Chamado de Bio+, o padrão de qualidade voluntário torna mais estritos os parâmetros de sódio, potássio, cálcio, magnésio e fósforo do biodiesel
Desde a sexta-feira passada (29) todas as usinas de biodiesel associadas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) tiveram homologado seu direito ao uso do Bio+. Anunciado no último dia 11 de abril, o selo é o primeiro padrão qualidade privado voltado ao biodiesel brasileiro.
As últimas adesões foram da Fiagril e da unidade da JBS em Campo Verde (MT). Ao todo são 9 unidades produtivas de biodiesel que totalizam 22% da capacidade instalada no país e, no ano passado, foram responsáveis pela produção de aproximadamente 28,5% dos 5,9 bilhões de litros que forma fabricados no Brasil.
Desde a sexta-feira passada (29) todas as usinas de biodiesel associadas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) tiveram homologado seu direito ao uso do Bio+. Anunciado no último dia 11 de abril, o selo é o primeiro padrão qualidade privado voltado ao biodiesel brasileiro.
As últimas adesões foram da Fiagril e da unidade da JBS em Campo Verde (MT). Ao todo são 9 unidades produtivas de biodiesel que totalizam 22% da capacidade instalada no país e, no ano passado, foram responsáveis pela produção de aproximadamente 28,5% dos 5,9 bilhões de litros que forma fabricados no Brasil.
Dois meses
Na verdade, segundo Vicente Pimenta, que atua como consultor de qualidade para a entidade, essas empresas já vêm fabricando de acordo com o novo padrão de qualidade há pelo menos dois meses. Esse é o tempo que leva o processo de homologação de cada fabricante. “Durante esse período, as usinas precisam estão 100% dentro do padrão”, diz.
Depois de sua primeira homologação, os fabricantes ganham direito de usar o selo Bio+ durante seis meses antes de ter que refazer os testes. Depois desse primeiro semestre, as renovações do selo passam a ser anuais.
Menos contaminantes
O alvo do Bio+ são os contaminantes metálicos presentes no biodiesel. Para participarem do programa os fabricantes precisam fabricar biodiesel com teores de sódio, potássio, cálcio, magnésio e fósforo pelo menos 40% abaixo dos autorizados pela Resolução 45/2014 da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O selo não se trata de substituto para a especificação da ANP. “O Bio+ é algo além da especificação”, explica Vicente.
Segundo ele, os contaminantes foram escolhidos pela Abiove porque afetam negativamente a eficiência dos sistemas de pós-tratamento de emissões que se tornarão obrigatórios no país quando a oitava fase do Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores (Proconve) entrar em vigor a partir de 2023. “Tinha uma lacuna aí e o pessoal [das montadoras] manifestou preocupação com os efeitos do biodiesel sobre as exigências de emissões do Proconve”, conta Vicente acrescentando que a proposta foi apresenta à Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA). “[A AEA] disse que vinha sentindo falta de um movimento mais concreto por parte do setor de biodiesel”, completa.
Controle
Durante a fase de homologação, a qualidade do biodiesel das usinas é analisada por um laboratório externo contratado pela associação.
Depois disso, de acordo com Vicente, as usinas que aderirem ao Bio+ devem reportar dados semanais produzidos por um laboratório devidamente acreditado – os mesmos que hoje em dia já são encaminhados à ANP – sobre a qualidade de sua produção ao comitê de qualidade da Abiove responsável pela gestão da iniciativa.
Os membros desse comitê são indicados pelos próprios fabricantes e assinam um termo de confidencialidade. Os resultados dos testes não serão tornados públicos.
Movimento setorial
Embora tenha sido a primeira a se mover nesse tabuleiro, a Abiove não é a única associação setorial que está apostando na criação de um selo privado de qualidade. Na semana passada, a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) antecipou que está desenvolvendo um selo de qualidade e, na edição passada da Conferência BiodieselBR, a União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene (Ubrabio) lançou a mesma ideia.
De acordo com Vicente, no longo prazo a ideia é trazer para o Brasil o modelo de atuação da AGQM (sigla em alemão para Associação de Gerenciamento da Qualidade do Biodiesel) que desenvolve um trabalho independente para a melhoria da qualidade do biodiesel no mercado da Alemanha. “Fizemos um levantamento das dificuldades e despesas envolvidos e vimos que não seria possível organizar tudo antes de 2021. Por isso resolvemos começar com o que já estava à mão”, explica.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com