Pesquisa

UFPR desenvolve método para detectar fraudes na composição do diesel


Bem Paraná - 17 set 2021 - 09:46

Um método desenvolvido pelo grupo de pesquisa em Ressonância Magnética Nuclear (RMN) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) promete determinar a quantidade de biodiesel no diesel de forma rápida e com baixo custo. O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabelece a adição obrigatória de 13% de biodiesel no diesel de origem fóssil – embora, no momento, a mistura esteja reduzida para 10%. O não cumprimento dessa norma por parte das empresas responsáveis pela produção e distribuição do produto é considerado fraude contra a administração pública, além de acarretar perda de dinheiro ao Estado. A fiscalização e a constatação de irregularidades dependem de análises laboratoriais mais complexas, tornando esse processo demorado e custoso.

A técnica desenvolvida pela UFPR consiste em gerar uma curva de calibração com diferentes teores de biodiesel em diesel em um equipamento de Ressonância Magnética Nuclear (RMN). Esse procedimento é feito apenas uma vez e, em seguida, qualquer amostra de combustível adicionada ao equipamento passa por uma leitura que apresenta o teor de biodiesel presente naquela porção.

De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Andersson Barison, do Departamento de Química da UFPR, o método tem potencial para ser um grande aliado das agências reguladoras e de controle, já que a partir dele podem ser desenvolvidos equipamentos com capacidade de detecção de fraudes em tempo real se instalados em bombas de combustível, por exemplo.

As dimensões compactas e a inexistência de manutenção de sistemas de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) no Domínio do Tempo, ou RMN-DT, permitem que eles sejam colocados em pontos específicos para o monitoramento permanente, com transmissão on-line de dados para as agências de controle. “Com a publicação desta técnica, qualquer empresa interessada pode desenvolver o dispositivo para ser instalado nas bombas. Assim, à medida que o combustível passar pelo equipamento, enquanto os veículos são abastecidos, ele fará a leitura de forma simultânea dos tempos de relaxação dos núcleos atômicos, que estão diretamente relacionados ao teor de biodiesel”, explica Barison.

Vantagens

Segundo o especialista, além de não possuir custo de manutenção, os equipamentos apresentam preços acessíveis, em torno de R$ 50 mil, e não exigem materiais consumíveis para realizar as análises. “Em alguns testes de Covid-19, por exemplo, são utilizados swabs para fazer as coletas. No nosso método, nada além do equipamento é necessário. Basta colocar o combustível no aparelho. Como vantagem, ele também não gera nenhuma poluição ambiental”, argumenta.

Com a publicação da técnica, ela se tornou de domínio público. A empresa Bruker, que desenvolve equipamentos de RMN, pretende aprimorar o método e realizar o escalonamento industrial, além de enviar o pedido de inserção como método da American Society for Testing and Materials (ASTM), órgão dos Estados Unidos similar à nossa Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e reconhecido internacionalmente, que estabelece as normas e os métodos padrões para avaliação de produtos e testes de materiais.

O Laboratório Multiusuário de Ressonância Magnética Nuclear (RMN) da UFPR atua no desenvolvimento de vários métodos utilizando a tecnologia para o diagnóstico de doenças, para o controle de qualidade de alimentos e bebidas, para o controle de qualidade de combustíveis, entre outros. A técnica de detecção de biodiesel no diesel foi criada a partir da dissertação de mestrado de Grazielli da Rocha, do Programa de Pós-Graduação em Química. O artigo foi publicado na American Chemical Society (ACS).