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IAC investe em pesquisas sobre pinhão-manso e mamona

pinhao manso_030613Promover o melhoramento genético de ambas espécies a fim de viabilizá-las para o uso na produção de biodiesel é um dos objetivos perseguidos pelos pesquisadores.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Promover o melhoramento genético de ambas espécies a fim de viabilizá-las para o uso na produção de biodiesel é um dos objetivos perseguidos pelos pesquisadores.

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Quem já pensa na mamona e no pinhão-manso como cartas fora do baralho na história do biodiesel brasileiro, pode estar se precipitando. Há diversos estudos em andamento que procuram reabilitar essas duas matérias-primas. Entre eles, os do Instituto de Agronomia de Campinas (IAC).

Há cerca de cinco anos, pesquisadores da entidade paulista se empenham vencer, por meio de melhoramento genético, os desafios relacionados ao pinhão-manso. “Como é uma espécie não ou pouco domesticada e adaptada às regiões áridas e semi-áridas, possui elevada variabilidade genética para ser explorada com a finalidade de produção de biodiesel”, diz Walter José Siqueira, pesquisador do IAC que participa do estudo.

No início o estudo se concentrou no melhoramento da Jatropha curcas. Mas desde que passou a ser subsidiado pela Petrobras, há cerca de três anos e meio, redirecionou seus esforços na busca do melhoramento genético de espécies selvagens, visando à ampliação da base genética.

Mamona
O segundo estudo, sobre a mamona, também objetiva resolver alguns dos principais impasses para o cultivo. “O nosso trabalho é voltado à seleção e à obtenção de cultivares mais produtivas, adaptadas a diferentes regiões e com tolerância a seca”, informa Tammy Aparecida Manabe Kiihl, pesquisadora do IAC que coordena o estudo.

Iniciada em 2010, a pesquisa sobre a mamona encontra-se na metade do cronograma de trabalho, que tem previsão para ser concluído até 2015. No momento, os pesquisadores estão conduzindo testes regionais de linhagens avançadas de mamona existentes em São Paulo, além de análises relativas à qualidade do óleo. “Já caracterizamos cerca de 40% do Banco de Germoplasma de Mamona do Instituto”, conta Tammy.

Outro resultado importante computado por esse estudo, que tem entre seus principais financiadores a Petrobras, é o desenvolvimento de protocolos para rastreio de variedades tolerantes à seca.

Híbridos
Por estar em andamento há mais tempo, a pesquisa do IAC com o pinhão-manso atingiu um grau de maturidade maior, trazendo para resultados mais consistentes. Entre eles, destacam-se variedades híbridas oriundas de cruzamentos entre a Jatropha curcas (pinhão-manso) e a Jatropha integerrima. “Ela [a variedade híbrida] possui resistência a pragas e doenças, tolerância à seca e não perde as folhas no inverno. Além disso, detém um teor de óleo nas sementes mais alto que as outras espécies”, explica Siqueira.

O pesquisador do IAC esclarece ainda que outros híbridos estão sendo obtidos com espécies selvagens para ampliar a base genética, permitindo, assim, a seleção de plantas estáveis, com potencial comercial para produção de biodiesel. Um deles deriva da espécie ornamental selvagem de Jatropha podagryca e, segundo Siqueira, é o primeiro caso no mundo. “Esse híbrido apresenta inúmeras vantagens. Além da resistência às pragas e doenças, tem porte reduzido, compacto e produção concentrada, que pode viabilizar a colheita mecanizada de frutos”, ressalta.

Incrementam ainda a lista de avanços obtidos pelos pesquisadores do IAC com o pinhão-manso seleções de plantas sem o princípio ativo tóxico (ésteres de forbol) presentes nas sementes. A ausência de forbol incrementaria a cadeia produtiva ao permitir que os coprodutos – tortas e farelos – resultantes do esmagamento das sementes fossem aproveitados na alimentação de animais.

O estudo também está próximo de definir os métodos de multiplicação rápida por meio de cultura de tecidos vegetais in vitro, que viabilizará a propagação comercial dos melhores clones após experimentações regionais.

Perspectivas
Os pesquisadores cogitam ainda elaborar uma estratégia que permita usar o pinhão-manso, após o melhoramento genético, em consorciação com a Macaúba, apontada pelos pesquisadores como uma das espécies nativas do Brasil mais bem cotadas para a produção de biodiesel. “Produz muito óleo por planta e, com o melhoramento, deverá produzir muito mais que o Dendê, que não tem ampla adaptação nas condições brasileiras”, antevê Siqueira.

A questão do melhoramento genético mostra-se crucial não somente para permitir que os pesquisadores ampliem as possibilidades de estudo. Revela-se decisiva também para que as oleaginosas pesquisadas alcancem maturidade comercial e econômica que as permitam ingressar no mercado de matérias-primas para o biodiesel.

Siqueira calcula que, levando em conta todas as variáveis, o lançamento de uma cultivar de pinhão-manso genuinamente brasileira ainda deva levar entre oito e dez anos.

Cátia Franco – BiodieselBR.com
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