Apesar de melhoria sobre o volume de maio, embarques do derivado da soja caíram pela metade em relação ao ano passado
As exportações de óleo de soja deram um passo para a frente em junho. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou pouco mais que 139,5 mil toneladas do derivado do principal produto do agronegócio brasileiro. Esse volume equivale a 735 mil toneladas de soja em grão e representa um crescimento de 14% sobre a quantidade o que havia sido registrada pelo governo federal no mês anterior.
No comparativo anual, contudo, esse volume está pouco acima da metade do visto em junho do ano passado.
As exportações de óleo de soja deram um passo para a frente em junho. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o país exportou pouco mais que 139,5 mil toneladas do derivado do principal produto do agronegócio brasileiro. Esse volume equivale a 735 mil toneladas de soja em grão e representa um crescimento de 14% sobre a quantidade o que havia sido registrada pelo governo federal no mês anterior.
No comparativo anual, contudo, esse volume está pouco acima da metade do visto em junho do ano passado.
Somados todos os embarques feitos ao longo da primeira metade deste ano, os exportadores venderam 648,4 mil toneladas de óleo de soja o que representa uma queda de 55,7%.
Tipicamente, junho seria o mês na qual as exportações brasileiras de óleo de soja atingiriam seu pico. Até o momento, contudo, a maior exportação do ano foi em abril quando os embarques passaram de 153 mil toneladas.
Dois fatores principais ajudam a explicar essa contração nas exportações brasileiras.
O primeiro – e mais evidente – é a retomada da política de adição de biodiesel no mercado brasileiro depois de quase dois anos de patamares reduzidos. A retomada foi iniciada em abril do ano passado com a aprovação do B12 e foi aprofundada depois da adoção do B14 em março deste ano.
O segundo é a recomposição da oferta na Argentina. Principal exportador global de derivados da soja, o país vizinhos enfrentou uma quebra história de sua safra de soja no ciclo 2022/23 quando a colheita do grão caiu para 25 milhões de toneladas – cerca de metade do volume que está sendo colhido este ano.
A falta de matéria-prima fez com que as esmagadoras argentinas reduzissem quase 25% seu nível de atividade e exportassem 19,3% menos óleo em 2023 na comparação à média dos cinco ciclos anteriores. Pelas contas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a Argentina exportou menos de 4,18 milhões de tonelada de óleo de soja o que é o menor resultado anual para o país desde 2012.
Ganhos menores
Com o mercado de óleo de soja mais bem abastecido, os exportadores brasileiros de óleo estão ganhando menos com o produto. Em junho, cada tonelada de óleo rendeu US$ 947,77 aos vendedores. Esse valor pode ser convertido para R$ 5.106,94.]
Em dólares, o valor pago pelos compradores do óleo de soja brasileiro ficou 0,7% menor do que em maio interrompendo um movimento de alta que vinha desde março.
Apesar do valor um pouco mais baixo recebido, as vendas de óleo renderam US$ 132,3 milhões – cerca de R$ 713 milhões –, fazendo deste o segundo melhor mês do ano. De janeiro a junho, as exportações de óleo de soja garantiram a entrada de US$ 617,3 milhões na economia brasileira.
Sebo e OGRS
A aceleração nas exportações de óleo de soja em junho não se repetiu nos segmentos de sebo e de óleos e gorduras residuais (OGRs). Os embarques dos dois produtores somaram 25,8 mil toneladas, esse volume está mais de 36% abaixo do registrado no mês anterior. Ambos os produtos tiveram queda nas vendas para o mercado externo.
Percentualmente, a queda foi maior no segmento OGRs onde o recuo em um único mês foi de 63,4% indo para 2,15 mil toneladas. Isso apesar dos governos brasileiro e dos Estados Unidos terem chegado a um acordo para facilitar a comercialização dos óleos pós-consumo] entre os dois países.
No caso do sebo bovino, a queda foi de 31,4% indo para 23,6 mil toneladas vendidas. Na comparação anual, contudo, os embarques apresentam variação de 32,4%.
O principal destino de ambos os produtos foram os Estados Unidos cuja indústria de biocombustíveis tem absorvido volumes maiores de sebo e OGRs por conta do melhor perfil ambiental que essas matérias-primas têm. Das exportações brasileiras totais mais de 90% tiveram o mercado norte-americano como destino.
No total, os dois produtores renderam US$ 23,6 milhões em junho.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com