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[Atualizado] Competição esquenta entre matérias-primas minoritárias do biodiesel

Posição que há anos é ocupada pelo óleo de algodão está ameaçada pelo crescimento de outras matérias-primas alternativas.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Há algo de interessante se insinuando nos números das matérias-primas da indústria do biodiesel cujos dados para o mês de fevereiro foram divulgados nessa sexta-feira (01) pela ANP. Não que estejamos perto de ver ruir a dependência das usinas brasileiras em relação ao óleo de soja e à gordura bovina – nada disso –, mas há um novo acirramento na disputa pela terceira colocação do ranking com o óleo de algodão perdendo espaço para competidores.

Há algo de interessante se insinuando nos números das matérias-primas da indústria do biodiesel cujos dados para o mês de fevereiro foram divulgados nessa sexta-feira (01) pela ANP. Não que estejamos perto de ver ruir a dependência das usinas brasileiras em relação ao óleo de soja e à gordura bovina – nada disso –, mas há um novo acirramento na disputa pela terceira colocação do ranking com o óleo de algodão perdendo espaço para competidores.

A maior mudança diz respeito ao crescimento das matérias-primas agregadas na categoria “outros materiais graxos” que, assim como já acontecido em janeiro, levou o bronze. Na verdade, ela conseguiu ampliar ainda mais sua participação em relação ao primeiro mês do ano cravando 2,9% do mercado mensal – ou 8,6 milhões de litros considerando uma produção pouco superior a 300 milhões de litros no mês.

Desde outubro de 2013 – quando teve 3,4% do mercado –, esse conjunto de matérias-primas não tinha uma fatia tão gorda. Aliás, aquele foi o último ano que os “outros” encerraram com participação acima de um ponto percentual no mix de matérias-primas da indústria, depois disso a participação ficou em 0,8% (2014) e 0,9% (2015).

A Região Norte foi, de longe a maior consumidora deste insumo com 34,9% do biodiesel produzido. Mas a matéria-prima também pontuou bem entre as usinas do Centro-Oeste (1,7%), Sudeste (2%) e Sul (2,5%).

Palma

Mas não foram só os “outros” que se saíram bem. O óleo de palma também parece estar querendo engrenar.

A palma sempre teve uma participação pequena e errática na produção de biodiesel. Depois de mais de um semestre sumida, em janeiro deste ano ela ficou com quase 0,5% do mercado. Em fevereiro a participação ficou em 1,4% com 4,5 milhões de litros, praticamente igualando a performance de janeiro de 2013.

Do ponto de vista regional, a palma teve seu maior mercado no Nordeste onde teve 6,8% do biodiesel fabricado. Centro-Oeste (1,6%) e Sudeste (2,2%) também pontuaram.

Enquanto isso, o óleo de algodão ficou com menos de 1,3% do mercado o que equivale a 3,8 milhões de litros fabricados no período. Trata-se de uma queda de praticamente metade em reação ao mês anterior quando foram fabricados 7,6 milhões de litros de biodiesel a partir do algodão, o que representou 2,8% do total do biocombustível produzido naquele mês.

Apesar do algodão vir se mantendo como dono inconteste da 3ª colocação do mercado de biodiesel desde 2009, já houve outros momentos em que outras matérias-primas ameaçaram sua posição. O óleo de cozinha usado, as gorduras de porco e de frango já roubaram o pódio durante alguns meses.

Topo

Enquanto a disputa esquenta no andar de baixo, no topo do ranking a situação mudou relativamente pouco.

Em fevereiro, segundo a ANP, o óleo de soja encerrou a trajetória de queda ao cravar 75,2% do mercado, praticamente três pontos percentuais acima do resultado de janeiro. Com isso, a indústria consumiu o equivalente a 225,5 milhões de litros de óleo o que equivale ao esmagamento de 1,08 milhão de toneladas do grão.

Nos dois primeiros meses do ano, pouco mais de 2,02 milhões de toneladas de soja em grão já foram esmagados para dar conta da demanda de óleo da indústria de biodiesel.

Já o sebo bovino perdeu participçação. No mês anterior, ele teve 20,1% e, agora, ficou com 17,7%. Ao todo, foram fabricados 53,2 milhões de litros de biodiesel de sebo 1,4 milhões de litros menos do que em janeiro. 

Atualizado às 16h10 no dia 06 de abril: no fim da tarde de ontem (05) a ANP publicou uma versão retificada do Boletim Mensal do Biodiesel na qual reduz a participação do sebo de 20,1% para 17,3%. O texto e o gráfico originais foram modificados para refletir essa nova informação.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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