aprovado por todas as empresas do setor que atuam no mercado brasileiro de veículos e equipamentos do ciclo diesel”. Em outras palavras: a nova mistura está aprovada com louvor.
Essa informação já havia sido antecipada com exclusividade no começo deste mês por BiodieselBR.com. Dentre todos os testes relacionados ao B10, apenas dois tiveram problemas. E, em ambos os casos, o biocombustível não pôde ser apontado como a causa.
A Nissan teve que encerrar um teste de durabilidade, que deveria durar 50 mil km, com pouco mais de 37,6 mil km rodados. O diagnóstico da empresa, no entanto, apontou que a falha do veículo – uma Frontier 2.3 – não tinha relação direta com o combustível utilizado.
O segundo problema foi com a Parker que não obteve a performance esperada de seus filtros com perdas de eficiência que poderiam chegar a até 54%. No entanto, o problema pode ter sido provocado pelo uso de um lote de biodiesel degradado. Uma nova rodada usando combustível mais novo teve o resultado esperado pelo fabricante.
Testes
No total foram conduzidos 19 testes com o B10 para avaliar a compatibilidade química da mistura com os componentes dos motores, a eventualidade de problemas na partida, mudanças na dirigibilidade e/ou desempenho dos veículos; mudanças no perfil de emissões; a estabilidade a oxidação; os desempenhos dos filtros de combustível, o nível de consumo, a durabilidade das peças e o risco de contaminação do óleo lubrificante pelo biodiesel.
O B10 se saiu bem em todos os critérios apresentando variações ínfimas em relação ao que seria esperado.
Especial atenção foi dado ao problema da oxidação do combustível, uma preocupação recorrente da indústria devido ao risco de formação de borras que podem levar até ao entupimento dos motores. Nesse caso, foi constatado que, de fato, a mistura entre diesel fóssil e biodiesel se degrada com “relativa velocidade” com a maioria dos testes indicando que cerca de 60 dias depois de recebido o produto já não atende satisfatoriamente a especificação.
No entanto, os testes também apontaram que há no mercado aditivos capazes de alongar consideravelmente a sobrevida do B10. Um teste conduzido por uma parceria entre a MAN e a Delphi mostrou que, usando antioxidantes disponíveis comercialmente, é possível manter a mistura dentro da especificação por mais de um ano.
Continuidade
O programa de ensaios coordenado pela MME ainda tem mais um ano pela frente. Encerrados os testes relativos ao B10, agora chega a hora de testar o B15/B20.
Essa segunda rodada será ainda maior, com a previsão de que sejam consumidos quase 830 mil de litros de combustível – contra menos de 140 mil nessa primeira etapa.
Segundo o texto da Lei 13.263/2016, essa nova fase tem até março de 2019 para ser concluída e é condição sine qua non para que o CNPE possa deliberar sobre um novo cronograma para os aumento da mistura obrigatória chegando até o teto do B15.
A íntegra do relatório pode ser consultada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com