

Estudo realizada por doutorando da Esalq mensurou impacto que ampliação na produção e uso de biocombustíveis poderia trazer para a economia do país.

Uma pesquisa realizada pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo, avaliou os impactos que a ampliação da produção e do uso de biocombustíveis poderiam trazer para o país. O estudo concluiu que as políticas de substituição gradual dos combustíveis fósseis surtem efeitos favoráveis para a economia brasileira e também na redução das emissões de gases relacionados ao efeito estufa.
O trabalho foi desenvolvido como parte da tese de doutorado em economia aplicada de Jeronimo Alves Santos que elaborou cenários sobre o que aconteceria com a economia nacional no caso de aumentos graduais na adição de biocombustíveis – tanto etanol quanto biodiesel – nos combustíveis consumidos no Brasil. As projeções cobrem o período entre 2010 até 2030.
Biodiesel
Com relação especificamente ao biodiesel, a pesquisa simulou um aumento da substituição do diesel da ordem de 7,9% ao ano durante a janela de 20 anos observada. Essa elevação somaria 360% no período, o que equivaleria ao uso do B23 no último ano avaliado. Segundo o pesquisador responsável esse acréscimo contribuiria para a redução das importações do óleo diesel. “Isso implicaria em um aumento do PIB do país, do consumo, dos investimentos e dos salários e, ainda, resulta na queda dos preços do óleo diesel ao consumidor”, esclarece.
Dentro dos cenários elaborados pelo pesquisador, as indústrias de biodiesel cresceriam quase 200%, com impactos mais relevantes nos estados que atualmente possuem maior contribuição na produção do biocombustível e de suas matérias-primas, mas há também um avanço do setor para outras regiões do país. “Com o aumento da demanda por biodiesel, surgem novas indústrias nos estados que não eram significativos na produção do combustível. Além disso, os estados tradicionalmente produtores, tenderão a desenvolver seus parques industriais de biodiesel, seja ampliando a produção de usinas existentes, seja criando novas unidades”, detalha Santos.
Cadeia
Outros segmentos econômicos ligados à cadeia do biodiesel como as indústrias de soja, óleo de soja e sebo também seriam puxadas. Já as indústrias relacionadas à extração de petróleo, sofrem um impacto negativo, justificado pela substituição direta dos combustíveis minerais pelo biocombustível.
Na perspectiva ambiental, de acordo com o estudo, a ampliação do uso do biodiesel também teve efeito de redução de 11,16% das emissões associadas diretamente ao uso do óleo diesel e de 3,94% relacionadas à extração de petróleo.
Esse novo estudo reforça os resultados de um levantamento feito pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) por encomenda da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio). Apresentado em outubro passado, o trabalho da Fipe estimou que o aumento da mistura de biodiesel poderia acrescentar R$ 20 bilhões por ano ao PIB brasileiro.
A pesquisa de Jeronimo conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e deverá ser formalmente apresentado ainda esse mês.
Patrícia Herman – BiodieselBR.com