

Um estudo recém-publicado afirma que o diesel com baixo teor de enxofre não é mais suscetível à contaminação microbiológica. Isso contraria algo que o mercado assumiu senso comum.

Um estudo recém-publicado pela Universidade de Oklahoma indica que o diesel com baixo teor de enxofre não é mais sensível à contaminação microbiológica. Esse resultado contraria algo que o mercado assumiu como uma verdade estabelecida nos últimos anos.
O uso de diesel com teores mais baixos de enxofre se tornou tendência no mundo inteiro. As razões são principalmente ambientais. Quando chega à atmosfera o enxofre dá origem aos óxidos de enxofre, que contribuem com a formação da chuva ácida e geram efeitos nocivos à saúde humana. Acontece que, como o enxofre tem ação bactericida, o mercado teme que o diesel mais limpo seja também mais vulnerável à proliferação de microorganismos que dão origem a borras que se acumulam nos tanques de armazenamento do produto causando entupimentos e inutilizando filtros.
As descobertas dos pesquisadores norte-americanos vão numa direção diametralmente oposta ao afirmar que ambos – o teor de enxofre e a contaminação microbiológica não estão diretamente relacionados. Para testar sua hipótese, os cientistas coletaram amostras de diesel com diferentes especificações e observaram seu comportamento em busca de uma conexão entre o teor de enxofre e a suscetibilidade da amostra à biodegradação.
“Nossas descobertas sugerem que o conteúdo de compostos organossulfurados do diesel não influencia significativamente a biodegradação anaeróbica dos hidrocarbonos”, diz o estudo.
Brasil
No Brasil, a adoção de formulações com menor teor de enxofre, que deveria ter acontecido em 2009, só foi regulamentada em dezembro de 2011 pela Resolução ANP 65, na qual foi estabelecido o cronograma para que o diesel S50 e S10 – com 50 e 10 partes por milhão de enxofre, respectivamente – começasse a ser vendido e o diesel S1.800 fosse retirado do mercado brasileiro.
Em parte o atraso aconteceu em razão dos temores do mercado de que o diesel mais limpo fosse mais vulnerável à proliferação de microorganismos. Vale lembrar que, em 2011, o setor de distribuição viveu momentos de tensão quando ocorreu um aumento significativo nos casos de acúmulo de borras nos tanques de armazenamento das distribuidoras e postos. Na época, o biodiesel foi apontado como o vilão.
Um estudo do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da USP estimou que a demora de quatro anos em reduzir os teores de enxofre no combustível nacional vai acarretar 14 mil mortes [http://www.biodieselbr.com/noticias/meioambiente/saude/demora-diesel-limpo-causara-14-mil-mortes-290113.htm].
O estudo norte-americano foi publicado no jornal Environmental Science & Technology e pode ter um resumo acessado clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com