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Novo relatório vê relação positiva entre biocombustíveis e segurança alimentar

Um novo relatório assinado por 10 instituições de pesquisas reúne novas evidências de que a produção biocombustíveis não gera insegurança alimentar.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
É uma polêmica recorrente. De tempos em tempos, voltam a ganhar corpo questionamentos a respeito da produção de biocombustíveis ter – ou não – reflexos negativos sobre os preços globais dos alimentos. O que, em tese, agravaria a insegurança alimentar das populações mais carentes. Um relatório publicado por um conjunto de 10 instituições internacionais de pesquisa – incluindo a brasileira USP – concluiu que o efeito pode ser justamente o oposto.

É uma polêmica recorrente. De tempos em tempos, voltam a ganhar corpo questionamentos a respeito da produção de biocombustíveis ter – ou não – reflexos negativos sobre os preços globais dos alimentos. O que, em tese, agravaria a insegurança alimentar das populações mais carentes. Um relatório publicado por um conjunto de 10 instituições internacionais de pesquisa – incluindo a brasileira USP – concluiu que o efeito pode ser justamente o oposto.

Chamado “Reconciling food security and bioenergy: priorities for action”, o relatório foi o resultado final de quase um ano e meio de esforços conjuntos da equipe internacional. De acordo com seu autor principal e pesquisador do Instituto de Ciência em Mudanças Climáticas do Laboratório Nacional Oak Ridge, Keith Kline, todo esse debate tem sido profundamente distorcido pela tentativa de aplicar um modelo global generalizado único sobre questões cuja relação entre custo de benefício é iminentemente local. “Informação confiável sobre os efeitos reais em nível local é fundamental, mas tem faltado nos debates sobre essa questão”, critica.

Simplificação

Para os defensores da tese de que de mais biocombustíveis resultam, necessariamente, em mais gente passando fome; a equação é simples: quando não transformam produtos agrícolas que poderiam ser usados na alimentação humana diretamente em combustível, a indústria desvia terras e recursos agrícolas escassos da produção de alimentos.

Para os autores do novo estudo, entretanto, esse resultado não é automático. E nem obrigatório. Embora pareça intuitiva a uma primeira olhada, a questão da competição por terras agrícolas falha em levar em conta que os aumentos consistentes na produtividade rural vêm reduzindo substancialmente a área necessária para a produção de comida.

Dados levantados pelo estudo indicam que, em 1961, para plantar o necessário para alimentar uma pessoa era necessário 0,45 hectare. Em 2006, essa relação havia caído para 0,22 hectare e projeções da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) projetam que esse movimento ainda não se esgotou.

Por isso, o estudo estima que com apenas um terço das terras agricultáveis disponíveis hoje – 1,7 bilhão de hectares – seria possível alimentar adequadamente 9 bilhões de pessoas que vem a ser a população projetada para 2050.

Olhar o contexto local de produção também é um ponto chave para reduzir o desmatamento causado pela abertura de novas fronteiras agrícolas. “Políticas efetivas para conservar áreas naturais não requerem a redução da produção de biomassa e alimentos, mas pode envolver incentivos para um gerenciamento mais eficiente dos recursos”, diz o texto.

Ou seja, o efeito que a produção de biocombustíveis terá sobre os gêneros alimentares vai depender muito mais do desenho institucional que lhe dá sustentação em cada país do que das condições agrícolas propriamente ditas. Um bom desenho pode fazer dos biocombustíveis até um aliado da segurança alimentar. Especialmente se conseguir atrair investimentos para áreas rurais de países em desenvolvimento que, hoje, são as mais afetadas pela fome. Um ponto chave estaria na expansão da infraestrutura e numa melhor inclusão de população agrícola em mercados.

“Este documento ajuda resumir nosso conhecimento e compreensão coletivos sobre como as metas da promoção de energia limpa e confiável podem avançar de mãos dadas com os esforços para a redução da pobreza e erradicação da fome”, resume o pesquisador sênior do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar (IFPRI, na sigla em inglês) e coautor do estudo, Siwa Msangi.

A versão completa do relatório (em inglês) pode ser acessada clicando aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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